Governo só tem cronograma de entrega de menos da metade dos testes previstos 

Dos 9,2 milhões previstos até o momento, já foram entregues pelos fornecedores e empresas doadoras ao menos 904.872

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Até o momento foram entregues pouco mais de 904 mil testes (Foto: AFP)

Por Natália Cancian e Renato Machado

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O Ministério da Saúde só tem, até agora, o cronograma de entrega de 9,2 milhões dos 22,9 milhões de testes previstos para diagnóstico do novo coronavírus. Esse montante chegaria à pasta em etapas, atingindo o total até julho.

O cronograma consta de boletim epidemiológico da pasta divulgado nesta quinta-feira (9).

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A previsão que vem sendo divulgada em boletins do ministério é que a epidemia atinja seu pico até junho deste ano.

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Dos 9,2 milhões, já foram entregues pelos fornecedores e empresas doadoras ao menos 904.872, o equivalente a 9,9% do total, segundo a pasta.

Destes, 104 mil são de testes fornecidos pela Fiocruz, e que usam a técnica de RT-PCR, que visa identificar a presença de material genético do vírus em amostras.

Outros 300 mil testes, do mesmo modelo, foram de doação da Petrobras.

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Também já foram entregues 500 mil testes rápidos doados pela mineradora Vale. Diferente do teste pela técnica de PCR, esse modelo funciona pela detecção de anticorpos para o novo coronavírus.

A ideia do ministério é usar os testes PCR para identificação do vírus em pacientes internados com quadro grave e em amostras de unidades sentinelas.

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Já os testes rápidos devem ser direcionados a profissionais de saúde e da área de segurança, como policiais, em caso de sintomas. O objetivo é verificar, após um período de isolamento, se eles podem voltar ou trabalho ou devem continuar em casa.

Segundo o documento, uma nova quantidade de testes, doada pela mineradora e Petrobrás, deverá ser entregue a partir da próxima semana até julho.

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Ao todo, são 3,6 milhões de testes da Fiocruz, 600 mil da Petrobrás e 5 milhões da Vale, atingindo a soma de 9,2 milhões.

Apesar de fixar o prazo até julho, o próprio ministério vê a possibilidade de impasses no cumprimento de etapas de entrega.

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O documento cita que, no caso dos testes entregues pela Fiocruz, "o cronograma é dependente de acesso ao insumos no mercado internacional".

O boletim também não informa o que ocorreu com os outros 13,7 milhões de testes anunciados inicialmente pela pasta para chegar à conta de 22,9 milhões.

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Questionado, o Ministério da Saúde ainda não respondeu.

Membros da pasta informaram à reportagem que os 22,9 milhões ainda estão previstos, embora ainda sem previsão de entrega.

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O problema ocorre pela dificuldade de acesso a insumos e alta demanda no mercado.

Atualmente, a ausência de testes é apontada como um dos principais impasses para o controle da epidemia do novo coronavírus.

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Diante da dificuldade de ampliar os exames, o ministério tem recomendado que os testes sejam aplicados apenas para casos graves, de pacientes internados em UTI.

A pasta, porém, também vem citando a possibilidade de instalar postos volantes para testagem em cidades acima de 500 mil habitantes –o prazo para que isso ocorra, porém, ainda não divulgado.

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No documento divulgado nesta quinta, o ministério volta a afirma que "a capacidade laboratorial do Brasil ainda é insuficiente para dar resposta a essa fase da epidemia".

Em seguida, reforça a importância do distanciamento social no enfrentamento ao coronavírus.

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O texto aponta que essas políticas contribuem para evitar o colapso do sistema de saúde e oferecem tempo aos gestores para melhorarem a estrutura de seus serviços médicos.

O documento diz ainda que estados e municípios que adotaram o distanciamento social ampliado só devem fazer a transição para uma forma mais branda caso disponham de equipamentos e profissionais de saúde em número suficiente.

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A medida ocorre após o ministério divulgar uma proposta de distanciamento social seletivo, focado em idosos e pessoas com doenças crônicas. Segundo a pasta, a medida vale apenas para locais onde os casos confirmados não tenham impactado mais de 50% da capacidade instalada.