Copom reduz taxa básica para 4,25% e sinaliza que juro não cairá mais 

Esse foi o quinto corte na gestão do presidente Jair Bolsonaro, mas desta vez a magnitude da redução foi menor

Compartilhe:

Taxa básica de juros caiu para 4,25% ao ano (Foto: Pixabay, arquivo)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros nesta quarta-feira (5), de 4,50% para 4,25% ao ano, e afirmou que a sequência de cortes iniciada no ano passado chegou ao fim.

Continua após a publicidade

No comunicado da decisão, disse que é necessário ter cautela, pois a política monetária se tornou mais potente e os cortes feitos desde julho ainda não se manifestaram totalmente na economia.

A instituição também divulgou cálculos que mostram inflação na meta em 2021, mas em um cenário de juros mais altos no próximo ano.

Continua após a publicidade

"Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária", disse o BC em seu comunicado.

Esse foi o quinto corte na gestão do presidente Jair Bolsonaro. Desta vez, a magnitude da redução foi menor: 0,25 ponto percentual, após quatro cortes de 0,50 ponto percentual cada. Desde dezembro de 2017 os juros vêm renovando as mínimas históricas.

O corte ocorre em um momento de recuperação ainda lenta da economia brasileira, reforçada pelas incertezas trazidas pelo surto do coronavírus a partir da China, e de expectativa de queda da inflação, após a alta registrada no final de 2019 por causa do preço da carne.

Contribui ainda o cenário de taxas de juros baixas em praticamente todas as economias relevantes, por conta do fraco desempenho da economia mundial. A maioria dos países encerrou seu ciclo de corte nos últimos dois meses.

Continua após a publicidade

O BC não citou a questão do coronavírus, mas afirmou que, apesar do recente aumento de incerteza no cenário externo, os juros baixos nas principais economias têm produzido ambiente favorável para economias emergentes.

O ciclo atual de corte de juros começou em julho, quando a taxa estava em 6,50% ao ano, logo após a aprovação da reforma da Previdência pela Câmara. O BC tem condicionado a redução dos juros ao andamento das reformas.

Continua após a publicidade

Mauricio Oreng, superintendente de Pesquisa Macroeconômica do Santander Brasil, afirma que o BC deixou claro que encerrou o ciclo de corte de juros e que a dúvida agora é quando voltará a subir a taxa.

— Vai depender principalmente da resposta da atividade econômica. Nosso cenário é que vai começar no segundo trimestre do ano que vem e encerra em 6% ao ano — aponta.

Continua após a publicidade

Ele diz que os números mais recentes indicaram dinamismo menor da economia brasileira e que isso pode contribuir para que o BC adie o início do processo de retirada dos estímulos de política monetária.

Priscila Deliberalli, economista do Banco Safra, afirma que a sinalização do BC surpreendeu a instituição.

Continua após a publicidade

— Pensávamos que o BC deixaria a porta aberta para fazer em março um ajuste final, mas estão dando um peso maior para a inflação de 2021 — diz a economista do Banco Safra.

— Precisamos de juros baixos. A economia está há três anos tentando se recuperar, precisamos ganhar tração.

Continua após a publicidade

O economista-chefe da XP Investimentos, Marcos Ross, afirma que os juros devem ficar inalterados até o primeiro trimestre de 2021, mas que não se pode descartar uma retomada do ciclo de cortes se houver piora significativa do cenário externo, algo com que a instituição não trabalha neste momento. Afirma ainda que foi positivo o Copom sinalizar claramente seus próximos passos.

— Os cenários do BC mostram inflação confortável em 2020, mas em 2021 já está bem próxima à meta — diz.

Continua após a publicidade

Carlos Thadeu de Freitas Gomes Filho, economista-chefe da Ativa Investimentos, afirma que o BC pode voltar a cortar juros neste ano.

— Na ausência de choques externos e com mais decepções nos indicadores de atividade econômica, o Copom deve promover mais dois cortes, começando em junho, e a Selic chegaria a 3,5% ao ano, zerando a taxa de juros real para ver se a economia pega no tranco.

Continua após a publicidade

Flávio Riberi, professor da Faculdade Fipecafi, afirma que parte do efeito do corte de juros ainda irá aparecer na economia, o que justifica a pausa no ciclo de cortes, e que uma alta maior da inflação em relação ao previsto pode levar o juro real no Brasil para próximo de zero.

— Os efeitos ainda vão começar a aparecer de uma forma mais presente na economia.

Continua após a publicidade

Apesar de a taxa estar na sua mínima histórica, o ICC (Indicador de Custo do Crédito) do BC mostra que a redução ainda não chegou totalmente a consumidores e empresas. Enquanto a Selic caiu 2,25 pontos percentuais desde julho, a taxa média de juros das operações contratadas em dezembro atingiu 23,4% ao ano, diminuição de 0,2 ponto no ano.

Nas operações com pessoas físicas, a taxa média estava em 47,3% ao ano. No crédito às empresas, atingiu 16,5% ao ano.

Continua após a publicidade

A Selic chegou a 7,25% em 2012, no governo Dilma Rousseff, mas voltou a subir durante a gestão da petista. No governo Michel Temer, os juros atingiram a mínima de 6,50% ano.

* Por Eduardo Cucolo e Júlia Moura