Naufragado há mais de 100 anos no canal portuário de Itajaí, a saga do navio Pallas pode estar se aproximando do fim. Isso porque o Porto de Itajaí planeja realizar um mergulho técnico para vistoriar os destroços e reunir as últimas informações necessárias para definir como a embarcação será retirada.
Inicialmente, a operação estava prevista para essa quarta-feira (12), mas foi adiada devido às condições climáticas adversas e ainda não tem uma nova data definida. De acordo com a Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), o mergulho representa a última etapa de campo dos estudos desenvolvidos em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), para viabilizar a remoção do navio.
O trabalho é coordenado pelo diretor do Museu Oceanográfico da Univali, professor Jules Soto, pesquisador que já participou de estudos científicos sobre o naufrágio. O convênio firmado entre a universidade e a SPI prevê um investimento de R$ 310 mil e inclui inspeções subaquáticas, sondagens e análises estruturais.
Para Artur Antunes Pereira, superintendente do complexo portuário, a retirada do Pallas representa uma etapa estratégica para preparar a estrutura portuária para o crescimento do terminal nos próximos anos.
A remoção do Pallas é uma etapa estratégica para o futuro do Complexo Portuário. Estamos eliminando um obstáculo histórico para avançar no aprofundamento do canal, receber navios de maior porte e aumentar a nossa competitividade. Mais do que uma obra, estamos dando segurança ao mercado de que o Complexo Portuário de Itajaí está se preparando para crescer, receber novos investimentos e continuar entre os principais complexos portuários do Brasil

De acordo com registros, o Pallas afundou em 1893, no rio que separa as cidades de Itajaí e Navegantes, durante a Revolta Armada. E, apesar de ter valor histórico, os destroços, partidos ao meio, dificultam a navegação de grandes embarcações no canal portuário da cidade.
Com a retirada da estrutura, a expectativa é que o terminal amplie as condições de navegabilidade do canal e prepare o complexo para receber embarcações de maior porte. Apesar de ser uma etapa considerada fundamental, ainda não há prazo estimado para o início ou conclusão dos trabalhos.
Navio naufragou há mais de 130 anos
A embarcação foi construída na Inglaterra em 1891, e era considerada moderna para a época. O navio era usado para carregar alimentos e passageiros entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, com passagens por Itajaí, provavelmente para abastecimento.
O Pallas afundou em 25 de outubro de 1893. Acredita-se que o naufrágio aconteceu após o comandante se recusar a apoiar os revoltosos que tentavam derrubar Floriano Peixoto. Além disso, o navio também foi saqueado e perdeu objetos de valor
Após o naufrágio, os destroços permaneceram submersos por mais de um século e só foram identificados novamente em 2017, durante trabalhos de dragagem para a implantação da nova bacia de evolução. Levantamentos realizados posteriormente apontaram que a embarcação está partida ao meio e possui estruturas metálicas e fragmentos de madeira espalhados pelo leito do rio.
Desde então, a presença do Pallas passou a ser um obstáculo para os planos de expansão do Complexo Portuário de Itajaí. A futura retirada dos destroços deve liberar a área para o aprofundamento do canal e a ampliação da bacia de evolução, permitindo a operação de navios de maior porte.

























