Obras contra enchentes anunciadas há um ano em Blumenau ainda não começaram

Prefeitura aponta exigência de estudos técnicos e mudança em projeto para explicar atraso; recursos para as intervenções estão garantidos.

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Programa foi lançado em uma solenidade com Egidio Ferrari e Jorginho Melo (Foto: Arquivo NSC)

As obras contra enchentes com desassoreamento de rios, ribeirões e até a construção de um canal extravasor, anunciadas há um ano em Blumenau, ainda não começaram. O programa lançado pela prefeitura, em parceria com o governo do Estado, previa um investimento de R$ 12 milhões em sete ações (veja lista completa abaixo).

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Parte do dinheiro (cerca de R$ 8,4 milhões) viria do cofre estadual. O restante, na casa dos R$ 3,6 milhões, sairia do município. A prefeitura garante que, apesar de nenhuma ter saído do papel até o momento, os recursos estão garantidos. São duas explicações para o atraso: exigência de estudos prévios para as intervenções nos rios e ribeirões e a conclusão de que uma das obras anunciadas não seria a ideal.

O entrave no desassoreamento de rios e ribeirões

Quando o programa foi lançado em uma solenidade com Egidio Ferrari (PL) e Jorginho Mello (PL), a proposta era desassorear 41,6 quilômetros de rios e ribeirões em diferentes regiões da cidade. O anúncio ocorreu no dia 7 de novembro de 2025. Agora, passado um ano, a prefeitura diz que ainda está montando o edital de licitação que vai definir a empresa responsável pelos estudos técnicos.

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Essa passou a ser uma exigência do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC) em março de 2026, para garantir a “efetividade comprovada quanto à prevenção de enchentes”. A Defesa Civil de SC montou, então, uma cartilha para orientar as prefeituras na elaboração desses projetos e, posteriormente, iniciarem a licitação.

Só quando essa etapa estiver finalizada, a prefeitura ainda terá de buscar as licenças ambientais para, aí sim, começar a executar o desassoreamento. Na prática, não há prazo para quando as obras devem começar, mas a prefeitura diz que tem feito o possível para iniciá-las “o quanto antes”.

“A administração municipal reitera que segue trabalhando para que essas obras iniciem o quanto antes, sempre prezando pela transparência, pelo uso correto do dinheiro público e para que as obras sejam realmente eficientes e tragam segurança aos moradores”, diz nota.

Trechos previstos para desassoreamento em Blumenau

Rio do Testo
Extensão: 10 km – das proximidades da Rodovia SC-421 (perto do limite com Pomerode) até o Rio Itajaí-Açu
Largura média: 20,3 metros
Valor: R$ 3.515.106,65

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Ribeirão Garcia
Extensão: 9,5 km – da esquina das ruas Júlio Heiden e Rui Barbosa até o Rio Itajaí-Açu.
Largura média: 14,8 metros
Valor: R$ 2.470.746,60

Rio Massaranduba
Trecho 1: 1,3 km, com largura média de 4 metros – das proximidades da Rua Henrique Conrad até a Rua Emil Manke Sênior
Trecho 2: 377 metros, com largura média de 5,65 metros – na região da Rua Emil Manke Sênior
Valor: R$ 130.684,00

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Ribeirão Fortaleza
Trecho: 4,4 km – do Dique da Fortaleza até a altura do número 3.045 da Rua Francisco Vahldieck
Largura média: 4,12 metros
Valor: R$ 323.267,84

Ribeirão Itoupava
Trecho: 9,2 km – da ponta da Rua Felippe Jensen até o Rio Itajaí-Açu
Largura média: 12 metros
Valor: R$ 1.930.869,04

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Ribeirão da Velha
Trecho: 7,2 km – do final da Rua Paul Mantau até o Rio Itajaí-Açu
Largura média: 10,93 metros
Valor: R$ 1.376.734,88

Mudança de planos entre as ações anunciadas

Ainda no lançamento do Rio Seguro, chegou a ser anunciada a construção de um canal extravasor no bairro Fortaleza. A ação ia contemplar o ribeirão às margens da Rua Fritz Spernau e, segundo a administração municipal disse à época, já tinha um pré-projeto pronto.

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Agora, questionada pela reportagem sobre o início das obras, a prefeitura de Blumenau informou uma mudança de planos. O canal extravasor será substituído pela construção de uma ponte na Rua Fritz Spernau, próximo ao acesso à Rua Dolores Duran, com a promessa de melhorar o escoamento do Ribeirão Fortaleza.

“A solução substituirá a proposta inicial de implantação de um canal extravasor, que não atenderia satisfatoriamente às necessidades identificadas nos estudos técnicos”, informou a Secretaria de Obras.

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Disse ainda que a “obra deverá ampliar a capacidade de escoamento da água, contribuir para o funcionamento do sistema de bombeamento do Dique da Fortaleza e reduzir os riscos de alagamentos. O recurso previsto será mantido, e o projeto está em fase de elaboração”.