Ela se mudou dos EUA para Blumenau por amor e transformou tentativa de fazer amizades em grupo com 500 mulheres

Katherine Phaneuf chegou à cidade há dois anos e transformou a própria dificuldade com o português em uma ideia que hoje reúne mulheres na cidade

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Natural de Rhode Island, nos Estados Unidos, Katherine se mudou para Blumenau pelo namorado. (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Por quase dois anos, Katherine Phaneuf viveu em Blumenau tentando encontrar uma resposta para uma dificuldade comum da vida adulta: como fazer amigos em uma cidade nova? Para ela, era ainda mais difícil do que parece, já que trabalhava de casa, recém aprendia português e havia deixado nos Estados Unidos a família, os amigos e uma carreira que começava a se consolidar.

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A resposta apareceu em forma de epifania durante uma caminhada com o cachorro do namorado, que, neste domingo (16), a pediu em casamento em meio a um picnic em Urubici. Katherine pegou o celular e decidiu gravar um vídeo para convidar as mulheres blumenauenses a participar de um clube do livro em inglês. Dessa forma, as participantes poderiam praticar o idioma estrangeiro e ela teria a oportunidade de fazer amizades.

A expectativa, porém, era de que cinco ou 10 interessadas surgissem.

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O vídeo passou de 160 mil visualizações no Instagram e de 50 mil no TikTok. Um grupo criado depois da publicação chegou a mais de 500 mulheres e a iniciativa cresceu para encontros presenciais com livros, cerâmica, bordado, yoga e outras atividades manuais e artísticas.

Confira algumas das experiências da Katherine

Uma mudança decidida em poucas semanas

Natural de Rhode Island, nos Estados Unidos, Katherine se mudou para Blumenau por amor. Ela havia conhecido Paulo Lenz, blumenauense que também vivia em solo americano na época, apenas seis meses antes do pai dele morrer e o fazer retornar de última hora ao Brasil para cuidar dos negócios da família.

“Honestamente, ele é tudo que eu sempre procurei. É alguém com quem eu tenho uma boa compatibilidade intelectual. Eu me apaixonei pela pessoa que ele era e o jeito que ele olhava para a vida”, Katherine descreve o amor pelo brasileiro.

A mudança de país ocorreu rapidamente, como ela conta. Katherine estava montando o próprio estúdio de estética e precisou até devolver os equipamentos que havia acabado de comprar. Poucas semanas depois, seguindo o que o coração pedia, ela estava em um avião rumo ao Brasil.

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Sem falar português, passou cerca de nove horas no aeroporto de São Paulo tentando acessar o tradutor do celular. Porém, precisava de internet para isso e não conseguia entender as instruções para acessar o Wi-Fi por estarem, justamente, em português.

Quando finalmente chegou a Blumenau, outra surpresa a esperava. A cidade parecia mais europeia do que o Brasil que imaginava, principalmente pela arquitetura e pela tradição alemã. Foi apenas depois, conhecendo outras regiões, que ela contar ter começado a perceber a diversidade brasileira.

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Entre as diferenças culturais que mais chamaram a atenção estavam coisas simples do cotidiano, como a importância do almoço, os chuveiros elétricos e o frio dentro das casas, já que o sistema de aquecedores das casas americanas não são comuns no Brasil. Porém, com o tempo, conseguiu se adaptar.

“Eu sabia que as pessoas comiam a maior refeição no almoço, mas isso definitivamente foi um período de ajustamento, em que precisei regular a minha dieta inteira. Foi bem diferente”, relata a estadunidense.

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A peça que faltava do quebra-cabeça

Trabalhando de casa como designer gráfica, Katherine tinha poucas oportunidades de conhecer novas pessoas. Chegou a usar um aplicativo de relacionamentos que também oferece uma modalidade para amizades, mas, em dois anos, conheceu apenas duas mulheres por lá. Uma delas até acabou se mudando da cidade. Foi então que decidiu tentar as redes sociais.

“Definitivamente acho que me adaptei bem. A última coisa que senti que estava faltando era encontrar amigos. Sinto que, agora, estou começando a encontrar isso. Então, a minha última peça do quebra-cabeça foi colocada no lugar, ou pelo menos foi colocada em movimento. Tenho oportunidades agora que eu não tinha antes para encontrar pessoas”, expressa Katherine.

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Antes do clube do livro, ela já compartilhava experiências que eram banais para os moradores do Vale do Itajaí, mas novas para ela, como provar pinhão, queijo colonial e conhecer uma fábrica de chocolate em Pomerode. Katherine acredita que o público se identificou com o aspecto nostálgico dessas experiências que, por verem alguém provar algo tão comum para eles pela primeira vez, nos lembrávamos como era a nossa própria experiência.

Além disso, ela conta que as publicações nas redes sociais também eram uma maneira de mostrar aos amigos e familiares nos Estados Unidos como era a nova vida dela. O crescimento das visualizações, porém, foi inesperado.

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“Normalmente, eu não passaria mais de 500 visualizações em qualquer coisa que eu postasse. E, então, voltei ao meu celular uma hora depois de publicar, e já estava em dois mil. Depois, voltei de novo, e estava em cinco mil. E eu pensei: ‘Opa! Eu acho que isso vai funcionar!’ E continuou, era como jogar na loteria”, brinca a americana entre risadas.

O clube do livro veio logo em seguida. Katherine imaginava um pequeno grupo, porém, mais de 500 mulheres entraram na comunidade. Para o primeiro encontro, selecionou cerca de 16 participantes. A proposta era ler um livro em inglês por mês e, depois, se reunir para conversar sobre a obra. Enquanto as participantes teriam a oportunidade de treinar o idioma, ela conheceria pessoas novas, criaria amizades e uma comunidade. O livro escolhido foi “O massacre da família Hope”, um mistério instigante e emocionante do escritor Riley Sager.

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“Fiquei impressionada com o quão bem todas nós nos unimos e o quão divertido foi nos encontrarmos e descobrir qual livro íamos ler”, relata.

A experiência revelou que o desejo de fazer novas amizades não era exclusivo dela. A partir daí, o projeto cresceu. Ao lado da cunhada, com quem também tem parceria em uma empresa de eventos, Katherine começou a organizar o Girlie Club. Nele, acontecem encontros voltados para mulheres de Blumenau e atividades diferentes a cada edição. Cerâmica, bordado e yoga estão entre as experiências planejadas.

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“Estou feliz em tentar criar algo que ia ajudar as pessoas em todas as direções diferentes. E, honestamente, também estou muito animada para tentar vários hobbies diferentes. Adoro projetos criativos. Então, tem sido muito divertido tentar coisas novas. Um dos nossos próximos eventos vai ser de bordado, que eu sempre quis aprender, e outro será de yoga”, explica Katherine.

Dois anos depois de chegar à cidade sem falar português, ela continua aprendendo o idioma e construindo uma nova rotina. O que começou como uma simples tentativa de encontrar amigas nas redes sociais acabou criando uma comunidade com mais de 500 mulheres. Para entrar no grupo de conversa do Girlie Club, basta tocar neste link ou entrar nas redes sociais de Katherine.