Extradição de Carla Zambelli pode ter reviravolta com novo julgamento na Itália já com data marcada

Governo e STF entregaram dados sobre tratamento de saúde no sistema prisional brasileiro para Zambelli, o que possibilita novo julgamento

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Justiça aceitou um recurso da defesa e anulou extradição em julho (Foto: Lula Marques, Agência Brasil)

Justiça aceitou um recurso da defesa e anulou extradição em julho (Foto: Lula Marques, Agência Brasil)

Um novo julgamento na Itália pode decidir o futuro da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) e o cumprimento da pena dela no caso da perseguição armada contra um homem em São Paulo, em que ela foi condenada. Em julho, a Justiça italiana anulou a extradição, mas uma nova audiência, marcada para o dia 29 de outubro, vai reavaliar o pedido apresentado pelo Brasil.

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No primeiro julgamento, a Justiça não aceitou a tese de que Zambelli estava sendo perseguida politicamente, mas entendeu que o governo do Brasil e o Supremo Tribunal Federal (STF) precisava apresentar mais garantias para oferecer tratamento de saúde para a ex-deputada, que possui fibromialgia e já teve quadros de desmaios.

A nova audiência deve reavaliar o caso conforme os novos dados fornecidos pelo Brasil sobre o tema. Com isso, será verificado se a ida de Zambelli ao Brasil cumpre os requisitos necessários.

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Segundo a defesa de Zambelli, representada pelo advogado Eduardo Mauricio, esse segundo julgamento também deve considerar a extradição inadequada por “falta de garantias processuais e a âmbito de direitos humanos e princípios fundamentais”. A defesa quer apresentar ao STF duas revisões criminais e dois pedidos de exclusão da lista da Interpol.

Entenda o caso de Carla Zambelli

As condenações de Zambelli

Zambelli foi condenada em dois processos julgados no STF. O primeiro, por um ataque hacker ao sistema da Justiça que inseriu um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, resultou em uma pena de 10 anos de prisão. O segundo caso é relacionado ao episódio em que ela apontou uma arma e perseguiu um eleitor petista na véspera do 2º turno das Eleições 2022, que motivou uma condenação a cinco anos e três meses de prisão.

Como funciona a extradição?

Os pedidos fazem parte do Tratado de Extradição entre Brasil e Itália, promulgado no Brasil em 1993. O acordo aponta que a extradição deve ser obrigatória e recíproca para fins de julgamento ou cumprimento de meda se:

  • o crime for punível nos dois países;
  • a pena máxima for superior a 1 ano (ou, no caso de execução, saldo superior a 9 meses);
  • inexistir de caráter político do delito.