“O corpo dele ainda está onde ele morreu”: Família de jovem que morreu na Ucrânia vive drama e busca respostas

De Camboriú, Paulo Ricardo Dutra morreu durante missão na guerra da Ucrânia: família tenta recuperar corpo

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Família de Camboriú vive dias de angústia após morte de jovem na Ucrânia (Foto: Redes Sociais, Reprodução)

Em meio ao luto, a família do jovem de Camboriú que morreu durante uma missão na guerra da Ucrânia precisa lidar com a incerteza e a falta de respostas. Paulo Ricardo Dutra, de 24 anos, morreu no domingo (13), após pisar em uma mina terrestre. Segundo familiares, cinco dias depois, o corpo ainda permanece no local onde ele foi atingido e a morte não foi oficialmente reconhecida pelo governo ou pelas forças de segurança

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De acordo com Josué do Amaral, tio de Paulo, a família tem enfrentado dificuldades para conseguir informações sobre o caso. “O trâmite está complicado, porque a morte dele não foi confirmada pelo governo ucraniano, pela unidade dele, pelo comando da unidade, por nada nada. O corpo dele ainda está lá onde ele morreu, ele não foi resgatado”, desabafa.

Segundo Josué, a morte foi comunicada à família por amigos que estavam com Paulo no momento do incidente. Dois deles estão hospitalizados e os demais integrantes da equipe ainda não teriam retornado da missão, o que dificulta o acesso da família a novas informações sobre o caso.

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Paulo morreu na Ucrânia, aos 24 anos

Enquanto a família tenta entender como será possível retirar o corpo da região do conflito, os parentes de Paulo poderão ter que enfrentar mais um obstáculo. Segundo o tio, diante da quantidade de mortos na região, existe a possibilidade de ser necessário realizar um exame de DNA para confirmar oficialmente a identidade do jovem, processo que pode atrasar ainda mais o traslado do corpo de Paulo para o Brasil.

Jovem sonhava em seguir carreira militar

A ida para a Ucrânia fazia parte do sonho que Paulo tinha de seguir carreira militar. Segundo a família, ele chegou ao país no dia 11 de junho de 2026 com esse objetivo, apenas três meses e dois dias antes de falecer.

Antes disso, o jovem havia morado na Espanha e chegou a se alistar no Exército espanhol. Ele, porém, retornou ao Brasil para fazer um tratamento odontológico. Nesse período, conheceu pela internet um recrutador que o convidou para ir à Ucrânia.

Antes da viagem, Paulo trabalhava como atendente em uma loja de materiais de construção em São Francisco do Sul.

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Para Para Josué, a perda também é difícil de aceitar porque Paulo ainda era jovem e tinha outras possibilidades para construir uma carreira no Brasil. “Ele era bem novo, tinha várias chances de ser militar aqui também. Podia fazer concurso, se preparar e seguir uma carreira aqui. A gente falou, avisou, conversou, mas foi uma decisão dele”, lamenta.

Paulo morreu após pisar em uma mina terrestre

Natural de Camboriú, Paulo Ricardo Dutra, de 24 anos, morreu após pisar em uma mina terrestre, segundo relatos de colegas de combate repassados aos familiares. Enquanto busca formas de retirar o corpo da zona de combate, a família também lida com a perda. Nas redes sociais, a mãe de Paulo publicou uma mensagem de despedida ao filho. “Meu filho, não aceito que você se foi. Nunca mais vou te ver, te amarei eternamente”, escreveu.

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De acordo com relatos de colegas de combate repassados aos familiares, Paulo perdeu parte de uma das pernas após a explosão e morreu devido a perda de sangue. Mesmo gravemente ferido, ele ainda conseguiu conversar com os companheiros que estavam no local.

Paulo atuava no socorro dos integrantes do grupo e, no momento em que foi atingido, os colegas não conseguiram chegar até ele por causa das condições de segurança. “Ele era o cara que fazia o socorro e o pessoal não conseguiu socorrer ele, mas ele conseguiu conversar com o pessoal ainda. Ele pediu para mandar um abraço para a mãe dele, para nós” destacou o tio.

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Corrida contra o tempo busca trazer o corpo do jovem ao Brasil

Diante do drama vivido, os familiares procuram orientação para entender quais são os procedimentos necessários para retirar o corpo da zona de conflito e fazer o traslado para Santa Catarina.

A família está em contato com uma advogada e também pretende buscar ajuda de um especialista em Direito Internacional. O objetivo é encontrar uma forma de viabilizar a retirada do corpo e avançar com os procedimentos necessários para a confirmação oficial da morte e da identidade do catarinense.

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Ao G1, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que acompanha o caso e presta assistência consular à família. A Embaixada do Brasil em Kiev atua junto às autoridades locais para obter confirmações oficiais sobre o ocorrido.

Leia a nota do Itamaraty na íntegra

O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil em Kiev, tem conhecimento do caso e está em contato com a família, a quem presta assistência consular. A Embaixada busca obter mais informações e eventual confirmação do ocorrido junto às autoridades locais.

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A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seguinte seção do Portal Consular do Itamaraty: https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/assistencia-consular

Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros.

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Note-se que a prestação de assistência consular em situações que envolvem nacionais engajados em forças armadas de terceiros países apresenta especificidades inerentes às obrigações contraídas no ato de alistamento e às circunstâncias no terreno de operações.