COP30: Alemanhã vai investir 1 bilhão de euros em fundo de florestas tropicais

Iniciativa busca remunerar países que mantiverem áreas verdes intactas

Compartilhe:
Chanceler alemão Friedrich Merz na COP30 em Belém.

Durante a Cúpula dos Líderes, chanceler Friedrich Merz afirmou que país pretendia fazer uma contribuição “considerável” para o fundo. (Foto: Isabel B., COP30)

Um novo aporte no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi confirmado nesta quarta-feira (19), durante a COP30. A Alemanha anunciou que irá investir 1 bilhão de euros (cerca de R$ 6,15 bilhões) no fundo global, de acordo com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. As informações são do g1.

Continua após a publicidade

O fundo proposto pelo Brasil usa um modelo de investimento de renda fixa para gerar recursos destinados à conservação de florestas tropicais. Países que mantiverem as florestas de pé serão remunerados com o lucro das aplicações, com prioridade para nações como Brasil, Indonésia e Congo.

— Tivemos a alegria de ver a Alemanha anunciar o seu aporte. Esse aporte está na ordem de 1 bilhão de euros para o TFFF, graças a todo o esforço que vem sendo feito e em demonstração de que, de fato, esse instrumento de financiamento global é muito bem desenhado, muito bem estruturado e começa a dar as respostas esperadas — afirmou Marina.

Continua após a publicidade

O país já tinha sinalizado a pretensão de aderir ao fundo durante a Cúpula dos Líderes, evento pré-COP30, porém não tinha confirmado o valor. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou na época que o país pretendia fazer uma contribuição “considerável”.

— Se a Alemanha diz que é considerável, será considerável — reforçou o chanceler.

O chanceler ganhou destaque no noticiário nesta semana ao fazer comentários depreciativos sobre Belém. Em um discurso no Congresso Alemão do Comércio, Merz afirmou que os jornalistas que o acompanhavam durante a Cúpula dos Líderes ficaram “felizes em voltar para a Alemanha”

Os comentários forama alvo de críticas do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), do prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), e até do presidente Lula (PT). Contudo, um porta-voz do governo alemão já afirmou que ele não vai se desculpar pela fala.

Continua após a publicidade

Outros países que já anunciaram investimentos no fundo são o Brasil (1 bilhão de dólares), Noruega (3 bilhões de dólares), Indonésia (1 bilhão de dólares) e França (500 milhões de dólares). O TFFF se tornou uma das principais vitrines diplomáticas do país na conferência, e por isso é visto como um projeto estratégico para o Brasil.

A proposta é remunerar países com grandes áreas de floresta tropical pela conservação dos biomas. Dessa forma, o instrumento deve funcionar como uma espécie de “renda florestal global”, atraindo investimentos públicos e privados para compensar o valor econômico de manter a floresta viva e não derrubá-la.

Continua após a publicidade

Qual é a proposta do TFFF

O primeiro argumento do projeto é o reconhecimento de que, na prática, a destruição das florestas tropicais ainda gera mais retorno econômico do que sua conservação. O lucro acontece através da extração da madeira, abertura de áreas para agricultura e da expansão urbana.

Porém, manter as florestas intactas, mesmo que seja essencial para a manutenção do clima e da biodiversidade, ainda não traz uma receita direta para os países responsáveis por essas áreas. Dessa forma, a criação do fundo surge para alterar essa lógica, com um sistema que recompensa financeiramente os países por manterem suas florestas intactas.

Continua após a publicidade

Os cálculos são feitos com base em dados de monitoramento por satélite e em padrões técnicos acordados internacionalmente, que permitem medir o nível de conservação de cada território. O projeto estabelece que a cada hectare de floresta preservado, o país receberia um valor anual, com redução se houver aumento de desmatamento ou degradação.