Trocar uma carreira consolidada em uma das maiores cidades do mundo pela tranquilidade de um pequeno vilarejo pode parecer uma decisão difícil. Para a espanhola Ana Escobar, a mudança foi a oportunidade de descobrir uma nova maneira de viver, trabalhar e cuidar do próprio bem-estar.
Natural de Huelva, no sul da Espanha, ela trabalhou na Tate Modern, em Londres, antes de se mudar para Galaroza, um pequeno município do Parque Natural da Serra de Aracena e Picos de Aroche. Lá, criou o TierraFuego, projeto que combina cerâmica e conhecimentos da terapia Gestalt.
Da carreira em Londres à tranquilidade de um vilarejo espanhol
Antes da fotografia, Ana trabalhou no setor bancário. Segundo o programa Los Repobladores, do Canal Sur, ela deixou um emprego bem remunerado para estudar design e fotografia e passou 21 anos fora de sua cidade natal.
Ana saiu de Huelva em 1996 e viveu em Barcelona, Tóquio, Madri e Londres. Na capital britânica, concluiu licenciatura e mestrado em fotografia no London College of Communication, em 2016. Suas fotografias foram expostas no Reino Unido, na Europa e na China e publicadas em veículos como The New York Times e The Guardian.
Apesar das oportunidades, o desejo de voltar às próprias raízes ganhou força. Em 2022, Ana e o companheiro, de origem inglesa, se instalaram em Galaroza. De volta à Espanha, ela cursou estudos superiores de cerâmica na Escola de Arte León Ortega, em Huelva.
Como a cerâmica virou um projeto de bem-estar
Em Galaroza, Ana encontrou espaço para uma relação mais próxima com a natureza e com o trabalho manual. Desde setembro de 2022, atua como profissional autônoma, e dessa experiência nasceu o TierraFuego, que usa a cerâmica e a arte como caminho para o bem-estar.
O projeto também incorpora conhecimentos da terapia Gestalt, abordagem que valoriza a percepção do indivíduo sobre suas experiências, sentimentos e relações com o ambiente. Ana está em formação como terapeuta Gestalt pela Escola Gestalt Afra, em Huelva.
A proposta não se concentra apenas no resultado final. “No TierraFuego, colocamos o foco no processo de criação, e não no resultado final”, disse Ana à Associação para o Desenvolvimento Rural da Andaluzia (ARA), em julho de 2026.
Durante as atividades, o contato com a argila convida os participantes a prestar atenção nos movimentos das mãos, nas sensações e nas transformações do material. Para Ana, “trabalhar com barro é uma forma de falar com as mãos do território, de seu patrimônio e de sua gente”.
Oficinas no ateliê e pela região
As aulas e oficinas acontecem no espaço de Ana em Galaroza, que tem barro, tornos e fornos. Algumas atividades têm temas ligados ao território, como a água e a dehesa, paisagem típica da região com árvores esparsas e pastagens.
O projeto também leva oficinas itinerantes a centros de saúde, casas rurais, hotéis, prefeituras, escolas e associações.
A trajetória de Ana mostra que uma mudança de carreira não precisa significar abandonar tudo o que foi construído antes. No TierraFuego, a fotografia, o ensino e a formação terapêutica passaram a fazer parte da mesma proposta.
Mais informações sobre o projeto estão no site tierrafuego.art.



