Uma professora que sobreviveu a um atropelamento por trem e, ao mesmo tempo, à picada de uma cobra enfrenta agora um novo desafio, mais de 30 anos depois do acidente. Após dezenas de cirurgias, uma amputação e sucessivas infecções, Fabiana Nunes Moraes, moradora de São Roque, em São Paulo, precisa de uma prótese de alta tecnologia para preservar a mobilidade e reduzir o risco de novas complicações.
O acidente aconteceu em 1995 e mudou completamente a vida da professora. Naquele dia, ela foi atingida por um trem e também sofreu uma picada de cobra, em uma combinação de circunstâncias que marcou o início de um longo tratamento médico.
Professora que sobreviveu a atropelamento passa décadas em tratamento
Logo após o acidente, os médicos avaliaram que as chances de sobrevivência eram mínimas. Fabiana passou por uma cirurgia no crânio, sofreu três paradas cardíacas e permaneceu internada durante meses.

Na época, a picada da cobra não foi identificada. Segundo ela, anos depois um infectologista explicou que o torniquete utilizado por causa da fratura no fêmur impediu que o veneno se espalhasse pelo organismo. Ao mesmo tempo, porém, concentrou os danos na perna direita.
Foi esse conjunto de fatores que deu início a uma sequência de tratamentos que se estenderia pelas décadas seguintes.
Amputação não encerrou os problemas
Ao longo dos anos, Fabiana passou por dezenas de cirurgias reconstrutivas, retirada de músculos, internações, sessões em câmara hiperbárica e tratamentos com antibióticos para tentar controlar uma osteomielite crônica. Mesmo assim, a infecção nunca foi completamente eliminada.
Em 2017, depois de mais de 20 anos convivendo com dores intensas, ela decidiu amputar a perna na parte abaixo do joelho. Poucas semanas depois, uma infecção hospitalar exigiu uma nova intervenção cirúrgica e prolongou mais uma vez o tratamento.
Nova prótese é indicada para evitar complicações
Segundo Fabiana, a prótese deixou de se ajustar corretamente. O atrito constante já provoca ferimentos e aumenta o risco de novas infecções.

A recomendação médica foi a utilização de uma prótese endoesquelética com sistema de bombeamento a vácuo. De acordo com os profissionais que acompanham o caso, a tecnologia permite uma adaptação mais precisa às variações do membro residual durante o dia, oferecendo mais estabilidade e reduzindo o risco de lesões.
Vaquinha busca arrecadar recursos para compra de equipamento
O equipamento necessário custa cerca de R$ 38 mil. Sem condições de custear a nova prótese, familiares e amigos organizaram uma campanha de arrecadação online. O levantamento de recursos, até o momento, contabiliza pouco mais de R$ 5,1 mil arrecadados.
Segundo os organizadores, o objetivo é reunir os recursos necessários para a compra do equipamento indicado pelos médicos, permitindo que Fabiana mantenha a autonomia e reduza o risco de novas complicações decorrentes do uso da prótese atual.
