O ex-padre e exorcista Humberto Gama, de 87 anos, foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão nesta terça-feira (20), pelo Tribunal de Vila Real, em Portugal. A sentença reconheceu a prática dos crimes de violação, burla qualificada e usurpação de funções na forma continuada, segundo a imprensa portuguesa. O processo foi conduzido pelo Ministério Público. As informações são do O Globo.
O caso ganhou repercussão pela trajetória de Gama, que continuou a se apresentar como padre e exorcista por décadas, mesmo após ser afastado do sacerdócio católico. Ordenado em 1965 pela Congregação dos Padres Marianos, ele foi expulso da instituição em 1972. Ainda assim, manteve a atuação religiosa até 2021, quando foi detido pela Polícia Judiciária.
Entre os crimes pelos quais foi condenado está o de burla qualificada, que envolve o uso de meios fraudulentos para induzir alguém ao erro e obter vantagem ilícita, causando prejuízo patrimonial. No Brasil, a conduta pode ter correspondência com o crime de estelionato, embora o enquadramento jurídico dependa das circunstâncias de cada caso.
“Eu nunca recebi um tostão da Igreja”, afirmou Gama à imprensa portuguesa que acompanhou o julgamento, segundo a RTP Notícias.
Apresentação como padre por décadas
Mesmo após deixar a Congregação dos Padres Marianos, Gama continuou a atuar como sacerdote, inclusive nas dioceses de Vila Real e Leiria-Fátima. Segundo a rádio e televisão portuguesa Onda Livre, ele seguiu usando batina e se apresentando como padre e exorcista durante décadas, inclusive em programas de televisão de alcance nacional.
O ex-religioso também teve passagem pela política. Ele se candidatou à presidência das câmaras municipais de Mirandela e de Murça, em momentos diferentes, por partidos distintos: o Partido Socialista (PS) e o Centro Democrático Social (CDS).
Condenação inclui acusação de violação
O processo que levou à condenação teve origem em uma acusação de violação contra uma mulher, que resultou na detenção de Gama pela Polícia Judiciária em 2021. Durante o julgamento, o ex-padre negou as acusações.
“Eu não fiz nada. Eu não conheço a pessoa. Só se violei o ar. Nego tudo, dos pés à cabeça”, declarou aos jornalistas na saída do tribunal, segundo a RTP Notícias.
Uma acusação de coação sexual, que também fazia parte do processo, foi retirada durante o julgamento depois que a mulher se recusou a testemunhar e desistiu da queixa, de acordo com a Rádio Renascença. A retirada dessa acusação não impediu a condenação pelos demais crimes.
Ex-padre afirma que vai recorrer
A acusação do Ministério Público foi formalizada em 2023, mas o julgamento começou apenas em 12 de maio deste ano. A decisão foi proferida a portas fechadas no Tribunal de Vila Real.
Após a sentença, Gama afirmou que pretende recorrer da condenação, segundo a agência Lusa. O recurso poderá levar o caso a uma nova análise pela Justiça portuguesa.
