Homem constrói o próprio barco solar, cruza a Europa por 5.700 km e acaba abordado pela polícia ao chegar ao litoral da Espanha

Embarcação movida pelo sol e quase silenciosa foi inspecionada no litoral espanhol depois de partir da Finlândia e atravessar a Europa

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Barco solar navega pelo litoral espanhol depois de atravessar rios, canais e trechos costeiros da Europa (Foto: Divulgação / redes sociais)

Barco solar navega pelo litoral espanhol depois de atravessar rios, canais e trechos costeiros da Europa (Foto: Divulgação / redes sociais)

Perto de Cabo de Gata, no litoral da Espanha, uma embarcação baixa e larga chamou a atenção de quem estava na praia. Quase não fazia barulho, tinha o teto tomado por painéis solares e exibia um formato difícil de reconhecer à primeira vista. Diante da aparência incomum, uma patrulha da Guarda Civil se aproximou para verificar de onde vinha aquele barco.

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O Helios 11 não havia saído de nenhum porto próximo. No comando estava o finlandês Lukas Sjöman, que partira da Finlândia e percorrera cerca de 5.700 quilômetros por rios, canais e trechos costeiros da Europa até alcançar o Mediterrâneo. Durante toda a viagem, não precisou abastecer com gasolina ou diesel.

Antes de cruzar o continente e despertar a atenção das autoridades espanholas, a embarcação de 11 metros era apenas um projeto dentro de um galpão. Sjöman passou cerca de 200 dias trabalhando com compensado naval e fibra de vidro até colocar na água a casa flutuante que seria alimentada pelo sol.

Partida em um inverno rigoroso

A travessia começou na Finlândia durante o inverno, justamente quando os dias no norte da Europa oferecem poucas horas de luz. O Helios 11 passou por Suécia, Dinamarca, Alemanha e França antes de alcançar Ibiza, na Espanha.

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Nos períodos de céu encoberto, Sjöman diminuía a velocidade para preservar a carga das baterias. Uma pequena vela ajudava a empurrar a embarcação quando o sol não entregava energia suficiente para manter o ritmo.

A jornada até Ibiza somou aproximadamente 5.700 quilômetros. Depois, o finlandês continuou pelo litoral espanhol e passou por pontos como Mazarrón, Cabo de Gata e Almería. Foi neste trecho que a aparência incomum do barco provocou a abordagem das autoridades.

Sol que alimenta o motor

Os painéis solares instalados sobre a embarcação geram eletricidade durante o dia e uma parte segue diretamente para a propulsão, enquanto o excedente fica armazenado em baterias de 48 volts para uso noturno ou em momentos de menor incidência solar.

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Após os primeiros testes, Sjöman acrescentou dois conjuntos de baterias e ampliou a capacidade utilizável destinada ao motor para cerca de 22 kWh. Instaladas abaixo da linha d’água, elas também ajudam a baixar o centro de gravidade e a equilibrar o peso concentrado no teto.

Em boas condições, o barco pode percorrer incríveis 100 milhas náuticas em 24 horas. Com sol e ajuda da vela, a estimativa sobe para 150 milhas. Céu fechado, vento contrário e mar agitado podem reduzir o alcance para aproximadamente 40 milhas.

Peso virou prioridade

O Helios 11 pesa por volta de 1,5 tonelada, pouco para uma embarcação de seu comprimento. Sjöman eliminou materiais e equipamentos que não considerava essenciais porque cada quilo adicional exigiria mais energia para ser deslocado.

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O interior não tenta reproduzir o luxo dos grandes iates. Há fogão elétrico, geladeira e banheiro com descarga, o necessário para permanecer a bordo por períodos maiores. O calado de cerca de meio metro também permite entrar em áreas rasas.

Os materiais custaram, segundo a estimativa divulgada pelo construtor, aproximadamente US$ 20,7 mil, cerca de R$ 106 mil na conversão usada no projeto. Somados oficina, ferramentas e eletricidade, uma construção independente poderia ficar entre US$ 23 mil e US$ 34,5 mil.

Bote roubado

A abordagem da polícia não foi o único imprevisto. Durante uma parada na costa de Tarragona, Sjöman teve o bote auxiliar roubado. A pequena embarcação era necessária para alcançar a terra quando o Helios 11 permanecia ancorado.

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Sem encontrar uma reposição imediata, ele voltou a fazer o que já havia feito com o próprio iate: construiu outro bote e continuou a rota.

A autonomia do Helios 11 não é infinita. Ela depende da luz disponível, da velocidade e das condições do mar. Ainda assim, o barco atravessou cerca de 5.700 quilômetros sem reabastecer gasolina ou diesel.

Depois da inspeção no litoral espanhol, a patrulha encontrou apenas o construtor e seu projeto solar. Sjöman seguiu viagem e resumiu o motivo que o havia mantido por 200 dias no galpão e por meses sobre a água: “No meu caso, foi apenas pela liberdade.”

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Jean Lindemute