Indústria da música pede a Regina Duarte ações para amenizar crise no setor

Com o avanço da pandemia no Brasil, shows e eventos musicais não estão acontecendo, o que impacta em toda a cadeia de trabalhadores e empresas

Compartilhe:

Regina Duarte assumiu a subpasta da Cultura em março deste ano. (Foto: Roberto Castro / Ministério do Turismo / Divulgação)

Algumas das mais importantes instituições da indústria da música enviaram uma carta à Secretaria Especial da Cultura pedindo medidas para amenizar o impacto do novo coronavírus no setor. Com o avanço da pandemia no Brasil, shows e eventos musicais não estão acontecendo, o que impacta em toda a cadeia de trabalhadores e empresas do setor.

Continua após a publicidade

Em página especial, saiba tudo sobre coronavírus

A carta, endereçada à secretária responsável pela Cultura, Regina Duarte, e ao ministro do Turismo — ao qual a pasta está subordinada —, Marcelo Álvaro Antônio, foi apresentada em uma reunião à distância que ocorreu na última terça (24). O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) liderou a conversa com pessoas que trabalham na Secretaria.

Além do Ecad, assinam a carta a União Brasileira de Compositores (UBC), Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes (Amar), Associação de Intérpretes e Músicos (Assim), Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música (Sbacem), Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais (Sicam) e Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais (Socinpro).

Continua após a publicidade

Apesar da necessidade do isolamento para combater o avanço da covid-19, diz a carta, "existe um expressivo prejuízo econômico que já pode ser sentido em estabelecimentos do setor, como teatros, cinemas, bares, restaurantes, lojas e demais comércios".

O texto ainda cita "prejuízos irreparáveis à classe artística" e levanta que, entre março e abril de 2019, ocorreram uma média de 6.600 shows e eventos em todo o país, gerando uma arrecadação média de mais R$ 11 milhões mensais em direitos autorais. Com a paralisação dos eventos, uma quantia semelhante de dinheiro deixará de ir a músicos e compositores.

Entre as demandas da classe estão o incentivo à realização de eventos com arrecadação de direitos autorais depois do período de isolamento; apoio para a regularização de débitos relativos aos direitos autorais, especialmente das rádios e TVs; abertura de uma linha de crédito, com juros reduzidos e pagamento parcelado, para empresas e pessoas ligadas ao setor musical, entre eles compositores, músicos e intérpretes.

Leia a íntegra da carta abaixo:

"Expressamos nossa profunda preocupação com o momento atual vivido pelas indústrias da cultura e da música brasileiras em decorrência da pandemia do coronavírus. Embora o isolamento social seja a principal e necessária arma contra a disseminação da Covid-19, existe um expressivo prejuízo econômico que já pode ser sentido em estabelecimentos do setor, como teatros, cinemas, bares, restaurantes, lojas e demais comércios.

Continua após a publicidade

A interrupção das atividades ou a diminuição de público desses locais, somada ao adiamento e cancelamento de shows, eventos e festivais, certamente trará prejuízos irreparáveis à classe artística. Entre os meses de março e maio de 2019, contabilizamos uma média de 6,6 mil shows e eventos por mês, realizados em todo o Brasil, que equivale à arrecadação média de R$ 11,3 milhões de reais mensais em direitos autorais. É possível, a partir destes números, dimensionar ou, ao menos, vislumbrar o volume da perda para milhares de titulares que vivem desta receita.

Na condição de representantes da indústria cultural e musical e em nome de todas as categorias de profissionais que representamos, gostaríamos de solicitar a avaliação de algumas medidas que podem amenizar os impactos negativos e compensar, em parte, as perdas inevitáveis para o setor no curto prazo.

Continua após a publicidade

Incentivo, após o período de isolamento e crise, via Ministério de Turismo e Secretaria de Cultura, além de Prefeituras e Estados, à realização de eventos culturais e shows, que paguem direitos autorais, para possibilitar a recuperação do setor cultural; além de apoio para conscientização dos setores públicos, em todas as esferas, visando à diminuição da inadimplência de entes públicos realizadores de eventos, que não efetuam o pagamento de valores referentes a direitos autorais de execução pública de música destinados a compositores, editores, intérpretes, músicos e produtores fonográficos.

Apoio para a regularização de débitos e orientação para pagamento de direitos autorais por parte de todos os setores que utilizam música no seu negócio, principalmente emissoras de rádio e TV que mantêm a veiculação de músicas em suas programações, possibilitando que o devido repasse referente aos direitos autorais chegue aos artistas, compositores e demais titulares.

Continua após a publicidade

Abertura de linha de crédito de capital de giro para empresas e pessoas que estejam ligadas ao setor musical, como compositores, músicos e intérpretes, entre outros do setor cultural, pela Caixa Econômica Federal; com juros reduzidos, carência e pagamento parcelado.

A música e a cultura movimentam a economia e geram milhões de empregos, mas devido ao caráter autônomo de sua atividade profissional, os artistas são economicamente prejudicados por estarem impedidos de fazer seu trabalho.

Continua após a publicidade

Precisamos nos mobilizar para preservar estas vidas e as de suas famílias de forma digna e humana. Colocamo-nos à disposição para qualquer esclarecimento e para trabalharmos em conjunto e em prol da cultura, da música e do incremento na economia gerado por estas atividades."