Vereador de Blumenau tenta coagir guarda após esposa ser multada: “Vou tocar o pau”

Vídeo mostra Emmanuel Tuca dos Santos (Novo) tentando convencer agente a não aplicar a multa; indignado com autuação, vereador ameaçou ligar para secretário e criticar GMT na tribuna

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Imagens são da câmera instalada na farda do guarda (Foto: Informe Blumenau, Reprodução)

Um vídeo da abordagem da Guarda Municipal de Trânsito (GMT) de Blumenau ao vereador Emmanuel Tuca dos Santos (Novo) ganhou repercussão na tarde desta quinta-feira (1º). As imagens, de abril deste ano, foram obtidas pelo Informe Blumenau e cedidas ao Santa. Na gravação o parlamentar aparece tentando coagir um agente pela aplicação de multas contra a esposa dele e afirmando que a autuação do guarda o faria “ser inimigo da Seterb”, a Secretaria de Trânsito e Transportes. Após a repercussão, Tuca pediu desculpa pela atitude.

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Ao longo do vídeo de cerca de 10 minutos, gravado com a câmera instalada na farda do servidor público, é possível observá-lo de moto na Avenida Duque de Caxias, em frente à Câmara de Vereadores. Ao lado dele há um carro, que está no corredor de ônibus. Assim que o sinal abre, a BMW estaciona em frente ao Biergarten. O guarda para atrás e o vereador Tuca surge. Então, o agente diz que terá de multar a esposa do parlamentar, que estava ao volante, por parar em local proibido e transitar no corredor de ônibus.

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Tuca se surpreende quando o guarda diz que irá multar, não nega as infrações, mas tenta justificar. O parlamentar afirma que a esposa iria entrar na Câmara para deixá-lo, mas não o fez porque o semáforo estava fechando e ele decidiu descer com o veículo parado no corredor de ônibus. Apesar da argumentação, o servidor diz que estaria prevaricando caso não cumprisse o dever como guarda de trânsito. Sem conseguir reverter a situação, o vereador começa a falar sobre relacionamento político com a Seterb.

O guarda segue explicando não ser possível adotar outra postura, pois “a lei de trânsito não permite advertência verbal”. Ao longo da conversa então o parlamentar diz: “Vou falar com o Fabrizio. Não dá, tá louco”. Fabrizio Barbieri é o presidente da Secretaria de Trânsito e Transportes. Mais adiante ele aponta conhecer as leis. “Sou presidente da CCJ, conheço toda a legislação”, fala ao se referir à Comissão de Constituição e Justiça que integra no parlamento.

Conforme o diálogo transcorre, o tom da conversa se eleva: “O senhor me multa e eu vou tocar o pau na Guarda”, frisa o vereador. Mais adiante ele dispara: “A GMT em Blumenau faz isso. Não é ajudar a população, é punir. Por isso acabamos com os secadores”, relata o parlamentar ao se referir ao fim da fiscalização com os radares portáteis, alvos de críticas da população.

Ao longo da conversa, Tuca fala o nome de vários gestores da Secretaria de Trânsito e Transportes e mostra mensagens trocadas com outros profissionais onde, supostamente, defendeu a Guarda.

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Em determinado momento, o parlamentar — que faz uso incorreto da máscara, com ela no queixo ou expondo o nariz — ainda afirma que o guarda o está atrasando para a reunião na Câmara e também a chegada dos filhos ao colégio. As crianças estavam dentro do carro. A mulher do vereador acompanha a conversa e fala: “Pelo Seterb você [Tuca, marido dela] não faz mais nada. Não fiz nada demais para o senhor fazer esse tipo de coisa”.

Assista ao vídeo na íntegra

“Abordagem perfeita”

O diretor de Trânsito da Seterb disse ao Santa que o “agente foi perfeito na abordagem e condução da situação”. Segundo Sérgio Antônio Martinez Junior, no dia do fato o guarda procurou a direção da pasta e reportou os fatos. Ele também confirma que as duas multas citadas pelo servidor público foram lavradas em nome da esposa de Tuca, que era quem estava ao volante. 

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Martinez garante que o vereador nunca o procurou para falar sobre a situação e as autuações tramitam como prevê a legislação, sem nenhuma interferência. 

A Seterb irá apurar se o vídeo é mesmo da câmera acoplada na farda do agente ou se seria uma câmera pessoal do servidor. A secretaria quer saber também quem vazou o vídeo, caso seja o uniforme do guarda. De acordo com o diretor, as imagens são liberadas apenas para a polícia ou por decisão judicial. O agente também pode ter acesso, mas neste caso o servidor teria dito que não o fez. 

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“Foi um equívoco”

O vereador conversou com a reportagem no início da noite desta quinta-feira (1º) e disse que ao rever ao vídeo entendeu que agiu de forma equivocada e desabafou sobre “assuntos laterais que não eram da alçada do servidor que apenas fazia o seu trabalho”. 

— Ainda que injustificada a minha conduta, a irritação demonstrada no vídeo se deu unicamente por considerar injusta e desproporcional a ação por parte do agente de trânsito naquele momento por aplicar dupla penalidade ao meu familiar por uma transgressão única, que poderia ser resolvida com uma simples advertência verbal — reforça Tuca.

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O parlamentar complementou ainda que se tratou de um desabafo num momento de descontrole e que em nenhum momento procurou retaliar o profissional ou o órgão que ele atua. Disse que a atuação dele no legislativo é baseada na “justa e isonômica fiscalização de todos os órgãos do poder público, não tendo qualquer revanchismos”.