Um projeto jornalístico independente teria recebido informações de inteligência confidenciais por meio de alguém que conhecia os segredos do governo americano por dentro. A suspeita levou à prisão de Ian Brinksman, de 42 anos, ex-funcionário e prestador de serviços da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), acusado de repassar documentos sigilosos à namorada, uma jornalista que publica reportagens na plataforma Substack. As informações são do jornal New York Post.
Segundo os promotores, Brinksman aproveitou o acesso privilegiado a informações sensíveis para obter relatórios que não faziam parte de suas atribuições profissionais. Entre os documentos estariam dados confidenciais relacionados a Israel. A suspeita é que o material tenha sido compartilhado com a companheira para ajudar a impulsionar a carreira dela.
A investigação também trouxe à tona uma mensagem que Brinksman teria enviado a um amigo antes de obter acesso aos relatórios. No e-mail, ele falava sobre o trabalho que vinha desenvolvendo com a namorada, que havia começado a atuar de forma independente na cobertura de política externa.
E-mail revela intenção de ajudar a carreira da namorada
Em uma mensagem enviada em 20 de novembro de 2024, Brinksman descreveu a satisfação que sentia ao colaborar com o projeto jornalístico da companheira. O conteúdo, divulgado no contexto do caso, sugere que ele já estava envolvido na iniciativa antes do suposto compartilhamento de informações confidenciais.
“Então, continuo mantendo um perfil discreto, tentando entender quais serão os próximos passos (assim que a poeira baixar). A moça com quem estou saindo é jornalista e, recentemente, passou a trabalhar de forma independente. Por isso, tenho ajudado ela a dar o pontapé inicial no projeto. O foco dela é política externa. Tenho sentido uma satisfação e um enriquecimento surpreendente ao trabalhar nisso”, escreveu.
A namorada de Brinksman não foi identificada no processo judicial. No entanto, o jornal New York Post a identificou como Aida Chávez, jornalista que mora em Washington, D.C., e mantém uma publicação independente no Substack.
Segundo o periódico, as datas e o conteúdo das informações de inteligência mencionadas no caso coincidem com pelo menos cinco relatórios publicados na página da jornalista. Essa correspondência faz parte dos elementos relatados sobre a investigação, mas não significa que ela tenha sido formalmente acusada de participar de um crime.
Acesso a informações ultrassecretas
De acordo com os promotores, Brinksman possuía autorização de segurança de nível ultrassecreto enquanto trabalhava para uma agência do governo americano. Ele teria atuado inicialmente como funcionário direto e, posteriormente, como desenvolvedor de sistemas contratado por uma empresa privada que prestava serviços à mesma agência.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que, no momento da prisão, ele trabalhava para uma empresa prestadora de serviços da CIA.
A acusação sustenta que o ex-funcionário utilizou seu acesso a informações sensíveis para consultar documentos que não estavam relacionados às suas responsabilidades profissionais. Parte do material teria sido repassada à namorada e aparecido em publicações sobre assuntos internacionais.
A investigação coloca em questão o uso de credenciais de segurança por profissionais que trabalham com informações governamentais confidenciais e os limites entre o acesso autorizado a documentos e sua eventual divulgação a terceiros.
Jornalista não foi acusada
Até o momento, Aida Chávez não foi acusada de nenhum crime e não se manifestou publicamente sobre o caso. Seus perfis nas redes sociais foram colocados em modo privado.
As suspeitas contra Brinksman ainda precisam ser examinadas no processo judicial. A prisão e as alegações apresentadas pelos promotores não representam, por si só, uma condenação.
