Pico do Itajaí-Açu em Blumenau na enchente de 1983 atingiria ao menos 90 mil pessoas em 2023

Levantamento mais atualizado da Defesa Civil de Blumenau mostra estimativa de pessoas vivendo em áreas alagáveis

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A cidade tem legislação que trata de construções nos locais suscetíveis a enchente (Foto: Patrick Rodrigues, Santa)

Dados da Defesa Civil de Blumenau apontam que, em média, um a cada quatro moradores da cidade vive em área com cota de cheia até 15 metros. Conforme o levantamento, se a enchente de 1983 se repetisse, seriam ao menos 90 mil pessoas afetadas diretamente. 

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A projeção considera a estimativa de moradores por residência do IBGE de 2017. Além disso, a informação tem por base a última carta de inundação, feita há uma década. A próxima atualização deve ocorrer este ano ou no próximo, garante o secretário de Defesa Civil de Blumenau, Olímpio Menestrina: 

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— Logo depois de 1983, a Furb instituiu o Ceops, que fazia previsão hidrológica, porque na época a Defesa Civil não tinha nenhuma estrutura, e o órgão começou a trabalhar nesse sentido. Aí tivemos em 1984 o primeiro estudo de cotas, depois uma renovação em 1992 e outra em 2012.

De acordo com o chefe da pasta, agora é preciso fazer uma revisão por causa das ocupações, que às vezes provocam mudanças e isso precisa estar no plano de contingência de Blumenau.

Leia também: As dores e lições da enchente de 1983 em Blumenau e região, 40 anos depois

AlertaBlu assume função do Ceops

O secretário explica que com o passar das décadas, o Ceops deixou de receber investimentos e acabou oficialmente extinto em junho do ano passado. Um termo foi firmado entre prefeitura e Furb para as atribuições do órgão serem absorvidas pelo AlertaBlu. Atualmente, essa transferência de conhecimento ainda está em andamento e deve ser concluída até o fim do ano.

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Em uma eventual inundação, cabe à equipe da Defesa Civil de Blumenau, uma das poucas do Brasil com meteorologistas, fazer as projeções do nível do rio.

Mas com os equipamentos do Ceops obsoletos, o governo do Estado precisou dar uma resposta e garantiu a instalação de 42 estações em todo Vale do Itajaí. Frederico Rudorff, coordenador de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, diz que essa é uma das bacias mais monitoradas do Brasil. São 30 estações hidrológicas, 10 meteorológicas e duas pluviométricas.

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Veja ainda: Obras de contenção de cheias ainda são calcanhar de Aquiles após enchente de 1983

É com base nesses dados, também, que o governo de Santa Catarina decide o momento de começar a operar as comportas das barragens de Taió, Ituporanga e José Boiteux. Juntas, elas têm condições de influenciar o nível das águas em cerca de 2,3 metros no Médio Vale do Itajaí. 

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Rudorff avalia que o Estado tem atualmente uma capacidade muito maior de preparação para um evento de grande porte, como foi em 1983. Com os modelos meteorológicos de agora, cita ele, é possível fazer uma previsão mais assertiva de um cenário de risco desses, porque para isso se repetir seria uma chuva extraordinária.

— E também a rede de comunicação e organização das defesas civis melhorou, temos estrutura e cultura de abrigos preventivos, conseguimos otimizar a operação das barragens. Mas, claro, ainda assim haveria inundação, porém seria possível reduzir os impactos — garante. 

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Legislação trata de construção em áreas de inundação

Casas de dois pavimentos são a alternativa encontrada por muitas famílias que vivem em áreas alagáveis de Blumenau. A cidade tem inclusive legislação sobre moradias em área suscetíveis a inundação. 

A Lei Complementar 1039/2016 trata das restrições de construção e ocupação em locais com risco de cheias, reforça Menestrina. Terrenos com cota de 10 a 12 metros, é preciso ser construção de dois andares e a parte inferior não pode ser moradia, apenas garagem ou área de festas, por exemplo. Abaixo de 10 metros, só pode ter construção sob pilares e a parte inferior precisa ser deixada livre. 

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— Na hora em que a pessoa entra com o projeto no setor de planejamento da prefeitura, para pegar autorização para construção, já é feita essa análise, e eles enviam para nós da Defesa Civil nos manifestarmos — afirma o secretário. 

O problema é que nem todos conhecem tão de perto a história das enchentes de Blumenau e por vezes a água pega alguns desinformados de surpresa. A Defesa Civil cogita, inclusive, a possibilidade de incluir na fatura de água a informação sobre a cota de inundação para cada imóvel e evitar mais prejuízos a quem vem de fora de Santa Catarina. 

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