Os dois meninos eram muito parecidos, mas havia entre eles uma diferença invisível. Haviam dividido a mesma gestação, nasceram juntos e eram gêmeos. Ainda assim, um exame de DNA estava prestes a revelar um fato estranho: eles eram filhos de pais diferentes.
A jovem mãe de Mineiros, no sudoeste de Goiás, e seu companheiro fizeram um teste de DNA que revelou que ele era pai de apenas uma das crianças. Foi então que ela se lembrou de ter tido relações sexuais com outro homem no mesmo dia em que esteve com o companheiro.
“Eu fiquei surpresa com os resultados. Não sabia que isso podia acontecer.”
Contou a mulher, que não foi identificada na época, em relato ao g1.
Dois óvulos, dois pais
Gêmeos fraternos, ou dizigóticos, surgem quando dois óvulos diferentes são fecundados por dois espermatozoides diferentes. Normalmente, os dois espermatozoides pertencem ao mesmo homem. No fenômeno chamado superfecundação heteroparental, isso muda.
É preciso que dois óvulos estejam disponíveis no mesmo período fértil e que relações com parceiros diferentes ocorram dentro dessa janela curtíssima. Assim, cada óvulo pode ser fecundado pelo espermatozoide de um homem diferente, formando dois embriões na mesma gestação.

Quão raro é?
O médico Túlio Jorge Franco, que acompanhou o episódio em Mineiros, afirmou à época que aquele seria o 20º caso conhecido no mundo e que havia apenas outros dois registros deste tipo raro de nascimento no Brasil. A equipe pretendia documentar cientificamente a ocorrência.
Em 2020, pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia publicaram outro caso confirmado por marcadores genéticos e observaram que a superfecundação heteroparental é raramente identificada em humanos.
Porém, ninguém conhece com precisão a incidência na população geral, principalmente porque o fenômeno só costuma aparecer quando há razão para testar geneticamente os dois gêmeos.







