Os dois candidatos à Presidência que vão ao segundo turno nas Eleições 2026, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) divergem sobre as propostas relacionadas ao salário mínimo e às aposentadorias. Segundo o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), as despesas com aposentadorias e outros benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) podem chegar a mais de R$ 1,2 trilhão em 2027, o que faz com que o tema seja um desafio que será enfrentado já no próximo ano.
Atualmente, a regra faz com que o reajuste do salário mínimo tenha um ganho real em relação à inflação, limitado a 2,5%. Dessa forma, para que o salário mínimo cresça, é necessário que sejam considerados dois fatores: a inflação e o crescimento da economia nos dois anos anteriores. Se o PIB não cresceu no respectivo ano, o valor do salário mínimo é corrido apenas pela inflação.
Para além disso, as aposentadorias e os benefícios do INSS têm o aumento vinculado ao salário mínimo. É nesse ponto que os candidatos à Presidência tratam, também, em seus planos de governo.
Quem eram todos os candidatos a presidente da República nas Eleições 2026
Lula promete manter a regra de reajustes do salário mínimo
Como candidato à reeleição, Lula promete manter a regra de reajustes do salário mínimo com aumentos reais para os trabalhadores, aposentados e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Especificamente sobre as aposentadorias, Lula quer reestruturar a base de financiamento da Previdência, com novas fontes de custeio.
Segundo o plano de governo de Lula, ele também quer regulamentar a contribuição da Previdência no trabalho por aplicativos, além de propor maior acesso aos benefícios previdenciários. Lula, no entanto, não menciona mudanças no cálculo da Previdência ou do salário mínimo.
“[…] Estamos comprometidos com o fortalecimento e a ampliação do acesso à Previdência Social, garantidora de direitos e proteção de renda. Com a política de valorização do salário-mínimo, elevamos o poder de compra de aposentados e pensionistas”, diz o plano de governo.
Flávio Bolsonaro quer fazer um pacote antifraude na Previdência
Já o candidato Flávio Bolsonaro apresentou em seu plano de governo um pacote antifraude na Previdência, no modelo de uma MP Antifraudes apresentada em 2019, com “revalidação anual dos descontos associativos na aposentadoria”.
“Reeditaremos um pacote antifraude na Previdência, nos moldes do que fizemos em 2019, e não pouparemos esforços para coibir qualquer nova tentativa de roubar o dinheiro de quem já deu sua contribuição ao país”, cita o plano de governo.
Para além disso, também quer que os processos relacionados à Previdência sejam digitalizados, além de blindagem dos fundos de pensão das estatais contra indicações políticas. Flávio também quer “revisar normativas infralegais”, com o “corte de no mínimo 10 ministérios, a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas e o combate aos penduricalhos e supersalários que corroem o orçamento”.
À Globo, Flávio não disse se vai manter o vínculo das aposentadorias e benefícios ao salário mínimo, nem respondeu se reajustará os pagamentos junto com o salário.
Como funciona o segundo turno para presidente?
Se nenhum candidato à Presidência da República alcançar mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, os dois candidatos mais votados disputam o segundo turno. Na nova votação, será eleito presidente aquele que obtiver a maioria dos votos válidos. No segundo turno de 2026, a disputa será entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).












