O jornalista e apresentador Ayres Rocha morreu aos 62 anos nesta quarta-feira (14), em Rio Branco. Um dos rostos mais conhecidos da televisão acreana, ele foi âncora do Jornal do Acre 2ª Edição, o JAC2, da Rede Amazônica, por 30 anos.
Ayres fazia tratamento contra um câncer em João Pessoa, na Paraíba, e havia retornado à capital acreana cerca de um mês antes da morte. Segundo a irmã, Elaina Rocha, em entrevista ao g1 e à Rede Amazônica, a decisão de voltar teve relação com o desejo de ficar perto da família e da cidade onde construiu a própria história.
“Ele veio para cá porque ama a cidade dele, porque ele queria ficar perto da gente”, contou.
O velório começou às 10h desta quarta-feira, na capela da Funerária São João Batista, em Rio Branco. O governo do Acre decretou luto oficial de três dias.
A bancada que ele dividiu com Santa Catarina
Um dos momentos mais marcantes da carreira de Ayres aconteceu em 2019, quando o Jornal Nacional completou 50 anos e promoveu um rodízio de apresentadores das afiliadas da Globo nas edições de sábado. Foram 27 jornalistas convidados, um de cada estado e do Distrito Federal. Ayres representou o Acre, dividindo a bancada com Jéssica Senra, da Bahia. Santa Catarina foi representada por Fabian Londero, da NSC TV.
A participação deu visibilidade nacional ao trabalho dele e foi motivo de orgulho para o público acreano.
Uma carreira que começou por acaso
José Ayres de Souza Rocha nasceu e cresceu em Rio Branco. Passou a infância em uma casa na Rua Silvestre Coelho, no bairro Bosque. Era o caçula de uma família com nove filhos biológicos e duas filhas adotivas de Álvaro Vieira da Rocha, paraense, e Raimunda de Souza Rocha, natural de Xapuri, no interior do Acre.
A trajetória no jornalismo começou quase por acaso, em 1989. Na época, Ayres trabalhava como bancário pela manhã e procurava uma segunda ocupação para as tardes. Foi assim que surgiu a oportunidade na então TV Acre.
No início, passou meses observando o trabalho da redação, até receber um convite inesperado: substituir o apresentador de um programa esportivo que havia faltado. Mesmo com receio das câmeras, aceitou. Deu certo.
Depois disso, apresentou diferentes telejornais da emissora, passando pelas edições da manhã e da tarde, até assumir a bancada do JAC2, que estreou em 1995.
Ao longo dos anos, desenvolveu um estilo próprio, marcado pela voz inconfundível e pela serenidade diante das câmeras. Conhecido como “professor” pelos colegas de redação, buscou formação acadêmica na área ao ingressar no curso de Comunicação Social.
De segunda-feira a sábado, por mais de três décadas, ele levou as notícias do estado às casas acreanas e se tornou figura familiar para diferentes gerações.
Os últimos dias ao lado da família
Em relato emocionado, Elaina contou que o irmão aproveitou intensamente os últimos dias com os parentes. Segundo ela, Ayres permaneceu cercado pela família no hospital até a noite anterior à morte, quando ainda conseguiu brincar e fazer piadas por meio de gestos.
“Ele estava tão sereno ontem, tão bonito, tão feliz. Ele estava feliz porque estava vendo todo mundo lá, a família dele do lado dele”, lembrou.
Nota do governo do Acre
A governadora Mailza Assis divulgou nota de pesar e destacou a importância de Ayres para a comunicação local.
“Sua trajetória é parte da história da comunicação acreana. Com profissionalismo, dedicação e respeito ao público, conquistou a admiração de gerações e se tornou uma das figuras mais conhecidas e queridas da nossa televisão”, diz trecho da nota.
A governadora prestou solidariedade à esposa do jornalista, Waldenira, aos filhos Marcelo, Álvaro Neto e Luiza, e aos netos Maria Eliza, Miguel, Isaque, Heloise e Apolo.
Com informações do g1 Acre.




