Máscaras escondem expressões faciais e deixam olhares em evidência

Necessárias para impedir a disseminação do coronavírus, as máscaras interferem em aspectos importantes da comunicação não-verbal

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Hoje, com a pandemia de coronavírus, boa parte do nosso rosto, um refinado aparato de comunicação, está oculta pelas mácaras (Foto: Diorgenes Pandini / NSC)

Faça uma experiência: da próxima vez em que conversar com um amigo pelo telefone – ou enviar um áudio no WhatsApp, recurso bem mais popular hoje em dia – tente se observar. Você provavelmente vai sorrir ao falar sobre uma coisa boa. Vai revirar os olhos ao contar sobre algo que tirou sua paciência; vai dar de ombros quando estiver comentando que não se importa mais com alguma coisa; vai franzir a testa ao dizer que algo o deixou confuso. Talvez até gesticule com os braços, com as mãos: se estiver explicando como seu amigo deve fazer para chegar até determinado lugar, vai apontar e “desenhar” o caminho no ar, como se a conversa estivesse acontecendo cara a cara.

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– Isso é automático: faz parte da nossa espécie – explica o psicólogo Eduardo José Legal, professor do curso de psicologia da UNIVALI, em Itajaí (SC), ao comentar por que continuamos gesticulando e fazendo expressões faciais mesmo em momentos em que nada disso parece ter serventia. – Bebês com vinte e quatro horas de vida já são capazes de demonstrar uma série de expressões faciais; e reconhecem bem algumas delas, como o sorriso ou a falta dele. Se você ficar muito sério encarando um bebê, ele facilmente começa a chorar. Ou seja, ele já responde expressões faciais de forma socialmente adequada.

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Faça uma experiência: da próxima vez em que conversar com um amigo pelo telefone, tente se observar. Você provavelmente vai sorrir ao falar sobre uma coisa boa. Vai revirar os olhos ao contar sobre algo que tirou sua paciência; vai franzir a testa ao dizer que algo o deixou confuso. Nossas expressões dizem muito daquilo que queremos transmitir. No momento em que a pandemia de coronavírus esconde boa parte de nossos rostos, os olhos se tornaram ainda mais importantes quando queremos nos comunicar. Você já parou para pensar em quanta coisa podemos transmitir pelo olhar? ⁣ ⁣ ⁣ Fotos: Diorgenes Pandini / NSC Total⁣ ⁣ Acesse nsctotal.com.br ou o link da bio e leia a reportagem completa.

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Segundo o especialista, as expressões faciais fazem parte de um “sistema geral de comunicação” inerente aos seres humanos. 

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– Elas têm como principal finalidade a demonstração de afetos e do estado motivacional do sujeito para o mundo – afirma o professor. – Acredita-se que, antes do surgimento da comunicação verbal, já havia comunicação não-verbal; especialmente comunicação facial. Nosso rosto é todo preparado para isso: ele tem uma série de adaptações que outros animais não apresentam, pelo menos não na mesma extensão. Nossa diversidade de movimentos faciais é muito maior mesmo do que a de outros animais próximos, como chimpanzés e gorilas. Isso evidencia que, ao longo do processo de evolução, essas características se mostraram fundamentais.

Hoje, com a pandemia de coronavírus, boa parte desse refinado aparato de comunicação está oculta pelas máscaras – que protegem quem usa e quem está por perto de contaminações, e por isso, é claro, são bem-vindas e necessárias. Mas interferem de fato na interação; mesmo que os seres humanos tenham outros recursos para demonstrar sentimentos e intenções. 

– Nós também comunicamos com outras partes do corpo, por meio de gestos ou posturas; mas esse tipo de comunicação é menos universal. Varia de acordo com a cultura, por exemplo, com o que é aprendido socialmente. A expressão facial, não: já é um programa que vem pré-instalado na gente, uma ferramenta que nos permite decodificar emoções – diz.

A interação com o rosto parcialmente coberto pelas máscaras encontra certa semelhança com aquela feita online por meio de textos – não à toa, os emoticons (os pictogramas criados por meio dos sinais de pontuação) e emojis (os ícones ilustrados já embutidos nos aplicativos e redes sociais) nos acompanham desde o surgimento dos primeiros “bate-papos pela internet”. 

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– O emoji indica qual expressão facial acompanha uma frase que foi dita. Com isso fica mais fácil saber em que tom a outra pessoa está falando, ou qual a exata intenção dela ao dizer alguma coisa – frisa.

Na falta de sorrisos (e de emojis), os seres humanos andam recorrendo muito mais a uma parte do rosto que às vezes é considerada, por assim dizer, íntima demais: os olhos. Quem não conhece uma pessoa tímida que normalmente evita encarar os outros diretamente nos olhos? Com as máscaras, os olhos passam a ser a única parte expressiva do rosto que permanece à mostra; e são mais buscados por outros olhos em busca de informações e significados – mesmo que sejam, por assim dizer, bem mais sutis que o nariz e a boca.

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– Existem experimentos que mostram que, se você cobrir só a metade inferior do rosto de uma pessoa, um observador tem muito mais dificuldade de entender qual emoção aquela pessoa está expressando do que se você cobrir só a metade superior do rosto – afirma o professor Eduardo. – A boca e o nariz produzem expressões mais explícitas, por assim dizer; além de microexpressões, que muitas vezes nem são percebidas conscientemente, mas influenciam a interação. Crianças, especialmente, fazem a decodificação de emoções usando a metade inferior do rosto; adultos, dependendo do caso, passam a recorrer também aos olhos.

Mesmo mais enigmáticos, os olhos são as famosas “janelas para a alma” a que precisamos recorrer enquanto o resto do rosto permanece oculto e protegido. Nos comunicamos por eles, e, é claro, também por meio de gestos, palavras ou sinais. Mas as palavras e sinais, tirando raras exceções, são calculados; bem diferente do que acontece com nossos olhares e expressões faciais. O psicólogo Eduardo José Legal resume: 

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– É muito mais fácil mentir com palavras.