O que era para ser mais um final de tarde comum, se transformou em uma história que ficará marcada para sempre na vida da catarinense Michele Ibarros. No dia 9 de setembro de 2024, a jovem voltava para casa quando se envolveu em um grave acidente na BR-101. A moto onde ela estava foi lançada para baixo de um caminhão, onde ela ficou presa embaixo do veículo.
Entre as lesões sofridas, Michele teve uma fratura no fêmur direito, e uma extensa laceração e perda de pele na coxa esquerda. Os ferimentos causados pelo acidente foram tão graves que a jovem corria o risco de ter a perna esquerda amputada.
Consciente após a colisão, Michele conta que tentou permanecer acordada enquanto aguardava o socorro. “Eu sabia que naquele momento eu não podia dormir, tentei ao máximo ficar acordada, tirei meu capacete sozinha e, naquele momento deitada lá, pedi ajuda pra Deus e ele em nenhum momento ficou longe de mim”, relembra.
Após o resgate, Michele foi encaminhada o Hospital Regional Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, onde permaneceu internada por 99 dias. Segundo a jovem, esse foi o início de um longo período de cuidados médicos, terapias, exercícios e uma verdadeira batalha para que ela aprendesse novamente a andar, e pudesse recuperar 100% dos movimentos.
“Meses acamada fizeram meu corpo esquecer movimentos simples. A rigidez articular transformou algo tão normal quanto dobrar o joelho em um desafio diário. Teve dias em que parecia impossível… e por muitas vezes chorava de dor”, relata.
Jovem vive uma nova vida dois anos após acidente
Aos poucos, cada pequena tentativa e cada sessão de fisioterapia representaram um novo avanço. O processo foi lento, mas permitiu que Ibarros retomasse atividades que pareciam distantes no início da recuperação. Hoje, aos 23 anos, a jovem celebra a nova vida, e até mesmo, participa como atleta em corridas de rua.
Se hoje eu posso correr, é porque continuei mesmo quando a evolução era invisível
Uma história marcada na pele
Quase dois anos depois do acidente, Michele diz que a recuperação física não deixou sequelas, mas as marcas do que aconteceu permanecem na pele e na memória. “As cicatrizes no meu corpo são lembranças que nunca vão embora. São marcas que carregam a história de um sofrimento indescritível”, afirma.
Ela também reconhece que a recuperação emocional é um processo diferente e que algumas lembranças ainda fazem parte da rotina. Mesmo assim, escolhe olhar para tudo o que conseguiu reconstruir desde o dia do acidente. Para a jovem, ser forte virou parte do dia a dia.
“Eu não sou feita apenas das minhas quedas. Eu sou feita da força que encontrei no fundo do poço, quando tudo parecia perdido. Eu sobrevivi ao que muitos não suportariam. E hoje, mesmo com as dores que ainda me acompanham, eu escolho continuar.”










