Pinturas medievais dos “Dez Reis do Inferno” são reunidas pela primeira vez em 60 anos e uma delas estava desaparecida

Rolos da dinastia Goryeo, da Coreia, estavam espalhados por seis museus, e um deles foi reencontrado no Japão durante a preparação de uma exposição nos Estados Unidos

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Produzidas na Coreia medieval, as pinturas retratam figuras ligadas ao julgamento das almas e às crenças budistas sobre a vida após a morte (Foto: Reprodução/ Wikimedia Commons)

Os pergaminhos medievais retratam figuras ligadas às crenças budistas sobre o julgamento das almas e o destino após a morte (Foto: Museu de Arte de Cleveland/Divulgação)

Durante séculos, imagens religiosas ajudaram a representar aquilo que as pessoas acreditavam existir depois da morte. Na Coreia medieval, essa visão ganhou forma em pinturas dos chamados Dez Reis do Inferno, figuras ligadas às crenças budistas sobre o destino das almas.

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Agora, um conjunto raro dessas obras, produzido no fim do século 14, voltou a ser exibido completo. Os dez pergaminhos não eram vistos juntos desde os anos 1960 e estão reunidos na exposição Ten Kings of Hell: The Afterlife in Medieval Korea, no Museu de Arte de Cleveland (Cleveland Museum of Art), nos Estados Unidos.

Dez pinturas espalhadas por seis museus

O conjunto, conhecido como Packard Set, reúne dez pinturas em formato de rolo suspenso, cada uma dedicada a um dos reis. O nome é uma referência a Harry G. C. Packard (1914–1991), negociante e colecionador de arte japonesa e coreana, apontado pelo Museu de Arte de Cleveland como o primeiro colecionador moderno da série. Depois da morte dele, as obras que ainda estavam em sua coleção foram leiloadas pela Christie’s, em 1992.

Até a exposição, as pinturas estavam divididas entre seis instituições:

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  • Primeiro Rei: Harvard Art Museums, nos Estados Unidos;
  • Segundo, Sexto e Sétimo Reis: Honolulu Museum of Art, no Havaí;
  • Terceiro Rei: Museu de Arte Moderna de Gunma, no Japão;
  • Quarto Rei: Museu de Arte de Cleveland, que comprou a obra em 2019;
  • Quinto, Oitavo e Décimo Reis: Museu Nacional da Coreia;
  • Nono Rei: Denver Art Museum, nos Estados Unidos.

Uma das obras estava desaparecida havia mais de 50 anos

A reunião só foi possível porque uma das peças foi reencontrada. O Terceiro Rei estava desaparecido havia mais de meio século e foi localizado no acervo do Museu de Arte Moderna de Gunma, no Japão, durante a preparação da mostra, segundo o Medievalists.net.

De acordo com o site, registros associados à obra indicam que a coleção esteve em um templo budista em Nagoya e foi vendida no fim do século 19, após as políticas antibudistas do governo Meiji.

Como a Coreia medieval imaginava o além

Os pergaminhos fazem parte da tradição artística da dinastia Goryeo, que governou a Coreia entre 918 e 1392. Nesse período, o budismo teve papel central na produção cultural, e as representações religiosas ajudavam a expressar ideias sobre morte, julgamento, moral e salvação.

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A devoção aos Dez Reis do Inferno surgiu na China, durante a dinastia Tang (618–907), e depois se espalhou para a Coreia, onde floresceu sob os Goryeo, segundo texto da curadora Sooa Im McCormick, publicado pelo museu.

Nessa tradição, a morte não é apenas o fim da vida. Ela abre uma jornada espiritual em que a alma é julgada pelas ações feitas em vida. Durante o luto de 49 dias, os familiares faziam oferendas aos reis para que o morto escapasse dos castigos mais severos e obtivesse perdão. Cada rei tinha atributos próprios: o Primeiro Rei aparece associado à árvore do carma, e o Quinto, a um espelho que revela as ações dos pecadores.

Por isso, as imagens são mais do que retratos de figuras sobrenaturais. Elas integram uma narrativa sobre o destino da alma e a relação entre as escolhas feitas em vida e o que acontece depois da morte.

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Onde os pergaminhos podem ser vistos?

A exposição foi organizada pelo Museu de Arte de Cleveland em parceria com o Museu Nacional da Coreia. Ela abriu em 11 de outubro de 2026 e fica em cartaz até 3 de janeiro de 2027. A entrada exige ingresso, com reserva antecipada.

Além dos dez pergaminhos, a mostra reúne mais de cem obras de coleções públicas e privadas da Coreia do Sul, do Japão, dos Estados Unidos e do Reino Unido. O percurso é dividido em três partes, que acompanham a passagem da alma pela morte, pelo purgatório e pelo paraíso budista.

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