Quatrocentos quilômetros separam Caçador, no Meio-Oeste do Estado, de Florianópolis, mas, para um grupo de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do SESI, a distância é pequena diante do propósito da viagem. Nesta quarta-feira (19), eles seguem até a Capital para entregar 190 lanternas e 160 pares de pantufas a crianças em tratamento contra o câncer, levando também uma mensagem de esperança e carinho.
A entrega está marcada para as 14h, no Hospital Infantil Joana de Gusmão. As lanternas foram produzidas pelos próprios estudantes e são inspiradas em uma tradição tailandesa que simboliza deixar para trás momentos difíceis e renovar a esperança. Já as pantufas foram confeccionadas voluntariamente por costureiras.
A iniciativa mobilizou estudantes, familiares, voluntários e uma indústria têxtil de Caçador. As lanternas foram feitas com vidros de conserva reutilizados, luzes de LED e sisal. A produção começou em março e envolveu os alunos em diferentes etapas, desde a preparação dos materiais até a montagem das peças.
Das 190 lanternas produzidas, 30 também serão destinadas ao Hospital Maicé, em Caçador. A escolha do Hospital Infantil Joana de Gusmão ocorreu por ser referência no atendimento de crianças em tratamento oncológico.
Projeto ganhou novo significado
A história das lanternas começou antes da ideia de levá-las às crianças. Em 2024 e 2025, os estudantes da EJA produziram as peças para uma atividade de reflexão e superação, que incluía o lançamento das lanternas no Rio do Peixe.
Para este ano, a proposta ganhou um novo significado. A professora Daiane Xumadelo percebeu que as peças poderiam deixar de representar apenas uma atividade simbólica e passar a levar uma mensagem de esperança para quem enfrenta um momento difícil.
O projeto também trouxe uma reflexão sobre o meio ambiente. Como as luzes de LED precisam ser recolhidas depois das atividades para evitar a poluição do rio, os estudantes passaram a discutir formas de reaproveitamento e descarte adequado dos materiais.
Solidariedade ganhou novas mãos
A corrente de solidariedade aumentou quando uma das estudantes da EJA, que trabalha na indústria têxtil Maria Emília, identificou a possibilidade de envolver a empresa na ação.
A indústria doou os materiais utilizados na confecção das pantufas, enquanto costureiras se voluntariaram para produzir as peças depois do expediente. A fabricação começou em junho.
Além das costureiras, familiares dos estudantes também participaram da montagem dos kits que serão levados às crianças. O que começou como uma atividade da EJA acabou envolvendo diferentes pessoas em torno de um mesmo objetivo: transformar um gesto simples em uma demonstração de carinho.
EJA do SESI
A Educação de Jovens e Adultos do SESI/SC oferece educação básica para pessoas que não concluíram os estudos na idade regular. Criada em 1999, a modalidade já contribuiu para a formação de mais de 100 mil pessoas em Santa Catarina.




