Coral reúne idosos há 20 anos em Blumenau e transforma música em laços de afeto

Com 120 integrantes divididos em três turmas, coral da Pró-Família chega a ter lista de espera em Blumenau.

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Aulas ocorrem semanalmente com duração de uma hora e meia (Foto: Patrick Rodrigues, NSC)

Com as pastas em mãos, eles vão chegando aos poucos e ocupando as cadeiras na sala. Até que, de repente, não há mais lugares disponíveis. É uma manhã de quarta-feira, mas todos da turma estão presentes. O compromisso? Mais uma aula do coral dos idosos da Pró-Família, em Blumenau. Quem está ali já passou dos 60 anos e alguns, inclusive, têm esse encontro na agenda há duas décadas, quando o projeto começou.

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Nas pastinhas, as partituras das canções que serão ensinadas pela professora Débora Roedel. Ela, aliás, foi a primeira maestrina do coral dos idosos da Pró-Família, lá em 2006. Na época, saía de Apiúna, onde morava, para vir dar as aulas em Blumenau. O trabalho que fazia com corais na cidade natal chamou a atenção e rendeu um convite para expandir os horizontes. Com o tempo, se tornou mais do que uma profissão:

“É como eu falo, eu me realizo. Acho que é unir o útil ao agradável, porque todo trabalho é louvável, a gente precisa dele, mas quando você encontra no seu trabalho a sua realização, tudo vale a pena”, afirma.

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O carinho com que Débora, de 44 anos, conta sobre as aulas para os idosos é o mesmo que eles têm por ela. Dona Cândida Vedeis, de 91 anos, foi uma das primeiras alunas do coral da Pró-Família e afirma orgulhosa que, em 2026, não perdeu nenhum encontro do grupo. Ela recorda até quando a professora Débora sofreu um acidente de carro e precisaram chamar uma substituta. Era querida, mas a turma comemorou quando a oficial voltou.

É bem verdade que o trabalho tem técnica. Começa com aquecimento vocal, alongamentos. A aula dura uma hora e meia. Mas o objetivo não é formar ali nenhum fenômeno da música.

“O coral contribui na vida dos alunos. Ajuda eles na autoestima, consegue desenvolver o espírito de equipe, a socialização. Muitos começaram tímidos, depois foram se soltando, porque o coral também trabalha a questão da desenvoltura”, explica a professora. Dona Cândida sabe bem disso. Apaixonada por música desde a juventude, ela confessa sorrindo: “No começo era difícil, mas agora melhorei bem”.

O repertório é eclético. Cada um dá uma sugestão e, aos poucos, vão definindo as canções. A preferida, revela Débora, é Tema de Lara, gravada por Carlos Santorelli. A letra fala sobre música e amor. Dois bons conhecidos de quem frequenta as aulas. A prova disso está nos pequenos gestos, como os chocolates para a turma deixados em cima da mesa da professora e a alface tirada especialmente do quintal de casa para Débora.

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O carinho se explica pelo tanto que muitos ali já viveram juntos. Chegaram até a viajar para Aparecida do Norte para se apresentar. Hoje, cantam na Catedral São Paulo Apóstolo, Feira da Amizade, no Natal em Blumenau e, claro, nos eventos da Pró-Família, como o marcado para esta sexta-feira (14), data em que o coral celebra 20 anos de criação. Dona Cândida já tem a lista de convidados: “meu filho e minha nora vêm de Navegantes”.

“O coral começou com 60 integrantes, já foi um número bem expressivo logo de início, era uma atividade que eles ainda não tinham antes na Pró-Família, e tenho alunos que estão comigo desde aquela época. Foi crescendo e hoje a gente conta com 120 integrantes, divididos em três turmas. Às vezes, tem até lista de espera”, conta Débora, formada pela Furb em Artes, com habilitação em Música.

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“É técnica, é treino. Mas você vê o quanto isso contribui para eles enquanto cidadãos, socialmente, emocionalmente. É bem especial, bem significativo”, destaca a professora que está com a data do casamento marcada e terá o coral cantando na celebração.