Família se separa após morte da mãe, mas morador de SC volta a abraçar irmãs no aniversário após mais de 50 anos

Reencontro aconteceu em Florianópolis após José Francisco Garcia Pessoa procurar a Delegacia de Pessoas Desaparecidas

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Irmãos se reencontram em Florianópolis (Foto: PCSC, Divulgação)

Irmãos se reencontram em Florianópolis (Foto: PCSC, Divulgação)

Mais de 50 anos sem ver as irmãs. Era assim que José Francisco Garcia Pessoa vivia em Florianópolis, na Capital catarinense, pensando em como estava a família, sem saber sequer se elas estavam vivas. Foi nesta quarta-feira (9) que o reencontro finalmente aconteceu, justamente no dia em que José completou 67 anos. Para ele, não poderia haver presente melhor.

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Tudo começou no dia 1° de setembro. José estava caminhando na rua, quando passou em frente à Delegacia de Pessoas Desaparecidas, em Florianópolis. Olhou para a placa e pensou: “por que não entrar?”. Decidiu, então, entrar na unidade e pedir por ajuda para encontrar a família.

José contou a história de sua família, composta por 14 irmãos, para a colaboradora da delegacia, a auxiliar administrativa Adriana Ventura Silva.

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Irmãos seguiram rumos diferentes após morte da mãe

A família de José é natural de São José do Cerrito, na Serra catarinense. No entanto, a tragédia com a morte da mãe após o nascimento do irmão mais novo, quando José tinha apenas 13 anos, mudou a trajetória dos irmãos. Pouco a pouco, cada um dos 14 irmãos foi seguindo caminhos diferentes.

José foi um dos irmãos que seguiu para longe. Ao longo da vida, morou em Blumenau, Joinville, e foi para fora do Estado, indo para o Paraná e em São Paulo. Depois, voltou para Santa Catarina, morou em Itajaí e decidiu estabelecer a vida em Florianópolis. Foi na cidade que ele conheceu, há 42 anos, a sua esposa.

No entanto, apesar de longe, José sempre lembrou dos irmãos, pensando em como poderia reencontrá-los em um estado com mais de 8 milhões de habitantes.

Polícia achou irmãs em dois dias

O homem só não imaginava que seria tão fácil encontrar as irmãs. O delegado Abel Mantovani Bovi, titular da Delegacia de Pessoas Desaparecidas, afirmou que foram feitos levantamentos e pesquisas nos sistemas disponíveis à Polícia Civil assim que José entrou em contato com a equipe.

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“Após coletarmos as informações, começamos os trabalhos de levantamento e pesquisa nos sistemas disponíveis da Polícia Civil de Santa Catarina e conseguimos localizar seus familiares e agendar o encontro dele com as irmãs para hoje, justamente na data em que ele comemora 67 anos”, disse.

Por quase uma semana, José, Jovelina Garcia Pessoa, de 60 anos, e Marta Garcia Pessoa, de 57 anos, conversaram por mensagens. Jovelina mora em Balneário Camboriú, enquanto Marta mora em Navegantes, e foram até Florianópolis para poder dar um abraço apertado no irmão, tão esperado por décadas.

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“Foi um presente de Deus encontrar minhas irmãs neste aniversário. Estou feliz da vida. Eu sentia falta delas, sonhava com elas e dizia que um dia iria encontrá-las. Mas, depois de tantos anos, eu não esperava encontrar tão rápido”, contou José Francisco.

Jovelina contou que havia recebido a informação de um tio de Lages de que José Francisco teria morrido e, por isso, conseguir voltar a ter contato com o irmão trouxe um alívio.

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“Foi muito bom saber. A gente tinha acabado de enterrar um dos meus irmãos e descobrir que o José estava vivo me deu um alívio. No meu caso, eu não o via há mais de 60 anos. É muito triste saber que um irmão morreu sem a gente conseguir se ver”, disse.

Marta tinha uma lembrança específica do irmão: um acidente de trabalho que fez com que José perdesse a ponta de dois dedos. Quando o reencontrou, foi uma das primeiras coisas que perguntou a ele.

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“Eu sempre quis conhecê-lo novamente, porque ele era um irmão de quem eu tinha uma boa lembrança. Estou muito feliz de poder passar o aniversário dele com ele”, disse.

Comemoração em dose dupla

Na quarta-feira, Adriana, a auxiliar administrativa que atendeu José na delegacia, também fez aniversário, completando 57 anos, assim como celebrou seu aniversário de casamento.

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“Foi uma tarde muito especial. Ajudar as pessoas é o que torna o nosso trabalho gratificante. Ainda mais hoje, quando completo 11 anos de serviço na unidade, além de ser meu aniversário e aniversário de casamento. Ver um encontro desses fez eu ganhar o meu dia”, disse Adriana.