Garoto de 5 anos com leucemia queria ser o Batman e 20 mil pessoas transformaram a cidade em Gotham para ele

Miles Scott enfrentava a leucemia desde bebê quando pediu para se tornar seu super-herói favorito; uma cidade inteira decidiu entrar na brincadeira

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Em novembro de 2013, São Francisco deixou de ser São Francisco por algumas horas para que um menino de cinco anos pudesse ser o Batkid (Foto: Divulgação / IMDb)

Em novembro de 2013, São Francisco deixou de ser São Francisco por algumas horas para que um menino de cinco anos pudesse ser o Batkid (Foto: Divulgação / IMDb)

Naquela manhã, os criminosos haviam escolhido o pior dia possível para atacar Gotham City. Uma mulher estava amarrada aos trilhos. O Charada preparava um assalto. O Pinguim havia sequestrado uma das figuras mais conhecidas da cidade.

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E, em algum lugar pelas ruas de São Francisco, um pequeno Lamborghini preto levava a única pessoa capaz de resolver o problema. Dentro dele estava Miles Scott, o Batkid, de apenas cinco anos.

A máscara escondia parte de um rosto que passara boa parte dos primeiros anos de vida entre médicos e tratamentos. Mas, naquele 15 de novembro de 2013, nada disso importava. Miles não era um menino com leucemia. Era o Batman.

O chamado

Miles havia sido diagnosticado com leucemia ainda muito pequeno e passou anos em tratamento. Quando chegou aos cinco, a doença estava em remissão e a organização Make-A-Wish perguntou qual desejo o garotinho gostaria de realizar.

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Ele não pediu um brinquedo como as demais; ele queria ser o Batman. A ideia dos voluntários era criar um pequeno teatro com as pessoas interpretando os personagens do universo do morcego. A ideia, porém, começou a circular pela cidade de São Francisco.

Mais de 12 mil voluntários se inscreveram. No dia marcado, a brincadeira já havia escapado completamente do possível imaginado pela organização. Segundo estimativas recentes, mais de 20 mil pessoas foram às ruas para realizar o sonho dessa criança.

Gotham existe

São Francisco começou a desaparecer sob a fantasia.

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O então chefe da polícia, Greg Suhr, assumiu o papel do comissário Gordon em conjunto com equipes de policiais e bombeiros em operação. Além disso, duas Lamborghini Gallardo foram transformadas em Batmóveis para transportar o Batman adulto e Miles, o Batkid.

Pelas ruas, o Batkid encontrou cada um de seus desafios, e o primeiro já era muito desafiador: resgatar uma mulher presa junto aos trilhos de um teleférico.

Depois vieram seus maiores vilões: o Charada em um assalto e o Pinguim sequestrando o Lou Seal, o mascote do time San Francisco Giants. E o Batkid derrotou cada uma das ameaças à altura, com um séquito cada vez maior de pessoas na multidão.

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Cartazes com seu nome surgiam sobre as cabeças da multidão. Pessoas vestidas com símbolos do Batman esperavam nas calçadas. O que deveria ser a fantasia particular de uma criança havia se transformado, por algumas horas, em realidade.

Um herói real

A brincadeira não parou nos voluntários; outras figuras de poder também entraram na brincadeira. O então prefeito da cidade, Ed Lee, entregou a chave da cidade para Miles assim como em um bom filme de herói ao fim da aventura.

O presidente Barack Obama gravou uma mensagem para Miles, agradecendo pelos seus serviços. E, para gravar esse dia na história, o jornal San Francisco Chronicle entrou na brincadeira e publicou uma edição especial dedicada ao Batkid.

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As imagens atravessaram os Estados Unidos e correram pelo mundo. Dois anos depois, aquela mobilização seria transformada no documentário Batkid Begins, dirigido por Dana Nachman e lançado em 2015.

E como está o Batkid hoje?

Mais de uma década depois de vestir a capa, Miles cresceu longe dos holofotes. Na atualização divulgada pela Make-A-Wish de dez anos do caso, ele tinha vencido o câncer em remissão da leucemia há mais de 10 anos e não teve sinais de recidiva.

Ele se tornou um adolescente saudável, praticando esportes na escola e ajudando a família na propriedade rural onde vivem, no norte da Califórnia.

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Em entrevistas, ele contou que leva uma vida normal e que, às vezes, ainda parece difícil acreditar que uma cidade inteira tenha parado para transformá-lo no Batkid.