Sabrina Sabino: “Pós-chuva em SC traz alerta sobre boom de doenças infectocontagiosas”

Estado enfrenta alagamentos relacionados às fortes chuvas que atingem as cidades do litoral

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(Foto: Patrick Rodrigues)

Santa Catarina está enfrentando alagamentos, deslizamentos e muita chuva pelo segundo dia consecutivo. Este cenário é propicio para mais um problema na região do litoral catarinense: em duas semanas, tudo indica que teremos picos de doenças infectocontagiosas. Mas gostaria de me antecipar e fazer alguns alertas à população para minimizarmos os danos.

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Em um primeiro momento, a preocupação é com a fase dos alagamentos. Nesta fase, a doença de maior índice é a leptospirose, que é causada por uma bactéria encontrada na urina do rato. A leptospira (bactéria causadora da leptospirose), em contato com a pele humana, entra na circulação e inicia-se o processo infeccioso. Então, se você tiver contato com a água ou a lama dos alagamentos e apresentar sintomas como febre, dor muscular, principalmente nas panturrilhas, náuseas e dor de cabeça: procure atendimento médico.

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Não se automedique. Lembrando que, quanto maior for o contato da pele na água suja, maior é o risco de contrair doenças infectocontagiosas, por isso a atenção especial aos socorristas e aos trabalhadores que permanecem em contato com a água por mais tempo. Se for inevitável o contato, é indicado proteger os pés e as mãos com botas e luvas de borracha ou sacos plásticos duplos. Além disso, é importante tomar cuidado com as crianças, para que elas não nadem ou brinquem na água e lama dos alagamentos. Há uma enorme chance de contraírem doenças.

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Outra doença que pode surgir durante o período de chuvas é a hepatite A, que pode ser transmitida pela água misturada com esgoto. Os alagamentos também aumentam o risco de diarreia aguda, causada por bactérias, vírus e parasitas, além da febre tifoide, causada pela Salmonella typhi, bactéria encontrada nas fezes de animais. A transmissão de todas estas doenças diarreicas é fecal-oral, ou seja, fezes contraminadas, na lama, na água, nas mãos sujas que vão a boca, e assim inicia-se a cadeia de transmissão.

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Então aqui vão algumas dicas para prevenir estas doenças diarreicas:

  • Não reutilize alimentos, jogue-os fora (frutas, legumes, verduras, carnes, grãos, leites e derivados, enlatados) que entraram em contato com as águas, mesmo que estejam embalados com plásticos ou fechados, pois, ainda assim, podem estar contaminados;
  • Lave bem as mãos antes de preparar alimentos e antes de se alimentar;
  • Procure beber sempre água potável;
  • Para garantir que a água é segura para consumo: ferva-a por ao menos um minuto, ou adicione duas gotas de hipoclorito de sódio com concentração de 2,5% (água sanitária) para cada litro de água. Os frascos de hipoclorito de sódio a 2,5%, próprios para diluir na água de beber e cozinhar, podem ser encontrados em farmácias ou supermercados.
  • Se sua casa for atingida pelas águas, após o recuo da água providencie a limpeza e desinfecção dos ambientes, utensílios, móveis e outros objetos, usando luvas, botas de borrachas ou outro tipo de proteção para as pernas e braços (como sacos plásticos duplos).
  • No caso dos utensílios domésticos (panelas, copos, pratos e objetos lisos e laváveis), lave-os normalmente com água e sabão. Depois, prepare uma solução desinfetante, diluindo um copo (200 ml) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) em quatro copos de água (800 ml). Mergulhe na solução os objetos lavados, deixando-os ali por, pelo menos, uma hora.
  • No caso dos pisos, paredes, móveis e outros objetos, após retirar a lama, lave o local com água e sabão e, a seguir, prepare uma solução diluindo um copo (200ml) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) para um balde de 20 litros de água. Umedeça um pano na solução e passe nas superfícies, deixando-as secar naturalmente.

Em um segundo momento a água baixa, e fica o lixo, os entulhos, a matéria orgânica em decomposição. É aí, caro leitor o momento da proliferação de mosquitos. As doenças que vão aumentar neste momento são dengues, zika, Chikungunya, febre oropopuche.

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Fiquem atentos.

Por Sabrina Sabino, médica infectologista, formada em Medicina pela PUCRS, mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora de Doenças Infecciosas na Universidade Regional de Blumenau.