O vereador Almir Vieira (PP) foi indiciado após a investigação por crimes como rachadinha, corrupção e lavagem de dinheiro, que resultou na Operação Happy Nation, há oito meses. Ele chegou a ficar afastado por meio ano, mas voltou a ocupar a cadeira na Câmara de Blumenau em agosto.
Conforme informações da Polícia Civil, Almir deve responder por rachadinha, “caixa dois”, corrupção, ocultação de patrimônio e organização criminosa. Além dele, outras 14 pessoas — a maioria servidores comissionados indicados pelo parlamentar — também foram indiciadas por suspeita de participação na rachadinha ou outros delitos em um esquema que o teria beneficiado financeiramente. A esposa do vereador, Mara Vieira, também foi citada.
O documento chegou ao Ministério Público (MP) na última sexta-feira (16) para que a promotoria avalie as provas e faça a denúncia à Justiça, se não identificar necessidade de novas diligências. Apenas nessa fase é que a história de fato se torna um processo judicial. Por regra, o MP tem 30 dias para analisar o inquérito.
As suspeitas sobre o vereador
Em 2024, um então servidor comissionado denunciou à Civil o suposto esquema de rachadinha que ocorreria no gabinete de Almir Vieira (PP). Quebras de sigilo telefônico e outras análises foram feitas em relação a 13 servidores com vínculo direto a Almir, mas o delegado André Gustavo Marafiga não encontrou elementos suficientes para indiciar a todos.
Na prática, o peculato, popularmente conhecido como rachadinha, acontece quando um político indica pessoas a cargos públicos e os escolhidos, em troca, precisam doar parte do salário para ele. Pelo apurado, era o que supostamente ocorria com a equipe de Almir, que detém o maior número de cargos comissionados na Câmara, além de indicações dentro da prefeitura, sustenta a Polícia Civil.
Os investigadores mapearam que saques menores eram feitos logo após o recebimento dos salários, um padrão que se repetiu diversas vezes. Nos interrogatórios, as explicações sobre o que era feito com o dinheiro vivo eram verificadas pelos policiais e acabavam desmentidas. Outra suposta forma de repasse era enviar as quantias diretamente para a conta de uma das assessoras, que seria responsável por controlar o “fluxo” da rachadinha.
Empresas investigadas
Para além do crime de peculato, a investigação descobriu outro possível esquema dentro do gabinete: o vereador teria ajudado empresas a serem contratadas pela prefeitura e Câmara e, em troca, recebido valores delas. Por isso, o inquérito também menciona o indiciamento de um assessor por violação de sigilo funcional e improbidade administrativa; um empresário e o próprio vereador por suspeita de “caixa dois” nas eleições de 2022, quando ele tentou se eleger deputado estadual e teria recebido do empresário R$ 250 mil para a campanha, sem declarar o montante à Justiça Eleitoral.
O que diz a defesa do vereador
Em nota, o advogado Diego de Oliveira, que representa Almir e a esposa, disse que o vereador “tomou ciência do relatório final do inquérito policial. A defesa tem críticas a pontos do relatório que não correspondem à realidade dos fatos. Essas questões serão apresentadas no momento oportuno, nos próprios autos. O procedimento segue seu curso normal. O relatório será agora analisado pelo Ministério Público e, depois, pelo Poder Judiciário. O vereador confia nas instituições e provará sua inocência”.
