“Obra inconfundível”: Joinville se despede de Juarez Machado, artista que marcou gerações com humor e irreverência

Entidades, artistas e admiradores da sua arte compartilharam sentimentos e relembraram sobre seu legado

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Juarez Machado morreu nessa terça-feira (6) (Foto: Prefeitura de Joinville, Divulgação)

A tarde chuvosa em Joinville veio com a notícia de uma perda simbólica para a cidade: a morte do artista plástico Juarez Machado aos 85 anos. O pintor, que enfrentava um quadro de Alzheimer, havia sido diagnosticado com pneumonia e estava em cuidados médicos desde semana passada, no interior do Rio de Janeiro. A morte foi confirmada nessa terça-feira (6) pela família de Juarez.

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Entidades, artistas e admiradores compartilharam sentimentos e relembraram sobre seu legado. A Prefeitura de Joinville decretou luto na cidade. Nascido em 16 de março de 1941, o joinvilense ganhou o mundo com seus trabalhos que uniam um traço característico, seu senso de humor sagaz, descontraído e irreverente.

Descrito como um “cidadão do mundo”, Juarez levou seu trabalho para diferentes países, como Nova York, França e Itália. Mas, com ele sempre carregava as lembranças da cidade da chuva e das bicicletas.

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Cidade se despede de Juarez Machado

Em Joinville, o Instituto Juarez Machado guarda a memória do artista. O museu, fundado pelo próprio Juarez e pelo seu irmão Edson Busch Machado, era parte de uma promessa que o artista havia feito quando saiu de Joinville para estudar. Ele queria voltar e abrir esse espaço, onde seria possível produzir, aprender e compartilhar sobre arte.

“O Instituto, que preserva e difunde o seu legado, une-se a familiares, amigos, admiradores e a toda a comunidade cultural neste momento de dor e gratidão por uma vida dedicada à arte”, escreveu. Em respeito a sua memória, o Instituto afirmou que estará fechado de 7 a 10 de outubro.

O legado de Juarez também foi lembrado pela prefeita Rejane Gambin.

“Joinville é grata ao legado de Juarez Machado à cultura e às artes. Ele ajudou a levar o nome de Joinville para o Brasil e o mundo, deixando sua marca como um artista talentoso. Juarez será sempre lembrado pelas suas obras, personalidade marcante e irreverência. Nossos sentimentos à família, amigos e toda a comunidade artística”, destaca a prefeita, que decretou luto oficial de três dias na cidade.

Em 2015, Juarez Machado foi homenageado com a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca, a maior honraria concedida pela cidade de Joinville, por suas contribuições para o engrandecimento de Joinville. Em 1982, recebeu o título de Cidadão Benemérito pela Câmara de Vereadores de Joinville.

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Para Professora e Doutora Alena Rizi Marmo, coordenadora do curso de Artes Visuais da Univille, Juarez foi um dos grandes nomes da arte, que levou também Joinville para o mundo. “Ele foi desenhista, pintor, escultor, cenógrafo, caricaturista, mímico. Ele foi um artista que transitou com a mesma vitalidade pela tela, pelo bronze, pelo palco. Na década de 70, em um quadro que ele teve no Fantástico na TV Globo, ele encantou o país”, diz.

Para ela, o artista nunca deixou de viver na memória da cidade e, apesar da grande perda, seu legado permanece.

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“Uma obra colorida, irônica, inconfundível, que marcou o tempo dele. Ele encantou o país e foi dali que o nome de Joinville viajou junto com ele. Talvez a maior obra não esteja em uma tela, mas de ter mostrado ao Brasil e ao mundo que aqui, Joinville, também produz arte”, compartilhou.

O Joinville Esporte Clube também emitiu uma nota de pesar em decorrência da morte do artista. “A história de Juarez Machado se confunde com a própria identidade cultural de Joinville. Seu legado permanece na arte, na memória e no patrimônio cultural da cidade que o viu nascer e que tantas vezes foi retratada por seu olhar”, escreveu.

De Joinville para o mundo

Juarez Machado nasceu em Joinville no dia 16 de março de 1941. Juarez começou a se aventurar nas artes plásticas ainda muito cedo. Seu primeiro emprego, em 1958, foi como designer gráfico no Laboratório Catarinense, onde criou diversos rótulos e embalagens de remédios. Nessa época também produziu materiais para o Almanaque Renascim.

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Aos 19 anos, decidiu dar um passo além e foi estudar na Escola de Belas Artes em Curitiba, capital do Paraná. No início dos anos 80, Juarez Machado se mudou para Paris, capital da França, e fixou residência em Montmartre, onde ficou localizado o seu principal atelier. Desde então ele não voltou mais a morar em Joinville.

Contudo, conforme registrado no documentário “Juarez Machado – Memórias e Reflexões”, a cidade sempre esteve presente na sua caminhada. A fundação do Instituto foi uma promessa que fez para si mesmo. “Saí de Joinville, mas Joinville não sai de mim”, foram palavras de Juarez.

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O documentário está em exibição pela cidade. Na última terça-feira (30), ganhou as telas do teatro que leva o nome do próprio artista: o teatro Juarez Machado, anexo ao Centreventros Cau Hansen. Jay Alan Thomas, diretor do Instituto e produtor do documentário, explica que uma das propostas com o filme é justamente aproximar o público das histórias e dos bastidores que moldaram a obra de Machado.

“A gente recebe muitas crianças no Instituto Juarez Machado, estudantes de escolas públicas, particulares e eles sempre vem com perguntas como: ‘ah, ele é joinvilense?’ ou ‘como ele iniciou a carreira dele?’ e diante disso pensamos: porque a gente não faz um documentário e veiculamos para todos os joinvilenses? E assim surgiu a oportunidade, quando concorremos no edital do Simdec, a lei de incentivo cultural do município, e fomos contemplados”, disse.

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A produção mostra falas e depoimentos de Juarez e ainda escutou amigos e familiares de Juarez, que relembraram sobre seu jeito sagaz, engraçado e gentil. Além disso, relembrou momento icônicos da sua vida como as participações do Fantástico, da TV Globo, suas exposições e a abertura do Instituto em Joinville. A programação de exibição ainda prevê mais três sessões:

  • 9 de outubro: 15h, no CEU Aventureiro
  • 10 de outubro: 11h e 14h, no Instituto Internacional Juarez Machado
  • 13 de outubro: A partir das 19h30, no Paradigma Cine Arte (Rodovia José Carlos Daux, 8600 – Bloco 2, Sala 2)