E-bikes estão tendo seu momento merecido

Se você está pensando em comprar uma e-bike, há pontos a considerar. Além de a bateria e o motor fazerem volume, seu visual ostensivo pode atrair ladrões

Compartilhe:

(Foto: Jim Wilson / The New York Times)

*Por Brian X. Chen

Continua após a publicidade

Muitos de nós estamos entrando em uma nova fase de luto pandêmico: a adaptação. Estamos nos perguntando: como viver com essa nova realidade?

Para muitos americanos, parte da solução foi comprar uma bicicleta elétrica. A magrela movida a bateria se tornou uma alternativa atraente para aqueles que preferem não usar transporte público e Uber. Para outros, ela é garantia de ar fresco após meses de confinamento.

Continua após a publicidade

Portanto, não é surpresa que as e-bikes sejam agora difíceis de comprar, tanto quanto um frasco de álcool em gel há algumas semanas. Em março, as vendas de e-bikes saltaram 85 por cento em relação ao ano anterior, de acordo com a empresa de pesquisa NPD Group. Amazon, Walmart e Specialized estão com a maioria de seus modelos esgotados. Mesmo marcas menores como Ride1Up e VanMoof têm listas de espera.

É uma mudança notável. Durante muitos anos, as e-bikes carregaram o estigma de ser veículos para ciclistas preguiçosos e idosos. Elas usam energia de uma bateria e motor para facilitar significativamente o pedalar. Você também pode acelerar simplesmente apertando um botão, transformando o ciclismo de um exercício extenuante em um passeio tranquilo.

“Eu estava convencido de que as e-bikes mudariam completamente as cidades em todo o mundo nos próximos dez anos, mas parece que, por causa dessa crise, de repente tudo está acontecendo em três ou quatro meses”, disse Taco Carlier, executivo-chefe da VanMoof, com sede em Amsterdã.

Se você está pensando em comprar uma e-bike, há pontos a considerar. Além de a bateria e o motor fazerem volume, seu visual ostensivo pode atrair ladrões.

Continua após a publicidade

Para descobrir se o investimento vale a pena, testei duas e-bikes nas ruas e colinas íngremes de San Francisco. Ambas podem ser encomendadas on-line: a S3 de US$ 1.998 da VanMoof, uma bicicleta inteligente conectada à internet, e a 700 Series da Ride1Up, de US$ 1.495, que é mais como uma bicicleta normal com bateria e motor.

Depois dos testes, fui conquistado. Concluí que as e-bikes são para pessoas que querem se locomover rapidamente com o mínimo de esforço – e essa parcela da população é grande. Aqui está o que você precisa saber.

Continua após a publicidade

Comparando as e-bikes

As e-bikes podem ter muitas formas e várias características. Elas também variam amplamente em preço: há as que custam algumas centenas de dólares, enquanto outras podem chegar a dezenas de milhares de dólares. Em geral, porém, elas se encaixam em dois campos:

– E-bikes com assistência de pedal. Estas usam um sistema motorizado e sensores para detectar com que rapidez ou dificuldade você está pedalando e determinar quanta energia fornecer. Então, se você está sofrendo em uma subida, o motor usará mais energia para ajudá-lo. As marcas mais conhecidas incluem Trek, Specialized e Fuji.

Continua após a publicidade

– E-bikes com acelerador. Funcionam como o acelerador de torção das motocicletas. Para acelerar, pressione um gatilho ou torça o guidão. Muitas e-bikes modernas com acelerador também têm assistente de pedal. As marcas incluem Rad Power, Luna Cycle e Aventon.

A S3 da VanMoof, que foi lançada no fim de abril, é uma e-bike com assistente de pedal. Em vez do acelerador, ela tem um botão Turbo Boost no guidão direito, que eleva sua potência imediatamente. Sua velocidade máxima é de cerca de 32 km/h e pode ser usada por cerca de 145 quilômetros com uma carga completa.

Continua após a publicidade

As e-bikes da VanMoof são conhecidas por sua segurança antirroubo. Um botão no freio traseiro ativa um bloqueio eletrônico, o que imobiliza a roda traseira. Tentar pegar a bicicleta bloqueada dispara um alarme alto. Além disso, ela vem com uma conexão celular para ajudá-lo a encontrá-la se for roubada, usando o aplicativo para smartphone da VanMoof.

A 700 Series da Ride1Up tem assistente de pedal e aceleração. No guidão esquerdo há uma pequena tela com botões para permitir que você selecione o nível de auxílio do pedal; no direito, há um câmbio. Com um motor maior e mais rápido que o da VanMoof, a Ride1Up tem uma velocidade máxima de 45 km/h e pode viajar cerca de 80 quilômetros com uma carga completa.

Continua após a publicidade

Teste, teste

Durante duas semanas, alternei entre a VanMoof e a Ride1Up. Descobri que, de fato, a qualidade está ligada ao preço: US$ 1.500 podem comprar uma e-bike simpática, mas que leva tempo para você se acostumar, como a Ride1Up, e US$ 500 a mais lhe garantem uma VanMoof, mais inteligente e extremamente simples de usar.

O sistema do motor da VanMoof fez as pedaladas parecerem mais naturais e suaves, como andar de bicicleta normal, mas com certo vigor. O motor também é muito silencioso, e houve momentos em que me esqueci de que estava andando de e-bike. Em áreas onde pedalar era mais desafiador, como as subidas, apertar o botão Turbo Boost garantiu força extra.

Continua após a publicidade

A Ride1Up é menos intuitiva. O painel de controle no guidão permite que você escolha entre nove níveis do assistente de pedal. O nível 3 parecia suficiente para me levar pelas ruas, mas o nível 5 pareceu melhor para subidas. Às vezes, ao tentar sair pedalando, eu me esqueci de baixar o pedal do nível 5, o que fez com que a bicicleta desse um solavanco para a frente. Isso foi meio assustador.

A Ride1Up oferece um tutorial do YouTube sobre configurações avançadas para as pessoas ajustarem a potência de cada nível de assistência. Acabei reduzindo a potência para os níveis 4 e 5, o que suavizou as pedaladas.

Continua após a publicidade

Quanto ao acelerador do Ride1Up, que é um gatilho no guidão esquerdo, foi bom ter a opção de acelerar sem pedalar quando eu estava ficando exausto. Mas parecia trapaça.

As desvantagens

Testar as duas e-bikes evidenciou algumas considerações.

Continua após a publicidade

– As e-bikes são pesadas. A VanMoof pesa cerca de 18 kg e o Ride1Up cerca de 25 quilos – mais que o dobro da bicicleta média, que pesa cerca de 9 kg. Você provavelmente não vai querer uma e-bike se tiver de carregá-la regularmente escada acima.

– A manutenção pode ser complicada. A VanMoof e a Ride1Up disseram que suas bicicletas foram projetadas para ser consertadas pelo usuário, e qualquer mecânico de bicicleta local também deve ser capaz de reparar peças menores, como pastilhas de freio.

Continua após a publicidade

Mas, em geral, você pode precisar buscar ajuda do fabricante se algo der errado com componentes eletrônicos proprietários. É uma opção mais segura comprar sua e-bike de uma loja local que possa consertá-la.

– Elas podem atrair assaltantes. Estacionar a VanMoof me deixou ansioso. Sempre que eu a trancava, chamava muita atenção dos transeuntes – ela parece um produto tecnológico elegantemente projetado.

Continua após a publicidade

Um porta-voz da VanMoof disse que cerca de 20 de suas bicicletas são roubadas todos os meses em todo o mundo, e que 70 por cento delas são encontradas em duas semanas. Portanto, certifique-se de ter um seguro que cubra o roubo de e-bikes. (A VanMoof oferece seu próprio seguro de três anos por US$ 340.)

– As baterias são caras. Como os smartphones, as e-bikes usam baterias que a certa altura precisam ser substituídas. Com o uso regular, a bateria da VanMoof e a da Ride1Up podem se esgotar entre três e cinco anos. As substituições custam cerca de US$ 350.

Continua após a publicidade

Mas os prós superam os contras

Apesar de algumas dúvidas, minha experiência com as e-bikes me fez perceber que os benefícios são muito maiores que as desvantagens.

E o mais importante: as e-bikes me afastaram do meu carro. Sempre que eu precisava sair – como ir ao supermercado ou deixar algo na casa de um amigo –, preferia ir de e-bike.

Continua após a publicidade

The New York Times Licensing Group – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.