A Stellantis, dona de marcas como a Fiat e Peugeot, admitiu que pode fechar fábricas na Argentina após uma queda nas vendas e o avanço das marcas chineses. A declaração foi feita por Herlander Zola, o presidente da Stellantis na América do Sul, que também defendeu que o governo brasileiro defina um modelo de proteção à produção local.
Ao todo, são 14 marcas que pertencem à Stellantis: Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, DS Automobiles, Fiat, Jeep, Lancia, Maserati, Opel, Peugeot, Ram e Vauxhall. Conforme a Exame, as vendas da Stellantis na América do Sul caíram 2%, enquanto a participação do mercado também diminuiu.
Segundo Zola, a Peugeot tinha cerca de 9% de participação no mercado argentino em 2025 e teve uma queda de 5%, o que explicaria os ajustes que devem ser feitos na fábrica de Palomar.
“Até a metade do ano passado ainda mantivemos um market share adequado. Dali em diante, o avanço chinês se deu numa velocidade muito grande, e todas as marcas que produziam na Argentina sofreram no mercado interno. Não foram só os chineses: os carros produzidos no Brasil também começaram a entrar lá com muito mais competitividade do que os produzidos na Argentina”, disse.
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Fechamento de fábrica ainda é incerto
São duas fábricas na Argentina. Zola afirmou que pode acabar fechando uma e mantendo a outra em atividade, ou fechar as duas, por exemplo. O presidente da Stellantis na América do Sul afirmou que um dos motivos é o custo da mão de obra na Argentina, considerada alta em relação ao Brasil.
“Não depende só da Argentina, porque o polo alimenta a América do Sul, e o Brasil pesa 65% do volume da região. Enquanto não tivermos previsibilidade sobre o que vai acontecer no mercado brasileiro, é difícil tomar com segurança qualquer decisão industrial na América do Sul. Mudanças como o próximo governo e o câmbio também podem alterar bastante a competitividade dos carros da Peugeot aqui”, afirmou.
Nos primeiros sete meses de 2026, a Stellantis vendeu quase 440 mil carros no Brasil, com 19,6% sendo da Fiat e 97 mil unidades sendo da Strada, a mais vendida do Brasil. No entanto, o maior nível de competição em relação aos carros elétricos chineses é um grande desafio para a empresa. Para Zola, o impacto da indústria chinesa foi muito diferente do que o imaginado no Brasil, na Argentina, na Europa, no Oriente Médio, na Ásia.
“Os Estados Unidos foram por um caminho, a Europa por outro. Aqui, as discussões com o governo estão alinhadas com as de outros mercados, e medidas vão ser tomadas para defender a indústria instalada, com regras que garantam que quem está chegando tenha compromisso de produzir aqui”, apontou.
Proteção às fábricas locais
Segundo ele, o governo brasileiro precisa proteger a produção local, e citou exemplos de fábricas que voltaram a montar fábricas no Brasil com o programa de incentivo Inovar-Auto.
“O governo criou o Inovar-Auto com exigências específicas, e a BMW montou fábrica no Brasil, a Jaguar Land Rover também, a Mercedes voltou a produzir em São José dos Pinhais, entre outras. Hoje, algumas chinesas estão de fato se estruturando para produzir no Brasil, independentemente do nível de produção atual. […] Os americanos colocaram 100% de taxação para evitar a entrada dos chineses. A União Europeia pode chegar a 70%, dependendo das regras. Mas quem produz aqui não é afetado por isso: pode colocar 100%, e para quem produz aqui não dá absolutamente nada. É por isso que os interesses começam a divergir”, destacou.




