Santa Catarina segue no processo de ter seu primeiro santo nascido em território catarinense reconhecido pelo Vaticano. O processo de canonização de Marcelo Henrique Câmara, que começou em 2018 com a abertura do processo de beatificação do Servo de Deus, está em andamento em Roma, mas ainda precisa seguir alguns ritos até que ele possa ser considerado santo.
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A tramitação para a canonização começou em 2018, quando Dom Wilson Tadeu, arcebispo de Florianópolis, recebeu o pedido sobre Marcelo Câmara, para dar início ao processo. Em 2019 foi feita a consulta à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Sul 4 sobre a relevância da causa para a Igreja. O edital da causa na Arquidiocese foi publicado e recebido o Nihil obstat (nada obsta) da Santa Sé.
Em 8 de março de 2020, foi realizada a Convocação da Primeira Sessão do Tribunal Eclesiástico com a abertura do processo de beatificação do Servo de Deus. Entre 2020 e 2023 ocorreu a instrução do inquérito diocesano pelo Tribunal Eclesiástico, que inclui a oitiva de testemunhas e a coleta da prova documental, que foi aprovada no início deste ano.
Início da fase romana da canonização
Segundo o padre Vitor Feller, postulador da fase arquidiocesana, a validade jurídica, atestado que eles esperavam receber em apenas dois ou três anos, veio no início deste ano. O atestado de validade jurídica significa dizer que todo o processo feito até agora está dentro do jurídico, do canônico, da Secretaria de Estado da Santa Sé (dicastério da Cúria Romana que auxilia o Papa no exercício de suas funções).
Agora, o processo será enviado para o início da chamada Fase Romana. Nesta fase, os especialistas no Dicastério para as Causas dos Santos examinam os documentos, o Vaticano reconhece as virtudes heroicas do Servo, que recebe o título de Venerável. Ainda conforme as informações do padre Feller, Marcelo pode receber o título de Venerável em até três ou quatro anos.
Ainda nesta fase, a intercessão por um milagre é comprovada, o parecer é encaminhado ao Papa que beatifica o Venerável, o qual recebe o título de Beato.
Em seguida, a intercessão por um segundo milagre é comprovada e, então, o Papa canoniza o Beato, que recebe o título de Santo da Igreja Católica.
O padre Feller relata que, no site de Marcelo Câmara, eles recebem vários depoimentos de “graças alcançadas”. A equipe analisa todos os relatos para avaliar se há algum caso extraordinário, que possa ser qualificado como milagre para, então, o Papa canonizar o Beato, que irá receber o título de Santo da Igreja Católica.
No dia 20 de março de 2025, ao meio-dia, uma missa de jubileu, dos agentes do mundo da justiça católica, marcará os 17 anos desde o falecimento de Marcelo Henrique Câmara.
De acordo com o padre Feller, toda ajuda do público é bem-vinda, já que o processo de canonização no Vaticano tem um valor de alto custo. Qualquer doação pode ser feita no site da organização do processo de Marcelo.
— Aqui em Florianópolis fizemos todo o nosso trabalho de graça, pelo nossa vontade, mas lá em Roma eles trabalham com isso, tem que ganhar a vida com isso. Temos que pagar tudo, por exemplo, o certificado de validade jurídica, a nomeação do relator para escrever a biografia dele e, depois disso, a análise feita por teólogos, bispos e cardeais, tudo isso vai ter que ser pago. É claro que não é tudo de uma vez, sai parcelado conforme o serviço vai andando.
Quem foi Marcelo Henrique Câmara
Marcelo Henrique Câmara, nascido em Florianópolis em 1979, morreu numa quinta-feira santa, em 20 de março de 2008, aos 28 anos. Já com fama de santidade entre os que conviviam com ele, Marcelinho – como era carinhosamente chamado, foi um jovem leigo, estudante de Direito, professor e membro do Ministério Público.
Nos anos de 2003/2004, atuou como professor substituto da UFSC nos cursos de Direito e Economia. Em 2004, ainda, foi contratado pelo curso de Direito do Instituto de Ensino Superior da Grande Florianópolis (IES) e Faculdade de Santa Catarina (FASC).
Marcelo lutou contra a leucemia, câncer que se desenvolve nas células sanguíneas da medula óssea. Segundo o site de Marcelo, o diagnóstico da doença foi feito entre 2004 e 2005. Mesmo doente, continuou a trabalhar e a estudar. Marcelo foi enterrado no dia 21 de março de 2008.
Veja fotos de Marcelo
Memorial nos Ingleses
No ano passado, Marcelo Câmara ganhou um memorial na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Praia dos Ingleses, Norte da Ilha, onde morava com a família. A sala, um anexo da igreja, abriga objetos levados do próprio quarto: cama, estante, livros.
Além disso, os restos mortais foram transferidos do cemitério São Francisco, no Itacorubi, para os Ingleses. O objetivo foi possibilitar maior circulação de pessoas, conforme ocorre com outros postulantes em processos de canonização.
No entorno do túmulo do manezinho existem placas por graças alcançadas, como emprego, aprovação em concurso público, cura de doenças, pagamento de dívidas e conversão religiosa.
*Sob supervisão de Andréa da Luz
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