Dia da Mulher: conheça a história de quatro mulheres que se destacam na construção civil de SC

Elas ocupam importantes espaços entre o canteiro de obras e a produção de relevantes projetos autorais e mostram o crescimento da presença feminina neste mercado

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Rafaela, Angeita, Luise, Milene conquistaram espaço e são referências no meio em que atuam (Foto: Fabrícia Pinho, divulgação)

Transformar tijolos, cimento, ferros, madeiras, barro e incontáveis outros materiais brutos em obras que se tornam lares, ou o negócio da vida de alguém, por muito tempo foi uma atividade predominantemente masculina. Mas, com 109.006 trabalhadoras registradas em 2007 e 239.242 em 2018, de acordo com o IBGE, a presença de mulheres na construção civil cresceu 120% nestes 12 anos no Brasil, onde ocupam importantes espaços entre o canteiro de obras e a produção de relevantes projetos autorais.

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Angelita, Rafaela, Milene e Luise são quatro mulheres que literalmente construíram suas trajetórias profissionais sob alicerces familiares. Mas, com muita dedicação, profissionalismo e personalidade, elas conquistaram seus espaços e estabeleceram bases sólidas num mercado ainda visto como território masculino: a construção civil. Todas conheceram a paixão e vocação para o setor ainda muito novas e, mesmo tendo que driblar uma ou outra dificuldade, hoje atuam com autoridade no assunto e se destacam na Grande Florianópolis, isso sem nunca deixarem de lado seus projetos pessoais.

O quarteto formado por engenheiras e arquitetas confirma as estatísticas e todas convivem, desde sempre, num universo masculino. Seja circulando ainda criança no ambiente profissional familiar de mãos dadas com os pais; seja durante todo o processo de formação acadêmica; seja hoje em dia, atuando da fundação até os detalhes finais de cada empreendimento, elas foram conquistando voz e ganhando espaço. Somadas, estiveram presentes em mais de 60 projetos, entre obras entregues e em fase de construção, e comprovam que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive com as mãos na massa.

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— Meu pai, um ser iluminado, com uma história de vida desafiadora, de uma visão única e inovadora, me deu a oportunidade, há 37 anos, de ingressar num mundo que era, na época, muito masculino. Sou muito grata por isso, ele foi minha melhor escola — conta Angelita Emília Koerich, que acompanha o pai desde antes mesmo do surgimento da construtora da família, há 30 anos. Ela fez faculdade de Arquitetura e Urbanismo aos 33 anos, quando já era mãe de Bernardd — que a acompanhava em sua rotina profissional desde bebê.

— Agora já conto com uma equipe alinhada, filho adulto que é formado em engenharia e trabalha conosco na empresa, e tudo fica mais leve. Claro que com a maturidade profissional, a responsabilidade de tarefas frente à empresa aumenta, mas a ajuda dos colaboradores é gradativa — explica ela que ainda fez MBA em Gestão de Obras e consegue dividir seu período de lazer em três miniférias por ano, uma estratégia para descansar e reciclar as ideias sem deixar lacunas de ausência na empresa.

Super atuante também nas funções de esposa, filha, irmã, mãe e avó, quando perguntada sobre a relação da mulher com a construção civil, Angelita deixa clara sua impressão positiva de que o mercado está absorvendo por capacitação, o que contribuiu nesta realidade do aumento do número de mulheres na área e, inspiradora, ressalta a importância da capacitação:

— Hoje há cursos técnicos oferecidos à profissionais de todos os setores da construção civil seja como auxiliar de escritório, almoxarifado, e demais ocupações administrativas, ou no preparatório para coordenadores, chefes de equipe e trabalhadores de campo nas suas variadas funções, o que é uma grande oportunidade para as mulheres conquistarem com competência seu espaço neste mercado.

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Competência e toque feminino determinam o caminho

Rafaela Karen Espíndola da Silva, engenheira civil desde 2011, que também atua na construtora da família, conta como conquistou o respeito e o espaço na empresa familiar, que nasceu com DNA dos seus avós que eram: um empresário do ramo dos materiais de construção, e o outro carpinteiro.

— Na empresa temos cerca de 100 funcionários diretos, sempre tive muito respeito por eles, e sempre tive um retorno muito bom. Tenho colaboradores que estão com meu pai há mais de 30 anos, e acho que por sermos uma empresa familiar, eu consigo ter um contato muito próximo, chamo todos pelo nome, penso que isso gera respeito e um vínculo diferente.

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Rafaela atua principalmente nas definições de materiais e acabamentos que serão utilizados, e análise das plantas arquitetônicas pensando sempre na otimização de espaços e bem estar dos clientes, aliás, esse toque de carinho feminino também tem inspirado projetos de revitalização de áreas públicas pela construtora.

Mãe de duas filhas pequenas, Catarina de 3, e Isabela de 5 anos, ela tem em casa o importante apoio tanto do marido, quanto de uma auxiliar do lar, e tenta estar o máximo do tempo possível no ambiente familiar, embora, segundo ela; "em épocas como, por exemplo, entregas de obras e lançamentos, preciso me dedicar ainda mais à empresa, então eles (família) já entendem que preciso estar um pouco mais ausente".

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Embora na sua sala da faculdade havia mais homens que mulheres, no seu departamento na empresa atuam duas mulheres e um homem, o que traz pra sua realidade este posicionamento feminino na construção civil. Com um histórico de sete obras, entre já entregues e em construção, Rafaela tem nas suas figuras materna e paterna sua maior inspiração e, atualmente, usa da maternidade para se inspirar em carinhosas adequações estruturais.

— Depois que me tornei mãe, vi a necessidade de criar espaços como fraldários nos condomínios, e dar mais atenção às áreas KIDS, onde costumo levar minhas filhas pra fazer test drive — conta ela, que completa dizendo:

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—Fico muito feliz em ver aumentar o número de mulheres na engenharia civil, e tenho muito orgulho da minha profissão.

A família como base firme

— As mulheres conseguem sempre um jeitinho de conciliar o trabalho com a casa e a família, e eu faço questão de passar o maior tempo possível com meus filhos e meu marido, quem me conhece sabe o valor que isso tem pra mim — defende Milene Hillesheim da Silva, engenheira civil e decoradora, que há 20 anos, praticamente metade da sua vida, dedica-se à empresa da família.

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Mãe dos gêmeos de 14 anos, Ronald e Maryah — o que considera seu melhor projeto — Milene visitava as obras junto com o pai quando era pequena e todo aquele curioso universo foi tornando-se cada vez mais interessante. Atualmente ela chega a trabalhar com uma variável de até 50 funcionários dependendo do estágio da obra, e diz:

— A relação com os homens, ainda predominantes no setor, sempre foi muito tranquila.

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Segundo ela, o respeito mútuo é a base de tudo, seja na diferença de sexo, ou idade, já que quando começou na empresa existiam funcionários que a conheciam desde criança, o que pode tornar mais difíceis algumas mudança de hábitos. No entanto, ela afirma confiante:

— Com o tempo vamos conquistando nosso espaço e fica tudo entendido.

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Sua rotina agitada inclui visitas diárias às obras onde desenvolve projetos decorativos ficando responsável pela escolha de acabamentos, que vão desde luminárias, rodapés e maçanetas, passando por uma infinidade de detalhes, até mesmo todas as cores do empreendimento. Mesmo com o dia a dia desgastante, ela se orgulha de conseguir arrumar tempo para ler — foram 71 livros em 2019 —, ir ao cinema, cavalgar e nadar com os filhos.

Envolvida atualmente em duas obras a serem entregues em 2020, sobre como o mercado da construção civil enxerga esta mescla das suas faces de profissional, mãe e mulher, ela diz:

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— Preconceito sempre houve, mas acho que está menor, pois há duas décadas as mulheres eram cerca de 10% cursando engenharia, e hoje temos proporções maiores que 30% de acadêmicas nas salas de aula — e completa com um exemplo prático:

— Na nossa empresa somos quatro engenheiras mulheres e nenhum homem, ou seja, quem tem competência alcança uma posição independente de ser homem ou mulher.

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Espaço para desbravar

— É preciso aproveitar os pontos fortes e habilidades, independente do sexo, para os diferentes papeis dentro da empresa, e assim buscar sempre produzir de forma assertiva e eficiente — é o que defende Luise Deschamps, que começou na empresa da família, há 11 anos, como estagiária e hoje assina como gerente de produtos, sendo uma das representes da terceira geração da família na construtora.

Formada em Arquitetura e Urbanismo, com MBA em Gestão de Negócios imobiliários e da construção civil, e em Marketing, além de coordenar o Setor de Arquitetura e Projetos, Luise faz contato com projetistas externos, aplica treinamento técnico com equipes de vendas, e coordena o setor de marketing. Com três empreendimentos entregues só em 2019, mais três previstos para este ano, Luise chega a trabalhar com cinco a seis projetos simultaneamente onde sua presença é exigida com frequência. Mas, apesar da sua ampla atuação, a experiência de conviver com até 160 colaboradores diretamente, a maioria homens, a faz considerar a participação feminina no mercado da construção civil um assunto merecedor de mais atenção.

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— Acredito que como mulheres na construção civil, ainda temos muito que conquistar. O toque feminino na gestão, especificamente, tem visivelmente agregado em qualidade às empresas do setor e, apesar de ser um ramo bastante masculino, temos mais respeito e espaço que anos atrás — reflete ela.