Tecnologia traz impactos nos relacionamentos da geração Z, que se torna mais solitária

Exposição às telas mais cedo que as gerações anteriores pode acabar tendo malefícios no comportamento e no psicológico dos jovens

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Tecnologia traz impactos nos relacionamentos da geração Z que se torna mais solitária

Sofia e Valentina, ambas da geração Z, têm uma visão diferente da maternidade do que pessoas da geração anterior (Foto: Patrick Rodrigues, Santa / Arquivo pessoal)

Tudo que tem um lado bom também tem um lado ruim, e ter acesso a todo tipo de tecnologia precocemente é uma delas. Sophia Onofre Martins, de 17 anos, por exemplo, teve o primeiro celular por volta dos 10 anos, quando também teve contato com a internet, o que ela considera cedo. Ela lembra que, na época, não tinha supervisão dos pais enquanto usava a internet, o que percebe ser “um pouco irresponsável”. 

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— Vendo hoje o que a internet é e a quantidade de informação que se tem, eu evitaria isso, eu acho cedo — reflete. 

Não foi só a internet que a prejudicou de alguma forma, segundo Sophia, mas também outros tipos de tecnologias, como a televisão. Desde pequena, ela tinha uma TV no quarto e passava muito tempo nas telas. Para ela, isso a influenciou a ter crises de insônia muito cedo, que perduram até hoje. 

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A especialista Thaís Giuliani explica que a exposição às telas mais cedo que as gerações anteriores pode acabar tendo malefícios no comportamento e no psicológico dos jovens da geração Z, já que se criam “vícios” e “padrões mentais”. Ela lembra que a personalidade de uma pessoa é formada até, em média, os 25 anos, e que, por isso, é importante que se tenham limites e usos adequados da tecnologia.

— É muito importante toda a experiência vivida, os hábitos adquiridos e o ambiente em que se é criado. Tudo isso vai se acumulando no psicológico e fazendo com que cada vez mais esse jovem viva no mundo virtual com pouca interação com outras pessoas — destaca. 

Os vídeos em redes sociais são um exemplo da chamada “dopamina barata”, em que o jovem fica “rolando” a tela constantemente atrás de novos conteúdos que liberem a dopamina. De acordo com Thaís, essa insatisfação na internet pode acabar provocando uma espécie de “tédio” na vida real.

— Jovens da geração Z têm muita dificuldade no poder de comunicação, justamente por um excesso de tela, de tecnologia, e do mundo virtual — explica a especialista. 

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Essa dificuldade em viver no mundo real, com quem pensa diferente, pode ser vista com um dos principais desafios da geração Z, segundo Thaís. Mas um dos possíveis culpados desse comportamento é a pandemia da Covid-19, que atingiu essa geração e a Alpha, com crianças e adolescentes nascidos de 2010 a 2024, de uma forma diferente de todas as outras. 

A especialista destaca que a pandemia aconteceu em um momento crucial da vida desses jovens, em que a personalidade e as habilidades sociais eram formadas. Por isso, pode ser que essa geração não tenha aprendido a se relacionar da forma mais correta. À época, muitos jovens estavam saindo da escola, em um momento “de liberdade e interação”, onde seriam construídas as relações interpessoais. 

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— Imagina você ficar trancado no momento que você mais quer liberdade, no momento que você está plantando a sua própria vida — reflete. 

Relações superficiais

Com Sophia, as dificuldades desta fase da vida se mostram no desafio em ter relações profundas com outras pessoas. Apesar de se considerar uma pessoa que consegue socializar de forma satisfatória, ela conta que muitas de suas relações e amizades são superficiais, tendo poucas que ela consegue confiar verdadeiramente.

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O contato extremo com a tecnologia também pode ter moldado as prioridades de vida da geração Z. Relacionamentos e ter estabilidade com uma casa e carro próprios, por exemplo, já não são prioridades para esse grupo de pessoas. Para Valentina Abreu, de 22 anos, o equilíbrio é importante, entre ter posses e experiências marcantes, porém não vê outros jovens pensando dessa maneira. 

Assuntos que antes eram vistos como tabus, como a pressão pela maternidade, também já não importam tanto para a geração Z. Desde 2021, o percentual de mães com 30 anos ou mais subiu de 27,3% para 42,9%, segundo o PNAD 2023.

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Valentina, hoje, não sonha em ser mãe e não se sente pressionada para ter filhos antes de uma idade específica. Assim como Sophia, que tem o desejo de experimentar a maternidade antes dos 30 anos, mas não vê isso como prioridade, o que mostra como a geração Z vê certos “marcos da vida” com mais flexibilidade. 

Para Thaís, os jovens precisam ser vistos de forma mais empática, sem julgamentos e rótulos, para que, com menos críticas, a geração Z possa se sentir mais conectada com a sociedade atual e com as gerações anteriores.

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