Nesta semana, rumores de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está se mobilizando para editar uma Medida Provisória (MP) que proibiria as apostas esportivas on-line, chamadas de bets, no Brasil, movimentou o mundo do futebol. Houve manifesto de federações estaduais contra a proibição, sob o argumento de todas as principais receitas deste meio são impactadas pelo dinheiro de apostas, em um mercado que já movimentou até R$ 30 bilhões no país por mês.
O dado é do Banco Central e abrangem o período entre janeiro e março de 2025, quando apostadores gastaram a quantia milionária em bets, de acordo com o O Globo. Conforme a instituição, cerca de 85% do total gasto em apostas retornava como prêmio pago pelas casas de apostas.
No entanto, o tema vai muito além das receitas que movimentam o futebol brasileiro e do prejuízo à sociedade. Isso porque o setor não possui um bom retorno financeiro para a economia do Brasil. É o que revelam os dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2024, que apontam que o setor das bets conta com 60 empregadores que geram apenas 19 empregos, em média, cada.
Já a massa salarial gerada por bets também foi revelada pelo dossiê “A Saúde dos brasileiros em jogo: análise político-econômica da regulamentação de apostas online e seus impactos para a saúde da população brasileira”. Segundo a pesquisa, a cada R$ 291 de receita das bets, apenas R$ 1 se transforma em salário formal.
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Prejuízo social x arrecadação
Em 2024, foi sancionada a Lei nº 14.790/2023, que regulamenta as apostas esportivas no Brasil, com o objetivo de aumentar a tributação sobre esse setor. No ano seguinte, a arrecadação aumentou em 180 vezes, passando de R$ 38 milhões entre janeiro e setembro de 2024 para R$ 6,8 bilhões no mesmo período de 2025.
No entanto, somente durante o primeiro semestre de 2025, o lucro do setor de apostas on-line foi muito maior, chegando a R$ 17,4 bilhões, o que mostra o impacto no bolso dos brasileiros, conforme a análise do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), responsável pelo dossiê, frente à arrecadação.
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, já havia dito que o impacto das apostas no Brasil sobre a economia do país, o que também envolve os impactos na sociedade como em um geral, já estão sendo estudados pela instituição.
— Ano passado, em estudos preparatórios para uma reunião do Copom, nos chamou a atenção de que parte da renda das famílias não estava indo nem para consumo nem para poupança, alguns participantes de mercado já haviam nos alertado que fluxos financeiros para sites de apostas estavam se tornando significativos, com potencial impacto na atividade econômica — disse, em 2025.
Custos à saúde que impactam na economia
O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde também já havia revelado que mais de R$ 43 bilhões custam diretamente à saúde no Brasil relacionados a problemas de saúde e tratamentos médicos voltados para o vício em bets e na qualidade de vida do apostador.
Isso porque, conforme a pesquisa, pessoas com uso problemático de apostas sofrem maior incidência de depressão e suicídio. Para além disso, os impactos também podem estar relacionados a outros fatores como perda de emprego, de moradia e aprisionamento.
Em contrapartida, apenas 1% do valor arrecadado da tributação de bets foi destinado ao Ministério da Saúde até a metade de 2025, conforme dados do Ministério da Fazenda em resposta ao requerimento de informação enviado pelas organizações responsáveis pelo estudo.
“Fim do futebol brasileiro”
Em nota, diversos clubes brasileiros apontaram que, se a MP para proibir as apostas esportivas se concretizar, será o “fim do futebol brasileiro”, apoiando a manutenção do setor.
Equipes de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais assinaram o manifesto, afirmando que uma das únicas receitas sem impacto, seja direto ou indireto, pelo dinheiro de apostas é a verba com transferências de jogadores. Atualmente, 13 clubes da Série A têm contratos de patrocínio master com casas de apostas, conforme o Uol, com estimativa de R$ 1 bilhão de impacto nesse tipo de receita.
Os clubes também argumentam que as receitas das empresas que compram direitos de transmissão são turbinadas pela publicidade das casas de apostas, além da arrecadação com publicidade estática e placas nos estádios.





