Um marco da paisagem de Brasília perdeu a liderança de um ranking global que sustentou por quase três décadas. A bandeira nacional de 286 metros quadrados que fica no centro da Capital Federal foi reconhecida pelo Guinness World Records como a maior do planeta a partir de 1972, quando uma norma federal passou a exigir a exibição permanente do símbolo sobre a sede dos poderes da República. A soberania brasileira no livro dos recordes terminou nos anos 2000, momento em que nações do Oriente Médio e da Ásia Central iniciaram obras monumentais e ergueram mastros ainda mais altos. Hoje, a líder mundial fica em Baku, capital do Azerbaijão, onde uma bandeira com área dez vezes superior à de Brasília assumiu o posto máximo.
O recorde mundial no Azerbaijão
A líder do ranking global fica na Praça da Bandeira Nacional, em Baku. O Guinness atribui o título à peça azerbaijana por causa de seus 3.235 metros quadrados de área total, volume que superou com folga o marco histórico brasileiro. A corrida por mastros de grande porte também mobilizou governos da Arábia Saudita, do Egito e do Tajiquistão, que ergueram projetos gigantescos e distanciaram ainda mais o Brasil das primeiras posições internacionais.
O mastro de 100 metros na Praça dos Três Poderes
A estrutura erguida na capital brasileira atende a uma exigência legal aprovada em 1971, com o propósito de assegurar a visibilidade contínua da bandeira sobre os edifícios públicos federais. O arquiteto Sérgio Bernardes concebeu um suporte metálico de 100 metros de altura, dimensionado para superar a linha das coberturas do Congresso Nacional e permitir a visualização a quilômetros de distância. A sustentação foi projetada com 24 vigas que se unem no cume, representação física da quantidade de estados que existiam na época da inauguração.
O ritual militar de troca da bandeira
Pelas regras nacionais, o mastro central não pode permanecer desocupado em momento algum. Essa exigência determina a rotina cívica do primeiro domingo de cada mês, organizada em escala conjunta entre Marinha, Exército, Aeronáutica e Polícia Militar do Distrito Federal: o tecido antigo só desce depois que o novo atinge a ponta superior. O exemplar tem 20 metros de extensão por 14 metros de largura e sofre desgaste acelerado pelo sol e pelos ventos do cerrado, por isso, o material recolhido segue o protocolo da legislação cívica e é incinerado formalmente durante o Dia da Bandeira, dia 19 de novembro.
O tamanho das bandeiras estaduais pelo país
Nos estados, o tamanho das peças hasteadas nos palácios de governo segue as determinações de cada unidade da federação e a capacidade de sustentação dos mastros locais:
- São Paulo (1º lugar): as versões festivas reservadas para datas comemorativas no Palácio dos Bandeirantes cobrem entre 60 e 70 metros quadrados.
- Minas Gerais (2º lugar): o estandarte com o triângulo vermelho ocupa de 40 a 60 metros quadrados nos mastros da Praça da Liberdade e da Cidade Administrativa de Belo Horizonte.
- Rio de Janeiro (3º lugar): a peça institucional instalada no Palácio Guanabara mede entre 35 e 50 metros quadrados.
- Bahia (4º lugar): as solenidades no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador, utilizam exemplares de 30 a 45 metros quadrados.
- Rio Grande do Sul (5º lugar): a bandeira oficial instalada no Palácio Piratini registra entre 30 e 40 metros quadrados.
- Distrito Federal (6º lugar): No Palácio do Buriti, a flâmula local costuma variar de 25 a 35 metros quadrados.
- Demais estados (7º lugar): em capitais como Florianópolis, Curitiba, Recife, Fortaleza, Goiânia e Belém, os pavilhões governamentais adotam entre 20 e 35 metros quadrados, limite calculado para resistir ao impacto das rajadas de vento sem comprometer a estrutura.
*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.























