Trabalhos sólidos em São Paulo, com carreiras que pareciam estar no auge. Mas ainda faltava algo para a catarinense Patricia Pamplona, de 34 anos, e seu marido, o sul-mato-grossense Wesley Faraó Klimpel, de 37 anos, ambos jornalistas. Ao sentir essa falta, certo dia Faraó olhou nos olhos de Patricia e fez uma proposta: “vamos dar uma volta ao mundo?”.
Apesar de a proposta, considerada “maluca” por Patricia em um primeiro momento, ter sido feita em 2015, o casal só iniciou a aventura em novembro de 2022. Para Pati, viajar sempre fez parte da vida, porque seus pais gostavam muito e compartilhavam isso com ela e o irmão. Faraó, da mesma maneira, se intitulava até como “um pouco nômade”, já que ele se mudou para Florianópolis para estudar e, com isso, precisava fazer viagens longas de ônibus para visitar a família.
A história de amor de Pati e Faraó começa ainda em 2011, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os dois cursavam jornalismo, mas Faraó logo se formou e foi para São Paulo, onde conseguiu uma oportunidade de emprego. Quase três anos depois, Pati, que é natural de Florianópolis, seguiu o mesmo caminho, “querendo mudar o mundo”.
Como uma pulga atrás da orelha, entretanto, a vontade de viajar e conhecer outros lugares ainda deixava o casal inquieto. Isso porque, durante a faculdade, os dois tiveram a oportunidade de realizar intercâmbios, com Pati indo para França por um ano e Faraó, para a Espanha. Foi assim que ele fez seu primeiro mochilão, começando pela Europa.
— Nos estávamos com essa ideia de viajar, de gostar mesmo, e viajar assim com mochilão nas costas, colocar todas as coisas ali, ser mais econômico. Se tiver conforto é uma maravilha, mas se puder viajar por mais tempo com menos dinheiro, a gente acaba fazendo essa matemática — disse Faraó.
Durante o intercâmbio de Pati, Faraó surgiu de surpresa na França com passagens para a Rússia. A jornalista afirma que, à época, também viu aquilo como uma loucura, mas “é claro que eu disse sim, vamos”.
Decisão tomada
A proposta de Faraó para Pati, em 2015, sobre a volta ao mundo, ainda foi vista com um pouco de relutância, já que ela queria ganhar mais experiência na profissão. O tempo foi passando, passando e passando, até que Pati resolveu que havia chegado a hora de visitar outros ares.
Primeiro, os dois pediram demissão. Depois, havia chegado a hora de contar para a família, o que, inicialmente, parecia que ia ser um pouco difícil.
— Foi um choque, mas meus pais ficaram felizes porque é um projeto muito legal, eles também gostam de viajar. Eles ficaram preocupados, também, em relação aos países que nós iríamos viajar, como Afeganistão, Irã, ou qualquer país em guerra. Tentamos tranquilizar eles — afirmou Pati.
Decisão tomada e compartilhada com a família e amigos, eles estabeleceram o projeto ambicioso de tentar visitar o maior número possível de países. Chegou a hora, então, de definir a logística para a viagem, focando nos custos de transporte, na gestão financeira e na avaliação constante dos riscos de segurança e geopolítica.
Por isso, tomaram a decisão de viajar ao máximo por terra, usando qualquer meio disponível, como ônibus, moto, carro compartilhado, van… Para eles, é quase regra: quanto menos avião ou barcos, melhor.
Três temporadas
Para conseguirem aproveitar o máximo possível, mas ao mesmo tempo não ficar longe por tanto tempo das famílias, Faraó e Pati decidiram dividir a viagem em três temporadas, por continentes.
— Para mim era muito importante dividir em temporadas no sentido de ter a volta para o Brasil para ver a família. No fim, é muito bom para conseguirmos dar uma baixada no ritmo de viagem também — afirmou Pati.
Começaram, então, pela África, onde se transportaram praticamente de forma integral por via terrestre. Pati conta que o turismo pouco desenvolvido no interior dos países africanos significava que as opções eram caras, exigindo tours privados, ou o transporte local e, por isso, preferiram usar carros e vans compartilhadas.
Passaram pela Namíbia, África do Sul, Moçambique, e mais 33 países. A lista é longa, veja todos os países do continente africano que o casal visitou:
- Tunísia;
- Argélia;
- Marrocos;
- Saara Ocidental;
- Mauritânia;
- Senegal;
- Gâmbia;
- Guiné-Bissau;
- Guiné;
- Serra Leoa;
- Libéria;
- Costa do Marfim;
- Gana;
- Togo;
- Benim;
- Gabão;
- Camarões;
- Congo;
- RD Congo;
- Angola;
- Namíbia;
- Botsuana;
- África do Sul;
- Essuatíni;
- Moçambique;
- Zimbábue;
- Zâmbia;
- Maláui;
- Tanzânia;
- Burundi;
- Ruanda;
- Uganda;
- Quênia;
- Madagascar;
- Etiópia;
- Egito.
Veja as fotos
Segunda temporada
Na segunda temporada, o casal resolveu visitar a Ásia, em abril de 2024, começando por Moscou, na Rússia. Nessa parte da viagem, foi necessário usar mais aviões para saltar entre as muitas ilhas no Sudeste Asiático.
Entretanto, um padrão sempre se repete nas viagens: tudo é decidido com muito cuidado.
— O que a gente acaba levando em conta é a nossa segurança e o dinheiro, então se tá em risco de atentado, grupos terroristas, tudo mais, a gente evita ao máximo e, também, se é muito caro ou não viajar para uma ilha, viajar para algum país — disse Faraó.
O orçamento ideal para as viagens era gastar 75 dólares por casal por dia. Entretanto, eles nem sempre conseguiram manter essa meta, já que o custo aumenta significativamente com o deslocamento por avião e a países caros como Austrália, Nova Zelândia e Japão, por exemplo, conforme o casal conta.
Veja abaixo os países visitados na Ásia e Oceania
- Jordânia;
- Arábia Saudita;
- Emirados Árabes;
- Omã;
- Catar;
- Bahrein;
- Kuwait;
- Rússia;
- Mongólia;
- China;
- Coreia do Sul;
- Japão;
- Timor-Leste;
- Indonésia;
- Brunei;
- Singapura;
- Malásia;
- Tailândia;
- Laos;
- Camboja;
- Vietnã;
- Taiwan;
- Filipinas;
- Myanmar;
- Bangladesh;
- Nepal;
- Sri Lanka;
- Maldivas;
- Índia;
- Paquistão;
- Afeganistão;
- Tajiquistão;
- Uzbequistão;
- Quirguistão;
- Cazaquistão;
- Azerbaijão;
- Geórgia;
- Armênia;
- Turquia;
- Nova Zelândia;
- Austrália.
As rotas também foram planejadas para as estações do ano. Na África, eles começaram no Norte durante o inverno, e depois foram ao Sul do continente no inverno. Já na Ásia, ajustaram a rota para não pegar uma época com tantas chuvas no Sudeste Asiático.
A comunicação não foi um problema em quase nenhum momento, conforme explicou Pati, já que ela fala francês, inglês e espanhol, enquanto Faraó também já estudou idiomas diferentes, como árabe.
Aventura compartilhada em livros
Pati e Faraó sempre compartilharam as aventuras em um blog, denominado Sem Chaves. Em certo momento, eles decidiram que a internet não poderia ser o limite. Então, resolveram escrever livros.
O primeiro livro publicado sobre a experiência da viagem foi Aventuras Sem Chaves — parte um, com foco na África e no Oriente Médio. Já o segundo livro está em pré-venda em outubro, intitulado Aventuras Sem Chaves — parte dois. Dividida em 34 capítulos, a obra de mais de 400 páginas traz informações sobre os país, relatos e dicas de vistos e de passeios, assim como crônicas e fotos.
Mais dois livros ainda devem ser lançados, com viagens para a Europa e para a América do Sul. Afinal:
— Sonhar não custa nada — reflete Faraó, como conselho final.
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