Jornalista Caco Barcellos participa de seminário sobre combate à violência em escolas

Jornalistas Fernanda Moro e Felipe Sales, da NSC TV, também participaram contando suas experiências nas coberturas de tragédias em creches

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Seminário aconteceu nesta quinta-feira (23) e contou com a palestra de Caco Barcellos (Foto: Rodrigo Corrêa / Agência AL)

Limites e responsabilidades. Esses são os dois princípios que nortearam um seminário sobre cobertura jornalística de atos de violência no ambiente escolar, promovido na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) pelo Comitê Integrado para Cidadania e Paz nas Escolas, nesta quinta-feira (23). O evento teve um debate com a participação dos jornalistas Felipe Sales e Fernanda Moro, da NSC TV, e ainda uma palestra com o jornalista Caco Barcellos.

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Felipe Sales acompanhou a tragédia em uma creche de Blumenau, onde quatro crianças foram mortas e cinco ficaram feridas por um homem que entrou no local com uma machadinha, em 2023. Para ele, as coberturas jornalísticas precisam ter um enfoque humanizado.

— A vivência da cidade torna tudo mais difícil […] A sensibilidade daquele dia vai ter que perdurar — disse.

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Já Fernanda Moro cobriu o massacre na creche de Saudades, em 2021. Na época, cinco pessoas foram mortas, sendo duas professoras e três crianças. Ela saiu de Chapecó para a cidade do Extremo-Oeste, onde o crime aconteceu, para cobrir o fato.

Foi durante o deslocamento que ela foi sabendo melhor do que se tratava o caso, e precisou controlar as emoções:

— Pensei muito em me colocar no lugar das pessoas, das vítimas e familiares, e respeitar limites. Acho que nessas coberturas é preciso ter sensibilidade. E o nosso papel é informar e passar a ação das forças de segurança — afirmou.

O debate teve mediação do deputado Mário Motta (PSD), com participações dos deputados Fernando Krelling (MDB), vice-presidente da Alesc, e Paulinha (Podemos), coordenadora do Integra, programa criado em 2023, após a tragédia em Blumenau, para formulação de políticas de enfrentamento à violência no ambiente escolar.

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Mais de 30 instituições passaram a combinar ações, entre órgãos públicos e universidades. A deputada Paulinha destacou a ação “como política pública que persegue o livramento, o afastamento de Santa Catarina deste triste fenômeno da violência escolar”.

Já foram criadas quatro leis de criação coletiva dos parlamentares da Assembleia em favor da segurança nas escolas. O deputado Fernando Krelling defende, como professor de educação física, que o esporte é uma ferramenta fundamental para minimizar a violência nas escolas.

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Papel das redes

O promotor de Justiça Diego Roberto Barbiero, coordenador do CyberGaeco, do Ministério Público de Santa Catarina, também participou do evento e destacou a importância do trabalho de investigação no ambiente das redes.

Ele reforçou a necessidade de cuidados no trato da informação em episódios trágicos como os de Saudades e Blumenau para não enaltecer os agressores e causar o efeito de estímulo a outros possíveis criminosos.

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Limites estabelecidos pelos pais

A médica pediatra e psicóloga Catarina Costa Marques, que também participou do evento, defende que os pais precisam participar ativamente da vida dos filhos nas redes sociais.

— Muitos acham que é preciso preservar a privacidade deles, mas ao contrário, é necessário conhecer os ambientes em que as crianças trafegam e estabelecer limites […] A violência nas escolas é algo que tem raiz muito mais complexa e profunda. Tem a ver com as várias formas de bullying, a saúde mental, a educação para as redes sociais e o vínculo entre pais e filhos — disse.

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Palestra com Caco Barcellos

Uma palestra com o jornalista Caco Barcellos encerrou o seminário, com o objetivo de tratar do papel da imprensa na prevenção da violência escolar. Em sua fala, ele apresentou suas considerações sobre como a violência é abordada pela imprensa e pela sociedade, e compartilhou experiências na cobertura policial.

— É algo que deve envolver todo mundo. Se a gente ficar passivamente só se surpreendendo a cada barbariedade, isso não nos leva a lugar algum. A gente precisa de postura ativa. Temos a tendência de cobrar das autoridades, mas o que estamos fazendo, até para que a gente possa cobrar das autoridades — disse.

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