Após a repercussão sobre a capivara que passou quase 20 horas agonizando à espera de socorro em Blumenau, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) afirmou em entrevista à NSC TV que está alinhando a questão do atendimento a animais silvestres fora do horário de funcionamento do órgão.
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Ana Cimardi, gerente de Biodiversidade do IMA, explicou que por causa de uma legislação o IMA não pode fazer plantões, o que limita o atendimento. Segundo ela, isso explica por que o serviço funciona apenas de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h.
É neste contexto, segundo ela, que a Polícia Militar Ambiental assume papel importante, prestando ajuda quando o IMA não tem condições de fazer o resgate. A corporação, porém, disse à reportagem nesta semana que não tem essa obrigação.
A polícia argumentou ainda que mesmo que fizesse o recolhimento da capivara ferida, não teria para onde levá-la, já que o único Centro de Triagem de Animais Silvestres fica em Florianópolis. O IMA rebateu a afirmação ao frisar ter parceria com o hospital-escola da Furb para atender nesses casos.
Capivara ferida em Blumenau sofre sem resgate e expõe falha no serviço do IMA
A própria gerente admite que parece um jogo de empurra-empurra entre os órgãos e afirmou que o com novo comando do IMA e também da Polícia Militar Ambiental, o tema está sendo alinhado para que o caso registrado em Blumenau nesta semana não se repita.
— Vamos ajustar essa questão — garantiu Ana.
A PM Ambiental também se pronunciou na mesma linha. Disse, através da assessoria de imprensa, que “irá procurar a presidência do IMA para definir protocolo de atendimento sobre o tema em questão”.
A gerente ressaltou, porém, que o IMA não é o único responsável pelo atendimento a animais silvestres, e que o trabalho compete também ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ana ressaltou a necessidade de parceria entre municípios, Estado e União.
Capivara deixada agonizando sem socorro em Blumenau está com as patas paralisadas
Relembre o caso
Uma moradora do bairro Itoupava Norte encontrou uma capivara ferida na segunda-feira (20) à tarde e tentou contato com os órgãos públicos para resgatar o animal. Porém, apesar das inúmeras ligações, não conseguiu que ninguém recolhesse e prestasse atendimento ao roedor.
Somente na terça-feira (21), no fim da manhã e após o contato da reportagem, o IMA informou que uma equipe da Polícia Militar Ambiental foi buscar a capivara e a levou ao hospital-escola da Furb, após quase 20 horas agonizando de dor.
A capivara está com múltiplas fraturas na bacia e com paralisia nas patas traseiras. O animal é uma fêmea adulta de 33 quilos, que deve passar por cirurgia nesta semana.
Mas liga para quem, afinal?
De segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, o contato deve ser feito por mensagem de texto no Whatsapp, através do número (48) 9 8808-3372. Fora desse horário, o contato deve ser feito com a Polícia Militar, pelo telefone 190, segundo o IMA, e então a solicitação é encaminhada à Polícia Militar Ambiental, que também atende pelo telefone (47) 3378-8480.
O hospital-escola da Furb não faz o recolhimento do animal ferido. Apenas presta o atendimento quando ocorre encaminhamento do IMA ou PM Ambiental. Por se tratar de animal silvestre, o Cepread não atua nesses casos.
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