Denúncia de trabalho precário em Joinville é investigada pelo MPT: “Transporte totalmente irregular”

Denúncias apontam que trabalhadores eram transportados em um caminhão baú e se alimentavam em um canil

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(Foto: Sinsej/Divulgação)

O Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT-SC) iniciou as investigações sobre o caso de trabalho precário em obras do Centro de Bem-Estar Animal (CBEA), no bairro Vila Nova, denunciado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville (Sinsej) na última terça-feira (28). 

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Conforme o MPT, a partir das imagens registradas pelo sindicato, “é possível extrair, em tese, condições precárias decorrentes da falta de local próprio e adequado para alimentação, o uso de local insalubre para tanto e o transporte totalmente irregular de trabalhadores”.  

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No entanto, conforme o órgão, apenas após o avanço das investigações será possível afirmar se a situação se configura como trabalho em condições análogas à de escravo. 

Denúncia de trabalho precário faz Joinville paralisar obras: “Sentavam no canil para almoçar”

Além disso, o MPT ressalta que não pode divulgar outros avanços das investigações para não prejudicar os trabalhos. 

Após as denúncias, a prefeitura de Joinville paralisou as obras no CBEA, realizadas pela empresa Construtora Azulmax Ltda. Entre as denúncias, estariam o deslocamento dos trabalhadores, feito por um caminhão baú, falta de equipamentos de segurança e locais inadequados para se alimentar, incluindo o canil e improvisações com lonas, próximas de caçambas de lixo. Alguns funcionários ainda precisariam sentar no chão ou em latas de tintas. 

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Um servidor municipal que trabalha no CBEA, que preferiu não se identificar, conversou com a reportagem do AN. De acordo com ele, há diversos migrantes e imigrantes trabalhando nas obras, incluindo venezuelanos. Além disso, ele reforça as denúncias do Sinsej. 

— Não tem um lugar para eles almoçarem, nem em dias de chuva. Só jogaram eles aqui. É uma desordem. Um desrespeito com o trabalhador, uma tristeza — fala. 

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Conforme a prefeitura, o andamento da obra é acompanhado pela Comissão de Acompanhamento e Fiscalização, as questões relacionadas às condições de trabalho dos profissionais também são verificadas.

Empresa pediu para estender prazo e obras já duram dois anos

A prefeitura explica que a obra de ampliação da sede do Centro de Bem Estar Animal de Joinville foi contratada em 6 de março de 2020, com homologação em 1º de dezembro e assinatura de contrato no dia 20 do mesmo mês. 

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A empresa vencedora do edital foi a Celso Kudla Empreiteiro. Em setembro de 2021, porém, ela solicitou a mudança da razão social para Construtora Azulmax Ltda, que se mantém responsável pela execução da obra.

O objeto do contrato, segundo a prefeitura, é realizar a construção de edificações de alvenaria e pavimentação de passeio a arrumamento do CBEA, possibilitando a melhoria da estrutura física existente e aumento da capacidade de atendimento.

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A obra teve início efetivamente após a emissão da ordem de serviço, que foi realizada em 19 de fevereiro de 2021. Por solicitação da empresa vencedora da licitação, o prazo de entrega das reformas foi estendido até 11 de dezembro deste ano.

Presidente do Sinsej relata ameaça de morte

A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville (Sinsej), Jane Becker, foi à polícia na manhã desta quinta-feira (2) registrar um boletim de ocorrência após receber uma ameaça de morte.

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Segundo relatou aos policiais, ela estava com o carro estacionado nas proximidades de casa quando um motoqueiro teria parado ao lado e dito: “Você quer morrer? Para de se meter onde não deve”.

Empresa se manifesta

Após várias tentativas de contato, a Construtora Azulmax se manifestou sobre o caso em nota enviada à imprensa nesta quinta-feira (2) à noite. Confira:

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Prezados, nossa empresa possui mais de 10 anos de prestação de serviços, sempre honrando com seus trabalhadores, compromissos assumidos e contratos de trabalho. Os salários são pagos em dia, a empresa fornece regularmente as EPIs, locais de trabalho e vale-transporte, bem como horário semanal regular. Considerando as informações noticiadas na mídia, nossa empresa iniciou uma auditoria para verificar qualquer irregularidade de ordem legal, juntamente com a equipe do SEESMT e Segurança do Trabalho. Caso comprovada alguma irregularidade, essas serão imediatamente corrigidas.

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