R$ 1,258,5 trilhão em patrimônio concentrado na região Sudeste representa 67,55% de toda a riqueza do ranking de bilionários do Brasil em 2026, mostra mapeamento da revista Forbes. Com 152 dos 255 nomes da lista reunidos na região, os dados expõem a disparidade territorial do país e evidenciam como a acumulação de grandes fortunas acompanha os principais polos industriais e financeiros nacionais.
FOTOS: Veja o ranking do bilionários da região Sul em 2026
Rio de Janeiro supera São Paulo em volume de patrimônio
São Paulo lidera em quantidade de bilionários por região, somando 95 nomes contra 37 registrados no Rio de Janeiro em 2026. O patrimônio acumulado pelos cariocas, no entanto, atinge R$ 600,8 bilhões, superando os R$ 593,2 bilhões atribuídos aos paulistas.
A distorção ocorre pelo peso de megadeclarações individuais, com fortunas como as de Jorge Paulo Lemann, André Esteves e dos irmãos Moreira Salles elevando a média do estado fluminense.
Sul impulsiona bilionários com base na indústria
A Região Sul ocupa o segundo lugar nacional, reunindo 67 bilionários (26,3% do total) e um patrimônio conjunto de R$ 292,7 bilhões. Santa Catarina se destaca no bloco, abrigando 38 dos 67 bilionários sulistas. A fabricante de motores WEG explica quase a totalidade do mapa da riqueza catarinense, sendo a origem direta da fortuna de 31 desses nomes.
No Sul, o maior patrimônio é o de Alceu Elias Feldmann, fundador da Fertipar, estimado em R$ 19,2 bilhões. Na sequência aparecem nomes ligados a investimentos, indústria e outros segmentos.
Se destacam Lirio Albino Parisotto (Videolar/mercado financeiro), com R$ 14,2 bilhões, Julio Bozano (Bozano Investimentos), com R$ 12,6 bilhões e Alexandre Grendene Bartelle (Grendene/Nova Milano), com R$ 12,1 bilhões. Luciano Hang, da Havan, também figura entre os mais ricos da região, com R$ 11,9 bilhões.
21 versus 7: comparativo entre Nordeste e Centro-Oeste
A região Nordeste reúne 21 bilionários e R$ 62,3 bilhões em patrimônio em 2026. A maior fortuna é a de Mário Araújo Alencar Araripe, fundador da Casa dos Ventos, estimada em R$ 20,3 bilhões. Ele é seguido por nomes ligados a alimentos, educação e varejo, entre outros setores.
Já o Centro-Oeste tem sete bilionários e R$ 59,2 bilhões. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, ligados à JBS, lideram a região, com R$ 21,9 bilhões cada. Juntos, os dois representam R$ 43,8 bilhões, uma parcela expressiva do patrimônio regional.
A diferença entre quantidade de nomes e tamanho das fortunas volta a aparecer aqui. O Centro-Oeste tem apenas um terço dos bilionários do Nordeste, mas os dois irmãos da JBS concentram uma fatia relevante da riqueza identificada na região.
Ausência de bilionários na Região Norte em 2026
A ausência de nomes na Região Norte destaca o abismo de representatividade no ranking de 2026. Sudeste e Sul, somados, dominam 86% das listagens, enquanto o Centro-Oeste conta com 7 bilionários e o Nordeste registra 21.
A metodologia da publicação, vale ressaltar, mapeia ativos públicos e cotações em bolsas; a falta de nomes no Norte indica a escassez de patrimônios abertos acima de R$ 1 bilhão, não a inexistência de grandes negócios ou empresários relevantes na região.
Vocações regionais dos superricos
Setores específicos impulsionam o topo da pirâmide financeira em cada canto do Brasil:
- Sudeste: tecnologia, bancos, bebidas, mineração e indústria.
- Sul: indústria pesada, fertilizantes, calçados, varejo e investimentos.
- Nordeste: energia renovável, alimentos e educação, liderado por Mário Araripe (Casa dos Ventos, R$ 20,3 bilhões).
- Centro-Oeste: agronegócio e proteína animal, encabeçado por Joesley e Wesley Batista (R$ 21,9 bilhões cada).
Naturalizados e metodologia da Forbes
Oito bilionários naturalizados no Brasil somam R$ 183,1 bilhões, figurando em uma categoria à parte na contagem geográfica. Vicky Safra e família lideram esse grupo com R$ 130,6 bilhões, seguidos por Miguel Krigsner (O Boticário), com R$ 35,7 bilhões.
As estimativas do levantamento dos bilionários por região consideram valores de mercado das empresas em 30 de junho de 2026, excluindo bens físicos não declarados publicamente. Em situações específicas, dados fornecidos pelos próprios participantes também podem entrar na estimativa. A publicação da Revista Forbes ressalta que as fortunas podem estar subestimadas e que, na maioria dos casos, imóveis, obras de arte, aeronaves e embarcações não entram na conta.
*Com edição de Nicoly Souza





