Comprovante do Pix vai mudar após Banco Central decidir banir propagandas e fechar o cerco contra golpes

Banco Central proíbe propagandas e links em comprovantes do Pix a partir de 2027 e altera regras de devolução e chaves salvas

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Autoridade monetária nacional estabelece veto a publicidade e links comerciais em registros de transferência para combater fraudes digitais (Foto: Bruno Peres, Agência Brasil)

O Banco Central determinou que, a partir de 1º de março de 2027, as instituições financeiras de todo o país estão proibidas de incluir propagandas, links ou ofertas comerciais nos comprovantes de pagamento do Pix. A decisão tem o objetivo de eliminar brechas exploradas por criminosos para aplicar golpes por meio de arquivos falsos e padronizar o documento apenas como um registro formal de transferência. Além do fim dos anúncios, foram aprovadas também regras para facilitar a devolução de valores e reforçar a checagem de contatos cadastrados.

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A mudança atinge diretamente o modelo adotado nos últimos anos por bancos e fintechs, que transformaram a tela final das operações em um espaço publicitário.

O perigo escondido nos anúncios

Hoje, é comum encontrar anúncios oferecendo empréstimos pré-aprovados, parcelamento de PIX, seguros e até cupons de desconto em lojas parceiras logo abaixo dos dados do recebedor.

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Essa prática abriu espaço para fraudes digitais. Golpistas passaram a simular esses mesmos formatos comerciais em comprovantes adulterados enviados por aplicativos de mensagens. Ao clicar em botões que prometiam vantagens, dinheiro de volta ou prêmios, as vítimas eram direcionadas para páginas clonadas, desenvolvidas para capturar dados pessoais e senhas bancárias.

Com a proibição definitiva, a referência para o usuário fica mais simples, qualquer documento que contenha ofertas, botões interativos ou links externos a partir de 2027 estará fora do padrão oficial e deve ser encarado imediatamente como suspeito.

Denúncia de golpes mais simples e com envio de provas

O pacote também altera o Mecanismo Especial de Devolução (MED), recurso criado pelo Banco Central para tentar recuperar o dinheiro de quem foi vítima de fraude no Pix.

Para agilizar o processo, os aplicativos bancários terão de trocar termos técnicos por orientações simples e diretas. O cliente poderá relatar a fraude de forma guiada no próprio app e anexar documentos e comprovantes logo no início do pedido.

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O prazo para registrar a contestação continua sendo de até 80 dias após o envio do valor, e os bancos têm 11 dias corridos para avaliar o caso. A recuperação dos recursos segue condicionada à comprovação da fraude e à presença de saldo na conta de destino.

Alerta ligado para contatos salvos

As novas diretrizes também atingem a lista de chaves PIX favoritas salva nos aplicativos.

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Pelas regras estabelecidas, o sistema bancário terá de emitir um alerta na tela sempre que houver qualquer divergência ou alteração nos dados do titular de uma chave cadastrada. A intenção é evitar transferências por engano para chaves vinculadas a números de celular ou e-mails cancelados que foram repassados a novos proprietários.

Até a entrada em vigor das medidas, a recomendação de segurança permanece focada na atenção do consumidor: checar o nome e o CPF ou CNPJ de destino antes de confirmar a transferência e ignorar links contidos em arquivos recebidos por mensagem.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.