SC importou o equivalente a 96 mil cordeiros em um ano e agora investe R$ 6 milhões para aumentar produção

Consumo em alta e busca por cortes de qualidade fazem da carne de cordeiro um item disputado no Estado, abrindo caminho para a expansão do setor

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carne de cordeiro

O projeto começou por Chapecó e vai percorrer o Estado para mapear oportunidades e gargalos da cadeia de ovinos e caprinos (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Encontrar carne de cordeiro nas prateleiras de Santa Catarina pode ser mais difícil do que parece. Enquanto o consumo mantém a demanda aquecida, a produção estadual ainda não é suficiente para atender ao mercado. Em 2025, Santa Catarina importou 1,74 mil toneladas de carne ovina, volume equivalente a cerca de 96 mil cordeiros com carcaças de 18 quilos.

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O cenário tem levado produtores, indústrias e entidades a buscar formas de ampliar a produção e melhorar a organização da cadeia. Em 2026, R$ 6 milhões em investimentos foram articulados entre Sebrae/SC, Governo de Santa Catarina e Sistema Faesc/Senar/SC para ações voltadas ao desenvolvimento da ovinocaprinocultura no Estado.

Uma das iniciativas é a Expedição Bééé Brasil, que teve a etapa catarinense lançada na última sexta-feira (14), em Chapecó. Apoiado pelo Sebrae/SC, o projeto vai percorrer todas as regiões do Estado para identificar oportunidades, gargalos e possibilidades de crescimento da cadeia de ovinos e caprinos.

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“Precisamos de cordeiro e falta cordeiro no mercado, mesmo com a importação. Então, temos um grande potencial de produção”, afirma o zootecnista Luciano Piovesan Leme, coordenador da expedição.

Produção ainda é menor que a demanda

Santa Catarina possui 349.499 ovinos, que representam 1,6% do rebanho brasileiro, distribuídos entre aproximadamente 17,9 mil criadores. Na caprinocultura, são cerca de 33,9 mil animais e 3,8 mil produtores.

A diferença entre produção e consumo aparece principalmente no mercado de carne. Em 2025, o Estado foi responsável por 33,6% das importações brasileiras de carne ovina.

Apesar da dependência de outros Estados e do mercado externo, os números da produção catarinense mostram crescimento. Os abates oficiais de ovinos produzidos em Santa Catarina passaram de 8.419 cabeças em 2016 para 28.282 em 2025.

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No mesmo período, a entrada de animais de outros Estados caiu de 67 mil cabeças, em 2020, para 32,7 mil em 2025. O movimento indica uma participação maior do rebanho catarinense no abastecimento estadual.

A estrutura para ampliar a atividade também existe. Santa Catarina conta com 37 plantas frigoríficas habilitadas para o abate de ovinos, considerando unidades com inspeção federal, Sisbi, estadual e municipal.

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Oeste concentra parte importante do rebanho

O Oeste catarinense está entre as principais regiões produtoras. Juntos, Oeste, Extremo Oeste e Meio Oeste concentram aproximadamente 42% do rebanho estadual.

Para a gerente regional do Sebrae/SC Oeste, Marieli Musskopf, a atividade tem potencial especialmente entre pequenos produtores.

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“Entendemos que é uma cadeia que vem se desenvolvendo. Nosso apoio, por meio de consultorias, eventos e acesso ao mercado, busca preparar cada vez mais esses empreendimentos rurais para aproveitar as oportunidades do setor”, afirma.

Somente na Regional Oeste, o Sebrae/SC prevê mais de R$ 800 mil em investimentos na cadeia em 2026.

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Segundo o gestor do projeto estadual de ovinos e caprinos do Sebrae/SC, Filipi Andrade, um diagnóstico realizado em 2024 apontou a cadeia como prioritária justamente pela demanda aquecida e pela possibilidade de aumentar a produção catarinense.

“A produção estava reduzida e a demanda é muito grande. O trabalho busca conectar a propriedade, a indústria e o mercado para fortalecer todo o setor”, explica.

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R$ 6 milhões para fortalecer a cadeia

Os investimentos previstos para 2026 envolvem assistência técnica e gerencial, consultorias tecnológicas, biotecnologias reprodutivas, gestão dos negócios, apoio às indústrias e acesso a mercados.

Um dos principais desafios identificados pelo setor é aumentar a formalização. A produção anual é estimada em 143 mil ovinos, mas apenas 28,3 mil são destinados a abates inspecionados. Outros 114,7 mil aparecem nas estimativas de autoconsumo, cenário relacionado à informalidade existente na cadeia.

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A ampliação dos abates formais pode ajudar a transformar uma produção já existente em renda para os produtores, além de melhorar a conexão com a indústria e a segurança dos alimentos comercializados.

Para o coordenador da Câmara Setorial de Ovinos e Caprinos de Santa Catarina, Paulo Gregianin, a atividade também apresenta características que favorecem a pequena propriedade.

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“Temos um rebanho em Santa Catarina estabilizado há alguns anos, com crescimento pequeno, mas existe uma oportunidade de mercado e viabilidade econômica. É uma atividade de alta densidade e cabe bem nas pequenas propriedades”, destaca.

Produtividade é outro desafio

Além de aumentar o número de animais, o setor busca melhorar a produtividade. Santa Catarina possui aproximadamente 210 mil matrizes produtivas e produção anual estimada em 143 mil cordeiros, uma média de 0,68 cordeiro por matriz ao ano.

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A meta é superar um cordeiro por matriz e avançar para uma eficiência de 120%. Para isso, produtores precisam melhorar aspectos como manejo sanitário, nutrição, reprodução, genética, padronização e gestão.

O supervisor regional do Senar/SC, Helder Jorge Barbosa, destaca a importância da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) para qualificar as decisões dentro das propriedades.

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A criação de ovinos e caprinos também pode ser combinada com outras atividades já desenvolvidas no campo.

“O produtor vê que a atividade vale a pena. A vantagem é que pode ser conciliada com a bovinocultura de leite ou com outra atividade”, afirma Barbosa.

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Expedição vai percorrer Santa Catarina

A Expedição Bééé Brasil prevê aproximadamente 115 visitas em Santa Catarina, que será o sétimo Estado percorrido pelo projeto. O roteiro passa pelas diferentes regiões catarinenses, incluindo Meio Oeste, Extremo Oeste, Norte, Sul e litoral.

A programação prevê visitas a propriedades rurais, frigoríficos, laticínios, universidades, centros de pesquisa e outros integrantes da cadeia.

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O objetivo é reunir informações sobre a produção e identificar os principais gargalos enfrentados pelo setor. Ao final do trabalho, será elaborado um diagnóstico com potencialidades e desafios que poderá subsidiar entidades e formuladores de políticas públicas.

O evento de lançamento em Chapecó reuniu produtores rurais, indústrias, frigoríficos, entidades de assistência técnica, instituições de ensino e pesquisa, associações e órgãos públicos. A programação também contou com degustação de carne de ovinos de raças leiteiras e derivados lácteos.

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Para o setor, o desafio agora é transformar a demanda existente em oportunidade para os produtores catarinenses, ampliando a oferta, melhorando a produtividade e garantindo que a carne de cordeiro esteja cada vez mais presente nas prateleiras do Estado.