O segredo na base da maior escultura de Chapecó que quase ninguém conhece

Criado nos anos 1980 por Paulo de Siqueira, "O Desbravador" guarda acervo histórico sob os pés da gigante estrutura de ferro

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Desbravador Chapecó

Com 14 metros de altura e nove toneladas, “O Desbravador” foi inaugurado em 1981 (Foto: Prefeitura de Chapecó, Divulgação)

Quem passa pelo Centro de Chapecó dificilmente deixa de notar a imponente escultura localizada no canteiro central da Avenida Getúlio Vargas, ao lado da Catedral Santo Antônio. Com 14 metros de altura, 5,70 metros de largura e cerca de nove toneladas, o Monumento O Desbravador se tornou, ao longo de mais de quatro décadas, um dos maiores símbolos da cidade.

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Mas a história da gigantesca figura de ferro e aço começou com uma ideia apresentada no início da década de 1980. Em 1980, o fotógrafo Victorino Biazio Zolet, por meio do Lions Clube de Chapecó, encaminhou ao então prefeito Milton Sander uma proposta para a construção de um monumento em homenagem aos chamados “desbravadores”, responsáveis pela colonização e pelo desenvolvimento da cidade e de parte do Oeste catarinense. A intenção também era criar um marco visual que ajudasse a representar Chapecó.

A proposta foi aceita e a missão de transformar a ideia em uma obra monumental ficou a cargo do artista plástico Paulo de Siqueira, que havia se estabelecido em Chapecó na década de 1970 e se tornaria um dos nomes mais importantes das artes plásticas da região Sul.

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O que representa a figura do Desbravador?

A escultura retrata um homem com características associadas à figura do gaúcho. Na mão direita, ele segura um machado, símbolo do trabalho e do esforço dos pioneiros. Na outra mão, carrega um ramo de louro, elemento que representa a conquista e a vitória.

Construído em ferro e aço sobre uma base de pedras e concreto, o monumento foi pensado como uma homenagem aos colonizadores que enfrentaram dificuldades para ocupar e desenvolver a região. Para o município, a obra passou a representar também ideias de progresso, trabalho e desenvolvimento que ajudaram a moldar a identidade local.

A escolha pelo tamanho monumental também não foi por acaso. A ideia inicial era de uma obra menor, mas a proposta ganhou proporções maiores durante o processo de construção. O resultado foi uma escultura que, décadas depois, continua sendo facilmente identificada por moradores e visitantes.

Inauguração marcou aniversário de Chapecó

O Desbravador foi inaugurado em 25 de agosto de 1981, durante as comemorações do aniversário de emancipação político-administrativa de Chapecó. A data também marcou um período em que a cidade buscava consolidar símbolos capazes de representar sua história e sua identidade.

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Desde então, a escultura passou a ocupar posição central na paisagem urbana. Ao longo dos anos, deixou de ser apenas um monumento comemorativo e se transformou em cartão-postal e ponto de referência geográfica e cultural de Chapecó.

A força do símbolo é tamanha que o nome também passou a identificar homenagens concedidas no município. Em 2026, por exemplo, a Câmara de Vereadores utilizou a denominação Medalha de Honra ao Mérito “O Desbravador” para reconhecer personalidades que contribuíram para a construção e o desenvolvimento de Chapecó.

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Monumento precisou passar por restaurações

Por ser construído principalmente com ferro e aço e ficar exposto ao sol, à chuva e às variações climáticas, O Desbravador precisa passar periodicamente por trabalhos de manutenção e restauração.

Em 2022, a obra passou por uma ampla intervenção, que incluiu reparos em pontos de oxidação, reforços estruturais, substituição de chapas e peças e uma nova pintura. A restauração foi concluída antes do aniversário de 105 anos do município, quando o monumento foi reinaugurado.

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O monumento também é oficialmente protegido como patrimônio histórico-cultural de Chapecó. O tombamento foi formalizado pelo Decreto nº 38.545, de 27 de fevereiro de 2020, garantindo a preservação do conjunto para as próximas gerações.

O segredo na base do monumento

Muita gente passa diariamente pelo monumento sem saber que, na sua base, existe outro espaço dedicado à história do artista que o criou. O local abriga o Memorial Paulo de Siqueira, onde são preservados e apresentados trabalhos, documentos, esboços e outros registros relacionados à trajetória do artista.

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Paulo de Siqueira nasceu em Soledade, no Rio Grande do Sul, em 1949, e construiu em Chapecó uma parte importante de sua carreira. Sua produção incluiu pinturas, desenhos, esculturas e monumentos, com obras presentes em diferentes espaços públicos e acervos. O Desbravador, no entanto, se tornou sua criação mais reconhecida na cidade.