O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta semana e deixou centenas de mortos chama atenção para o risco provocado pela movimentação das placas tectônicas nas Américas. Nos Estados Unidos, uma falha de quase mil quilômetros é acompanhada por cientistas devido ao potencial de provocar um “megaterremoto” de grandes proporções na costa oeste do país.
Falha de quase mil quilômetros pode provocar grande terremoto
Enquanto a Colômbia enfrenta as consequências do desastre, cientistas estudam uma região da América do Norte conhecida pelo potencial de produzir terremotos de grande magnitude: a Zona de Subducção de Cascadia.
A estrutura se estende por mais de 965 quilômetros, do Canadá até a Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, e marca o encontro das placas tectônicas Juan de Fuca e Norte-Americana.
Ao contrário de outras zonas de subducção, que apresentam tremores com maior frequência à medida que as placas se movimentam, Cascadia registra pouca atividade sísmica. Uma das hipóteses para explicar esse comportamento é justamente que partes das placas estejam travadas pelo atrito.
Nessas condições, a tensão pode se acumular durante longos períodos antes de ser liberada. Por isso, a região é monitorada pelo risco de um terremoto de grande magnitude.
Segundo informações da CNN, estudar Cascadia, no entanto, é um desafio. Boa parte da estrutura fica sob o oceano, enquanto grande parte dos sensores utilizados para acompanhar os movimentos do solo está instalada em terra. A ausência de terremotos frequentes também dificulta a compreensão sobre o comportamento da falha.
Estudo encontrou diferenças dentro da falha
Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Washington analisou 13 anos de dados sobre movimentos do solo e encontrou diferenças importantes entre as regiões da Zona de Subducção de Cascadia.
Os pesquisadores descobriram que a porção norte da falha permanece travada e praticamente inativa. Na região central, porém, foram identificados sinais de maior movimentação.
Os cientistas observaram evidências de um terremoto raso e de movimento lento, além de pulsos de fluidos circulando por canais subterrâneos. Esses fluidos podem ajudar a aliviar parte da pressão existente na falha e interferir na maneira como uma futura ruptura se espalharia.
As descobertas foram publicadas em 27 de fevereiro na revista científica Science Advances e podem mudar as projeções sobre o comportamento de Cascadia durante um grande terremoto.
Características semelhantes observadas em outras regiões do planeta já foram associadas à interrupção de rupturas que poderiam, de outra forma, avançar por extensões maiores de uma falha geológica.
“Ainda é preliminar, mas acreditamos que as trajetórias variáveis dos fluidos em Cascadia irão alterar o comportamento de grandes terremotos na falha”, afirmou Marine Denolle, professora associada de Ciências da Terra e do Espaço da Universidade de Washington e coautora do estudo.
Pelos resultados, os cientistas não sabem dizer ao certo quando o “megaterremoto” irá ocorrer. O que a pesquisa revela é que diferentes partes de Cascadia podem se comportar de maneiras distintas durante um grande evento sísmico.
Compreender essas diferenças pode ajudar os cientistas a estimar melhor como uma futura ruptura se propagaria e quais áreas da costa oeste da América do Norte estariam mais expostas aos seus efeitos.
Terremotos na Colômbia deixaram centenas de mortos
O número de mortos pelo forte terremoto que atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira (10) chegou a 281, segundo balanço divulgado na noite de quinta-feira (13) pela Unidade Nacional para a Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD). Outras 3.971 pessoas ficaram feridas e 379 permaneciam desaparecidas.
O tremor ocorreu em San José del Palmar, no departamento de Chocó, a cerca de 240 quilômetros a oeste de Bogotá. Apesar de ter sido registrado a mais de 100 quilômetros de profundidade, provocou grandes danos estruturais.
Até o último levantamento, 44.936 famílias haviam sido afetadas. Mais de 10,6 mil casas foram destruídas e outras 65,8 mil sofreram danos. O terremoto também provocou o desabamento de 127 edifícios e afetou 2.136 unidades de ensino, mais de mil centros comunitários e 236 unidades de saúde.





