Um sistema desenvolvido pela IPM, empresa de tecnologia catarinense, criou um novo modelo para acabar com as filas de madrugada no posto de saúde. A marcação de consultas passou a ser feita pelo celular, sem necessidade de comparecer presencialmente na rede pública de atendimento. O sistema foi adotado em São João do Sul, no Extremo Sul de Santa Catarina.
Em um único dia, os moradores de São João do Sul fizeram 893 agendamentos pelo Atende.Net, pouco mais de um mês após a implementação do sistema, entre 8h e 17h. A IPM foi fundada em 1996, em Rio do Sul, e possui sede administrativa em Florianópolis. A empresa realiza soluções integradas e 100% em nuvem para prefeituras e outros órgãos públicos.
O volume de agendamentos equivale a quase um agendamento para cada dez habitantes do município, que tem população estimada em 9.278 pessoas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até então, a agenda de médicos e dentistas era liberada nos primeiros dias de cada mês e a marcação só podia ser feita presencialmente, na unidade de saúde. Com o tempo, as filas passaram a se formar cada vez mais cedo.
“Precisar do serviço público de saúde e ter que enfrentar horas de fila para conseguir atendimento é muito desgastante. Com a tecnologia, evitamos que as pessoas tenham de madrugar na porta da unidade esperando para garantir seu atendimento”, afirma Richard Quadros Magnus, secretário municipal de Administração e Finanças.
Veja fotos dos 5 lugares para conhecer no Sul de SC
Agendamento online visa acabar com filas no posto de saúde
A mudança foi feita em etapas ao longo do primeiro semestre. Primeiro, a prefeitura orientou a população a baixar o aplicativo. Depois, equipes das áreas de saúde e de tecnologia da informação montaram um mutirão de cadastro, com apoio das agentes comunitárias de saúde e de vídeos explicativos nas redes sociais.
O agendamento online começou pela odontologia, entre o fim de junho e o início de julho, e foi ampliado em seguida para todas as consultas médicas e odontológicas das três unidades de saúde. O pico de 893 marcações ocorreu em 31 de julho, na abertura da agenda de agosto.
“Nós não imaginávamos que a resposta à ferramenta ia ser tão instantânea. É um caminho sem volta, independente do tamanho do município. Traz conforto para a população, previsibilidade para os profissionais que estão na ponta e, para quem faz gestão, mais segurança para estimar despesas e pensar investimentos”, aponta o secretário.
Em municípios de até 10 mil habitantes, o uso de tecnologia na gestão pública ainda é menos frequente. Segundo a TIC Governo 2025, 22% das prefeituras desse porte usaram alguma ferramenta de inteligência artificial nos 12 meses anteriores à pesquisa, contra 85% das cidades com mais de 500 mil habitantes.






