Um relatório da Nidec, dona da marca Embraco e que se apresenta como a maior fabricante de motores elétricos do mundo, revelou os resultados de uma investigação interna sobre irregularidades relacionadas à qualidade de produtos. No documento, publicado nesta sexta-feira (4), foram encontrados mais de 800 casos de alterações em processos sem aval dos clientes, falsificação de testes e problemas de rotulagem de origem. No Brasil, a empresa possui fábricas em Santa Catarina e São Paulo.
A investigação ocorre em meio às medidas adotadas pela Nidec após uma crise envolvendo irregularidades contábeis. Em abril de 2026, o relatório final de um comitê independente, criado para apurar o caso, apontou que os erros identificados representavam uma redução acumulada de 160,7 bilhões de ienes no lucro da companhia, cerca de R$ 5,9 bilhões, se convertida com os valores do real desta sexta-feira.
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Agora, esta nova investigação, feita por um comitê externo contratado pela própria empresa, aponta irregularidades também na área de qualidade e nos processos produtivos da companhia. No documento, a Nidec afirma que vai revisar seu sistema de qualidade, reforçar ações de compliance e adotar medidas para evitar a repetição das irregularidades. A companhia também afirmou, em nota ao NSC Total, que, o relatório divulgado pelo Comitê de Investigação não identificou aspectos que afetem a segurança do produto final.
Ainda afirma que está em contato direto com os clientes impactados pelos incidentes previamente identificados e segue comprometida em fortalecer seus processos de gestão de qualidade, governança e compliance.
Quais foram as irregularidades encontradas?
A investigação identificou um total de 850 condutas impróprias. Desse total, a grande maioria está concentrada em falhas de processo de qualidade, mas também foram encontradas irregularidades de rotulagem. O documento cita, entre eles:
Entre as irregularidades identificadas estão:
- Falsificação ou fabricação de resultados de testes e inspeções;
- Descumprimento de condições de inspeção ou fabricação;
- Uso ou envio de itens fora do padrão ou não aprovados;
- Violação de regras de registro e gerenciamento de componentes e materiais;
- Violações das regras de mudança chamadas de “4M”, que envolvem alterações em pessoas, máquinas, métodos ou materiais sem cumprir procedimentos exigidos, como comunicar ou obter aprovação prévia dos clientes.
Entre os casos considerados “significativos”, o relatório cita:
- Registro de valores fictícios de inspeção sem que o teste de resistência exigido tivesse sido realizado;
- Uso de material proibido por acordo com o cliente, sem autorização, além de atraso na comunicação após a descoberta do problema;
- Envio de produtos como se atendessem às exigências dos clientes sem a verificação das substâncias químicas;
- Alteração de dados de inspeção de peças prensadas destinadas a equipamentos de TI, substituindo os valores medidos por outros;
- Reaproveitamento de peças não conformes em processos de retrabalho sem a aprovação do cliente.
Multinacional monta plano de ação
O próprio documento dos resultados formulados pela comissão independente traz um plano de ações para reformar a cultura, os sistemas e os processos internos da companhia, com foco em qualidade e compliance. Entre as medidas previstas estão o reforço da independência das áreas de garantia da qualidade, ampliação de auditorias e monitoramento, revisão das regras de comunicação de problemas e melhoria da rastreabilidade dos dados de qualidade.
A Nidec também pretende ampliar treinamentos, estimular que funcionários comuniquem problemas e proteger quem fizer denúncias ou alertas internos. A empresa afirma que as irregularidades foram identificadas, em parte, a partir da manifestação dos próprios colaboradores e diz que pretende criar sistemas e processos para evitar que os mesmos problemas se repitam.
A empresa afirmou também que aceita a conclusão da investigação e que após a identifica das irregularidades contábeis iniciam uma reforma da cultura corporativa.
A multinacional diz que reconhece que esses incidentes foram identificados a partir de manifestação de opiniões por parte dos próprios colaboradores. “Implementaremos sistemas e processos que permitam aos funcionários sentir orgulho constante da qualidade de seus produtos, assegurando que os mesmos problemas jamais se repitam”, escreveu.



