Ainda de fraldas, Ardi Rizal segurava um cigarro entre os dedos com a familiaridade de um adulto. Sentado no chão, soltava a fumaça enquanto pessoas, incrédulas, observavam a cena. As imagens gravadas na Indonésia circularam pelo mundo em 2010 e revelaram um caso extremo de dependência infantil.
Ardi tinha apenas 2 anos e fumava até 40 cigarros diariamente, o equivalente a dois maços. O hábito começou depois que o próprio pai lhe ofereceu o primeiro cigarro. Com o tempo, o menino passou a procurar pontas descartadas no chão e reagia com irritação quando a família tentava impedi-lo de fumar.
Dezesseis anos depois, novas imagens mostram uma realidade diferente. Aos 18 anos, Ardi afirma que abandonou a nicotina e procura manter uma rotina saudável, marcada pelo controle da alimentação e por escolhas que contrastam com a infância exposta mundialmente.
Dependência começou cedo
O primeiro contato com o cigarro teria ocorrido quando Ardi tinha cerca de 18 meses. O hábito rapidamente se transformou em dependência, enquanto o acesso facilitado ao tabaco permitia que a criança fumasse dezenas de cigarros durante o dia.
Quando os familiares tentavam retirar os produtos, Ardi apresentava crises de irritação e chegava a bater a cabeça. A gravidade do caso chamou a atenção do Ministério do Empoderamento da Mulher e da Proteção Infantil da Indonésia, que passou a acompanhar a situação.
Com a intervenção das autoridades, o menino iniciou um processo de reabilitação. Profissionais trabalharam formas de controlar a ansiedade e reduzir gradualmente a dependência. O tratamento permitiu que Ardi deixasse os cigarros, mas revelou outro comportamento compulsivo.
Cigarros deram lugar à comida
Depois de parar de fumar, Ardi passou a buscar conforto na alimentação. A compulsão fez o menino ganhar peso rapidamente e levou a família a procurar novamente acompanhamento especializado.
A recuperação, portanto, não terminou quando ele apagou o último cigarro. Ardi precisou aprender a reconhecer os momentos de ansiedade e a substituir os antigos hábitos por uma rotina mais equilibrada.
Segundo a reportagem, o jovem atualmente mantém uma alimentação baseada principalmente em peixes e verduras. A mudança ajudou a controlar o peso e a preservar os resultados alcançados durante a reabilitação.
Caso expôs problema nacional
A história de Ardi ganhou repercussão porque ultrapassava a situação de uma única família. O caso expôs o acesso de crianças ao tabaco em um país onde os cigarros baratos e a venda avulsa permaneceram comuns durante muitos anos.
Em 2024, a Indonésia elevou de 18 para 21 anos a idade mínima para a compra de cigarros. O governo também proibiu a venda de unidades avulsas e restringiu a comercialização nas proximidades de escolas e parques infantis.
Mesmo com as novas regras, o tabagismo entre os jovens continua preocupando as autoridades. Uma pesquisa do Ministério da Saúde apontou que pessoas de 10 a 18 anos representavam 7,4% dos aproximadamente 70 milhões de fumantes do país, conforme informações.
Vida distante do cigarro
Atualmente, Ardi aparece nas redes sociais com uma aparência muito diferente da registrada em 2010. Cigarros já não faz parte de sua rotina, enquanto a preocupação com a alimentação ocupa um espaço importante em seu cotidiano.
A transformação não apaga a gravidade do que aconteceu durante sua infância, mas mostra o impacto que a intervenção profissional e o acompanhamento familiar podem produzir. O mesmo menino que ficou conhecido por fumar dois maços por dia agora procura levar uma vida distante da dependência que marcou seus primeiros anos.
Jean Lindemute





