Conhecida pelas roupas de surfe e pelos acessórios esportivos, a Mormaii se uniu à LifesHub, empresa de tecnologia de Florianópolis, para desenvolver uma plataforma de dispositivos conectados para melhorar o sono. Uma das criações é um anel, produzido com cerca de R$ 3,5 milhões em investimentos.
Anéis e pulseiras que acompanham o descanso enquanto os usuários dormem passaram a dividir espaço com relógios e alianças, como acessórios funcionais. Para atletas ou pessoas que precisam acompanhar metas, resultados e o ritmo de corridas, acompanhar a trajetória da noite de sono também é importante.
Por isso, a Mormaii e a LifesHub se juntaram e criaram uma plataforma que conecta dois dispositivos: um anel e uma pulseira da linha Mormaii + Saúde. O projeto levou aproximadamente dois anos e envolveu cerca de 35 profissionais.
A proposta é disputar espaço na categoria já ocupada por empresas como Oura, Samsung e Whoop. A aposta brasileira combina preços de R$ 1.179 para o anel e R$ 895 para a pulseira com acesso ao aplicativo sem mensalidade para o consumidor.
O que os dispositivos fazem
A novidade da parceria está na estrutura desenvolvida para reunir e utilizar suas informações. No novo projeto, os sensores são importados, enquanto o desenvolvimento do software e a integração dos dados ficam com a estrutura brasileira. Segundo Paes Junior, fundador da LifesHub, o investimento no projeto foi direcionado à plataforma, à interoperabilidade entre sistemas, ao processamento das informações e à segurança e governança dos dados.
O aplicativo reúne informações de sono, atividade física e recuperação com dados coletados pelos dispositivos. O anel também apresenta variações de temperatura em relação ao padrão habitual do usuário e um calendário menstrual para registro de informações e estimativas do ciclo. Os recursos são voltados ao bem-estar, mas não substituem avaliação médica.
“Queremos que a tecnologia ajude as pessoas a compreender melhor a própria rotina sem criar mais uma tela disputando sua atenção. O dispositivo coleta as informações, mas é a integração desses dados que permite construir uma experiência contínua”, afirma Paes Junior.
Os dois acessórios usam o mesmo aplicativo. Segundo a empresa, o sistema foi preparado para permitir o compartilhamento das informações com profissionais escolhidos pelo usuário e a integração com softwares de consultórios, mediante autorização. A LifesHub desenvolveu o software com exclusividade para a Mormaii, afirma o CEO.
Os acessórios diferem de outros no mercado porque não cobram pela assinatura que libera a experiência completa de seu aplicativo. Nos Estados Unidos, o serviço da Oura custa US$ 5,99 por mês, além da compra do anel.
A ideia é comercializar os produtos para consumidores e organizações como empresas, clínicas e equipes esportivas, contratando o acesso à plataforma como serviço, com os equipamentos incluídos no pacote, segundo Tomazzoni.
“A Mormaii, especificamente, hoje tem mais de 50 mil pontos ativos no Brasil, só que envolve relojoarias, sapatarias, lojas de surfe, Renner, Centauro. Então esse produto não é colocado dessa maneira, até porque é um tíquete médio diferenciado”, afirma Tomazzoni.
A expansão será gradual, concentrada inicialmente em canais digitais do Mormaii + Saúde e em públicos que já se relacionam com a marca. A ambição de longo prazo é alcançar 10 milhões de vendas.
Por que as marcas querem acompanhar o sono
A Mormaii, fundada pelo médico Marco Aurélio Raymundo, conhecido como Morongo, começou a produzir roupas de neoprene, uma borracha sitética, para enfrentar a água fria de Garopaba, em Santa Catarina. Anos depois, a marca ampliou sua atuação para outras modalidades, acessórios e serviços, incluindo uma rede de estúdios de exercícios.
Além dele, Valter Tomazzoni, head do Mormaii + Saúde, na empresa desde 1997, fundou a divisão de óculos e acompanhou a transição da marca associada ao surfe para um portfólio esportivo mais amplo. Agora, a intenção é usar essa identificação com movimento e vida ao ar livre para apresentar uma ferramenta de acompanhamento da rotina.
Para o médico radiologista, Paes Junior, fundador da LifesHub, a parceria acompanha uma mudança de comportamento. Além da utilidade para acompanhar hábitos, os dispositivos ganharam uma dimensão de pertencimento em círculos corporativos.




