Considerada a maior favela do Brasil, a comunidade 26 de Setembro, localizada em Brasília, ocupa uma área de 993 hectares, proporção equivalente a quase 1.000 campos de futebol, e, atualmente, supera a área de mais de 2 mil cidades do país.
Em um estudo divulgado nesta quarta-feira (4), pela rede MapBiomas, a expansão dessa e outras comunidades no país ocorreu em ritmo superior ao crescimento da urbanização brasileira como um todo.
Estudo revela as três maiores favelas do Brasil em extensão territorial
As três maiores favelas brasileiras em área urbanizada estão concentradas em Brasília. Além da 26 de Setembro, que lidera o ranking com 993 hectares, o Sol Nascente aparece na segunda posição, com 831 hectares. Já o Morro da Cruz I e II ocupa o terceiro lugar, com 489 hectares.
Somadas, as três comunidades ocupam 2.313 hectares, o equivalente a 60% de toda a área urbanizada em favelas do Distrito Federal.
Como as favelas cresceram no Brasil nos últimos 40 anos
Conforme os dados apresentados pelo MapBiomas, a área urbanizada em favelas brasileiras passou de 60,2 mil hectares, em 1985, para 151,7 mil hectares, em 2025. O avanço foi de aproximadamente 152%, fazendo com que a extensão dessas comunidades aumentasse 2,5 vezes no período.
A expansão foi superior à registrada pela urbanização brasileira em geral, que cresceu 132%, passando de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares.
Atualmente, as favelas estão presentes em 651 municípios, o equivalente a 11,7% das cidades brasileiras. Das 12,3 mil comunidades identificadas, 60,3% da área urbanizada existente em 2025 surgiu depois de 1985. Além disso, 42,4% das favelas que já existiam naquele ano pelo menos dobraram de tamanho.
O Piauí apresentou o maior crescimento percentual de área urbanizada em favelas entre os estados, com aumento de 460%. Teresina concentrou 99% dessa expansão.
Já no ranking municipal de área total, Manaus lidera com 10.493 hectares distribuídos em 235 comunidades. Na sequência aparecem Belém (6.100 hectares), São Paulo (6.023 hectares), Salvador (5.607 hectares) e Rio de Janeiro (5.336 hectares).
Expansão das comunidades também reduziu a vegetação
O crescimento territorial das favelas também modificou a cobertura natural do solo. Em 54% da área dessas comunidades que surgiu entre 1985 e 2025, o terreno era anteriormente ocupado por formações naturais, como florestas.
A disponibilidade de vegetação dentro das comunidades também mudou em relação às demais áreas urbanizadas. Em 1985, as favelas tinham 43% mais vegetação por hectare urbanizado do que as áreas urbanas formais. Quatro décadas depois, a situação se inverteu: a disponibilidade passou a ser 15% menor.




